Profissionais do Theatro Municipal do Rio de Janeiro fazem protesto contra salários atrasados Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

Em meio aos sonhos e planos dos estudantes que passam pelo 35º Festival de Dança de Joinville, dificilmente se encontra um talento que esteja mirando uma vaga em uma companhia profissional brasileira. As possibilidades de trabalho no País, se nunca foram perfeitas, agora demonstram a fragilidade das colunas de sustentação da arte e da cultura brasileiras. O Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que há oito décadas reúne os mais importantes bailarinos do Brasil, vive sua pior crise, com salários atrasados há dois meses. Enquanto isso, outras grandes companhias de dança encontram dificuldades para buscar recursos, já que os editais de cultura estão atrasados e os patrocinadores reduziram os repasses via incentivo fiscal.

Falta de eventos durante o ano em Joinville tira um pouco da força da capital da dança

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– Tenho três primeiros bailarinos e um solista que pediram desligamento para dançar em companhias da Europa. Eles precisam dançar, são jovens, mas, de repente, fiquei sem quatro principais bailarinos da companhia – conta Ana Botafogo, atual diretora artística do Balé do Theatro Municipal, função que divide com Cecilia Kerche. 

Ana conta que há, ainda, outros 30 bailarinos que fazem parte do corpo de baile que, por terem contratos por serviço, estão desde janeiro sem trabalho. Apesar de a direção do Theatro Municipal ter preparado uma ampla programação para a companhia de balé, não houve possibilidade de darem início à temporada de 2017.

Incerteza sobre recursos

Membro titular do Conselho Nacional de Políticas Culturais, a produtora e bailarina Bia Mattar aproveitou a passagem pelo Festival de Dança de Joinville como jurada e professora para também sensibilizar os participantes sobre os problemas nos programas culturais. Um deles é o atraso no lançamento do Edital Klauss Vianna, principal fomento na área da dança, que ocorreu pela última vez em 2015.

– Nosso problema é a falta de regularidade nos repasses. Os editais nem têm calendário para o produtor se organizar. Se a lei fosse atendida, 3% da arrecadação das loterias seriam repassados ao Fundo Nacional da Cultura e não haveria atrasos no pagamento – lamenta ela.

Mesmo uma das mais festejadas coreógrafas da atualidade, Deborah Colker, responsável pelo espetáculo de abertura do Festival de Joinville, sentiu a diminuição no repasse. Sua companhia, patrocinada pela Petrobras, sofreu com a redução no orçamento, mas ela afirma que o pior é viver a insegurança do momento atual no País.– Temos que continuar brigando e procurando outras possibilidades para continuar no palco. E não parar de jeito nenhum – defende a coreógrafa.  

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