Felipe Zancanaro, Fernão Agra e Alexandre Kumpinski são o núcleo duro da Apanhador Só   Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS
  • Envolvida em uma grande polêmica nas últimas semanas, que incluiu o cancelamento de shows e a interrupção das atividades, a banda Apanhador Só nega que a música Linda, Louca e Livre, do disco Meio Que Tudo É Um, tenha inspiração feminista e convida para conversar pessoalmente quem estiver interesse em discutir o contexto da avalanche de críticas que desabou sobre o grupo. 

  • Em postagem no Facebook, a banda afirma que não sabia que as palavras que dão título à canção eram um lema feminista latino-americano e diz que a postagem de Carla Corleone, ex-companheira do guitarrista Felipe Zancanaro, recebeu uma "desastrosa má interpretação generalizada" sobre o episódio em que ela teve o dedo fraturado acidentalmente pelo músico. 

  • Com uma agenda ampla de reflexões, o extenso texto não deixa claro se a discussão a que a Apanhador Só se dispõe é sobre autocrítica, linchamento na internet, feminismo, machismo, relações virtuais, relações pessoais, reflexões sobre letra da música – ou talvez tudo isso. O que fica claro é a coragem do grupo em convocar a "roda de conversa" e sua fé de que, pessoalmente, as relações humanas sejam mais construtivas e menos virulentas. O encontro será neste domingo, em Porto Alegre.


    Ouça Linda, Louca e Livre:


  • Entenda a polêmica

  • A espiral de reações acaloradas que levou a banda a anunciar a suspensão das atividades começou na quarta-feira (16) com uma postagem de Clara Corleone, ex-companheira do guitarrista Felipe Zancanaro. 

  • Ela relatou pelo Facebook que ele teria sido "desleal", "cruel" e "covarde", usado "artimanhas psicológicas", mentido, traído mais de 40 vezes e quebrado seu dedo ao segurá-la com força durante uma discussão. Segundo expressou no texto, era "um tapa cara" que a banda tocasse a música com "o grito de guerra" das feministas. 

  • Depois da postagem e em resposta à imensa repercussão de seu texto, Clara escreveu novamente, afirmando que sua intenção foi ressaltar a ironia de o grupo cantar a música e levantar o debate, mas que não pretendia prejudicar a banda e não desejava nenhum mal para seu ex. A jovem se disse surpresa e alarmada com os ataques virtuais sofridos pelo perfil do grupo e negou que pretendesse denunciar violência doméstica, como alguns interpretaram, repetindo que o dedo foi quebrado por acidente. 

  • A banda
  • Fundada em 2003, a banda é formada por Alexandre Kumpinski (voz e guitarra), Felipe Zancanaro (guitarra) e Fernão Agra (Baixo). Além de Meio Que Tudo É Um, lançado neste ano, o grupo conta com mais dois álbuns de estúdio: Apanhador Só (2010), e Antes que Tu Conte Outra (2013). 


    Confira a convocação da banda:

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