Marcos Caruso apresenta em Florianópolis espetáculo sobre o valor da arte contemporânea Paula Kossatz/Divulgação

"O Escândalo Phillipe Dussaert" é o primeiro solo de Marcos Caruso 

Foto: Paula Kossatz / Divulgação

Em O Escândalo Philippe Dussaert, seu primeiro solo em mais de 40 anos de carreira, Marcos Caruso vive um conferencista que se dirige à plateia para abordar um escândalo na arte contemporânea que, claro, não pode ser revelado aqui. Por enquanto, basta dizer que na peça, em cartaz amanhã e domingo no Teatro Pedro Ivo, na Capital, o Dussaert do título é um artista já falecido que costumava se apropriar criativamente de grandes pinturas da história, apagando as figuras e deixando apenas o fundo. Um de seus trabalhos, no entanto, alcança um preço tão alto que se torna um mistério. Desvendá-lo é uma missão para Marcos Caruso, ou melhor, para o conferencista que ele interpreta:

– A partir desse escândalo na arte contemporânea, você começa a questionar o quanto valem as coisas na sua vida. Quanto vale o metro quadrado no seu bairro? Quanto vale a palavra de um economista? Quanto vale o celular que você tem no bolso? Entramos nos pequenos escândalos cotidianos para pensar: "É caríssimo, não vale isso!".

O Escândalo Philippe Dussaert é sobre arte contemporânea, mas ninguém precisa entender do assunto para aproveitar o espetáculo. Pelo contrário. O premiado dramaturgo francês Jacques Mougenot se vale do bom humor para questionar a perplexidade do próprio público. Caruso explica:

– À primeira vista, poderia parecer uma palestra para iniciados, o que não é verdade. O espetáculo se torna extremamente popular pela forma como o autor o conduz, fazendo com que todas as pessoas da plateia entendam um pouco de arte.

Contudo, o ator não considera este um monólogo, e sim um "solo coletivo", porque os espectadores, que ficam à meia-luz, podem participar respondendo a indagações do conferencista, se assim desejarem. Caruso garante que nunca quis fazer um monólogo por se considerar uma pessoa "extremamente ansiosa" que gosta de ter ao lado outros atores. Receber o público na entrada, por exemplo, é um recurso coerente com a proposta do espetáculo dirigido por Fernando Philbert, mas o ator admite uma segunda motivação:

– É uma válvula de escape para eu não ficar sozinho no camarim, um temor que eu tinha em relação a monólogos.

De fato, Caruso não procurou o texto de Jacques Mougenot. Foi a peça que veio até ele por meio de duas donas de galeria de arte que o abordaram em um restaurante de comida a quilo no Leblon, no Rio de Janeiro. Sem nenhuma relação com a área da produção teatral, elas tinham se encantado com uma montagem assistida na França e decidiram comprar os direitos. A tradução coube a uma terceira amiga, Marilu de Seixas Corrêa. O esforço valeu a pena: em março, Caruso ganhou por este trabalho o Prêmio Shell do Rio de Janeiro de melhor ator.

O Escândalo Philippe Dussaert

O quê: espetáculo de teatro com o ator Marcos Caruso, dirigido por Fernando Philbert
Quando: sábado (12), às 21h
Onde: Teatro Pedro Ivo (Rodovia José Carlos Daux, 4.600, Saco Grande)
Quanto: a partir de R$ 66 (balcão). Desconto de 40% para sócio do Clube do Assinante e acompanhante na compra do ingresso antecipado no Blueticket.

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