Paredão de Orleans passa por retirada de vegetação e processo de restauro Valdirene Böger Dorigon / Divulgação/Divulgação

Foto: Valdirene Böger Dorigon / Divulgação / Divulgação

Com quase 200 m² de rocha esculpida, o Paredão de Orleans resiste ao tempo e à ação da natureza. Nos últimos anos, a obra tem recebido atenção especial dos pesquisadores da Universidade Barriga Verde (Unibave), para que a vegetação que cresce no local seja contida sem prejudicar as esculturas. Depois do resultado positivo com a utilização de herbicidas, o trabalho de retirada das raízes e limpeza de alguns trechos está em fase final. A recuperação do painel não tem prazo para terminar, mas tudo deve estar pronto até o aniversário do município, dia 30 de agosto.

A museóloga Valdirene Böger Dorigon, uma das envolvidas no trabalho junto à universidade, explica que as raízes minguaram durante o processo de pulverização do herbicida, o que facilitou a retirada e minimizou os danos à rocha. Mesmo assim, foi possível identificar fissuras antes encobertas pelo mato, e que também terão atenção especial no processo de restauração. 

— Houve desprendimento de algumas partes de rochas, deslocamento de blocos por causa das raízes, algumas mais grossas abriram brechas no paredão. Algas e liquens também foram removidos, partes manchadas por causa de um esgoto que existia no local, tudo está sendo retirado — explicou.

Nesse processo de limpeza, a prefeitura está sendo parceira da instituição de ensino, que é a dona do terreno onde fica a obra. No local, a ideia é fazer a instalação de iluminação apropriada, revitalização da rua e calçadas, para que o ponto turístico se torne ainda mais convidativo.

O paredão

O artista José Fernandes, hoje com 86 anos, realizou as esculturas na década de 1980. O paredão, que fez parte da infância e juventude de Fernandes, foi aberto com a passagem da estrada de ferro Thereza Christina para o transporte de carvão. Uma enchente levou os trilhos da região, e o paredão permaneceu intocado até que o artista decidiu procurar apoio para começar a trabalhar nas rochas. 

Os nove painéis estão dispostos em uma extensão de cerca de 60 metros, a pelo menos 10 metros de altura do chão. São passagens bíblicas lapidadas por Zé Diabo, que ganhou o apelido contraditório depois de pintar um diabo em um a capela.

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