Celulivro Marceloo Zambrana / Light Press/Divulgação

Foto: Marceloo Zambrana / Light Press / Divulgação

 O mundo parece que vai explodir quando Trump abre a boca ou Kim Jong-Un solta os seus traques na forma de mísseis mal-educados.

Mas há boas notícias no ar, pelo menos na Bienal do Livro. As bibliotecas se informatizaram e evoluíram de tal modo que, hoje, elas estão eletronicamente ao alcance de qualquer internauta. A maior biblioteca do mundo – a do Congresso americano – está disponível ao comando de uma tecla. E a maior das livrarias online, a Amazon, produz o Kindle, aparelho do tamanho de um livro de bolso, pesando apenas 300 gramas, capaz de receber o download de qualquer dos seus 88 mil títulos.

O mágico aparelho dispensa o computador, é uma espécie de celular receptivo, armazena em torno de 1000 livros e já é considerado como o maior armazém de literatura que o mundo civilizado conhece.

O aparelhinho pode receber livros, jornais e até a Wikipedia, a enciclopédia da web. Todo o universo da cultura mundial estará na palma da sua mão em segundos. De repente, você pode comandar a entrada de, por exemplo, Os Maias, de Eça de Queiroz. E escolher o capítulo em que o Eça devora com volúpia um "Bife em frigideira de barro à Lisboeta". Ou chamar Crime e Castigo, de Dostoievski, no trágico momento em que a angustiada Sonya decide acompanhar Raskolnikof à Sibéria, para com ele cumprir a pena pelo assassinato da velha agiota.

Ter um livro nas mãos ao impulso de um clic é o novo "rosto" de uma revolucionária cultura hi-tec, embora se saiba que os velhos livros de papel – herança dos antigos papiros - sobreviverão na sua atual forma de cultura encadernada.

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De minha parte, confesso: p;                ***

De minha parte, confesso: vou preferir, sempre, o livro de papel. Preciso passar fisicamente as páginas, refletindo e captando as atmosferas do texto. E há o cheiro, quase um vício, como o desses garotos de rua que cheiram cola de sapato. Não vou dizer que é um prazer erótico e libidinoso - mas é quase.

É desse livro impresso, feito de papel e cola que o mundo há de sentir falta. O escritor americano John Updike deixou lavrada sua preferência pelo velho livro tradicional:

– Um livro se encaixa com naturalidade na mão humana, num aconchego sedutor, quer tenha capa de papelão, pano ou sobrecapa acetinada. Seu peso se distribui entre os dedos sem o menor sacrifício, enquanto o polegar mantém as páginas abertas, para que os dedos da outra mão possam virá-las, num ritual de carícia e sabedoria.

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