3ª Bierville em Joinville tem missão de reunir gerações Salmo Duarte/Agencia RBS

Alvino aprendeu a tocar bandoneon há 70 anos, enquanto Ingra e Ana Letícia estão iniciando o aprendizado agora

Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Os pratos e as bebidas consumidos desde a última quarta-feira dentro do pavilhão de eventos da Expoville, assim como as músicas que embalarão as danças, as brincadeiras que divertirão o público e os trajes de quem quiser se sentir ainda mais “germânico”, têm foco no passado. Brincam com a tradição da cidade que, um dia, foi colônia recebendo imigrantes vindos do Norte da Europa, principalmente da Alemanha, e reúne participantes de todas as idades para, até sábado, viverem momentos de “Fritz e Frida” na 3ª da Bierville – Festa Alemã de Joinville. 

Entre o público veterano, principalmente aquele formado pelos descendentes diretos dos imigrantes, há o interesse em manter o elo com manifestações culturais que eles mesmos ajudaram a criar. Para os jovens, a nostalgia vem com outra missão: fazer a manutenção das tradições, garantindo que não sejam perdidas.

– Precisamos equilibrar as opções da festa para mesclar o público, com a guitarra dividindo espaço com o bandônion. Assim, a geração que está vindo agora também ajuda a construir a tradição – afirma Develon da Rocha, diretor da Sol Eventos, empresa organizadora da Bierville.

A germanicidade não é a única referência cultural de Joinville, que foi construída também por imigrantes de outras nacionalidades e por brasileiros com outras histórias e costumes. Mesmo assim, quando os músicos da banda Uhul viajam para shows em outros Estados, percebem que esta é a “marca” principal da cidade aos olhos de fora. 

– Não é a única, mas é a referência mais forte, até por causa da Oktoberfest e de como ela influencia a noção que as pessoas têm das cidades catarinenses – avalia o baixista da Uhul, Tiago Fachinni.

A banda representa um exemplo perfeito da renovação desta tradição: faz rock com letras em alusão às coisas da cidade e utiliza melodias de marchinhas alemãs como base para as composições. Nos shows, os integrantes usam trajes típicos, mas não se comportam nem um pouco como as antigas bandas dos bailes da colônia. Por isso, apesar de serem chamados para festas como a Bierville por causa do público jovem, eles também brilham aos olhos das crianças e dos idosos, surpresos ao assistirem aos músicos bagunçando no palco.

– Nós ainda vivemos a cultura alemã nas nossas casas, com nossos pais e avós falando alemão, ouvindo marchinhas, mas precisamos dar uma nova roupagem para quem está chegando agora e não tem essas referências da infância. Precisa ser divertido para eles também – afirma Tiago.

Confira a programação:

12 de outubro
Quinta-feira:
11h às 14h – Irmãos Radoll.
14h30 às 19h30 – Banda Zurich.
20h às 22h – Banda Uhul.
22h30 à 1h – Bierband.

13 de outubro
Sexta-feira
19h às 22h – Chopp em Dúzia + Irmãos Radoll.
22h30 à 0h30 – Vox 3.

14 de outubro
Sábado:
17h às 17h45 –bandonionistas de Joinville da Associação dos Bandonionistas de Joinville (Abanjo).
17h45 às 18h30 – Kinderband.
18h30 às 19h30 – 1º Encontro de Dança Folclórica da Bierville.
19h30 às 21h30 – Cavalinho Branco.
22h à 1h – Banda Stadtkapelle.

Agende-se: 

O quê: 3ª Bierville – Festa Alemã de Joinville.
Quando: quinta-feira, das 11h à 1h da manhã; sexta-feira, das 19h à 1h da madrugada; e no sábado, das 17h à 1h da manhã.
Onde: Centro de Convenções e Exposições da Expoville (rua Quinze de Novembro, 4315, Glória, Joinville).
Quanto: quinta-feira, gratuito até as 17 horas e R$ 15 a partir deste horário. Na sexta-feira e no sábado, R$ 15. Em todos os dias haverá meia-entrada para estudantes, pessoas com deficiência e acima de 60 anos.

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