Anita Prestes, filha de Olga Benario, lança em Florianópolis biografia com fatos inéditos sobre a mãe Ver Descrição/Ver Descrição

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Um arquivo inédito com mais de 2 mil páginas de dossiê sobre Olga Benario Prestes motivou a historiadora Anita Leocadia Prestes, filha de Olga, a escrever uma biografia sobre a mãe. O livro Olga Benario Prestes – Uma Comunista nos Arquivos da Gestapo relata detalhes da vida da militante política no período em que esteve presa em campos de concentração na Alemanha até seu assassinato, em 1942, e será lançado nesta terça-feira (19) com debate na UFSC, em Florianópolis.

Os documentos da Gestapo, a polícia secreta nazista, que contam como era a vida de Olga após sua extradição do Brasil para a Alemanha, em 1936, estavam escondidos na Rússia até cerca de dois anos atrás. Portanto, para quem já leu Olga, livro do jornalista Fernando Morais lançado em 1985, essa nova biografia traz informações inéditas.

— Até então, não pretendia escrever sobre minha mãe porque não havia novas informações. Esse arquivo que ninguém sabia da existência surgiu e permitiu que isso fosse possível. Era um material grande, o maior dossiê da Gestapo sobre uma única pessoa — conta Anita.

A obra traz cartas, fotografias e outros documentos sobre a vida da militante e também de seu ex-companheiro, o comunista brasileiro Luiz Carlos Prestes, que foi casado com Olga até o momento de sua extradição e é pai de Anita. Também traz detalhes sobre a vida da própria historiadora, que nasceu no campo de concentração de Barnimstrasse e foi afastada da mãe com 14 meses, quando foi entregue à avó paterna, Leocadia Prestes.

— Nesses documentos, aparece bastante a influência de uma campanha mundial pela libertação dos presos políticos que era dirigida pela minha avó. Quando Olga foi extraditada do Brasil para a Alemanha, a campanha dirigiu-se a ela e depois a mim. Isso aparece em telegramas dirigidos diretamente ao Hitler, havia na época uma pressão muito grande e esse foi um dos motivos que a Gestapo me libertou. Por isso, digo que sou filha da solidariedade internacional — explica Anita.

Nos arquivos sobre a mãe, a historiadora também se surpreendeu com a dimensão da coragem de Olga e sua disposição para permanecer firme, sem delatar colegas do Partido Comunista Alemão ou da Internacional Comunista, dos quais ela fazia parte: "Se outros se tornaram traidores, eu jamais o serei", disse a militante.

— Foi um dos motivos pelos quais nunca deixaram que ela saísse. Ela tinha países que a concederiam asilo e eles não permitiram porque ela não falou o que eles queriam. Os documentos também mostram a truculência das autoridades alemãs. Eles acabam revelando a si próprios, são detalhistas na hora de descrever o autoritarismo e a violência.

Apesar de contar a história da família e sua própria, Anita optou por ser impessoal e não fala de si mesma na primeira pessoa no livro. Seu objetivo principal com a obra é alertar, desmascarar o fascismo para evitar que ele se repita. Para a historiadora, os tempos sombrios não ficaram para trás:

— Ele volta de tempos em tempos. E, por trás de tudo, sempre estão os interesses do capital. Na Alemanha nazista, grandes empresas estavam interessadas naquele regime. Os judeus e outros povos que não eram considerados raças superiores que foram exterminados foram bodes expiatórios. Sempre se apresenta um bode expiatório. Hoje, há vários, inclusive os comunistas, que virou xingamento — finaliza.

Agende-se
Lançamento do livro Olga Benario Prestes – Uma Comunista nos Arquivos da Gestapo, com debate com a autora
Quando: terça-feira (19), às 19h
Onde: Auditório do prédio EFI, acesso pelo Centro de Ciências Físicas e Matemáticas - CFM (UFSC, Campus Reitor João David Ferreira Lima, Trindade, Florianópolis)
Evento gratuito

Foto: Reprodução / Reprodução

Olga Benario Prestes – uma Comunista nos Arquivos da Gestapo, de Anita Leocadia Prestes, editora Boitempo
144 páginas
R$ 37 

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