Artista visual lança publicação criada a partir de intervenção sonora na tríplice fronteira  Fran Favero/Reprodução

Foto: Fran Favero / Reprodução

Como Falar entre Fronteiras, publicação de artista desenvolvida a partir de uma intervenção sonora no Marco das Três Fronteiras, nas divisas entre o Brasil, Argentina e Paraguai, será lançada nesta terça-feira, na Fundação Badesc, em Florianópolis. O projeto nasceu do trabalho de conclusão de curso da artista visual Fran Favero, que instalou radiotransmissores em Foz do Iguaçu, Puerto Iguazu (Argentina) e Presidente Franco (Paraguai) e convidou moradores e turistas a falarem entre fronteiras, com desconhecidos, estabelecendo uma conversa ou simplesmente transmitindo a voz de um lado a outro.

— Instalei um pedestal com radiotransmissor e deixei uma pessoa monitorando a ação em cada país. Eles ficavam a cerca de 500 metros de distância entre um e outro. Então quando alguém falava, todos que estavam próximos aos demais podiam ouvir. Ainda deixei um quarto equipamento dentro de um carro, junto com gravador, que registrou as conversas. Teve uma logística complicada, porque para colocá-los e retirá-los dos três países tivemos que atravessar todas as alfândegas diversas vezes — explica a artista sobre o processo de produção da intervenção.

Esse dispositivo possibilitou uma troca sonora e conversa em português, espanhol e guarani, idiomas oficiais dos países, e em outros idiomas pela presença dos turistas. O resultado é uma publicação de artista formada por souvenir postal desdobrável que apresenta os registros fotográficos da intervenção, um mini CD com a edição das conversas realizadas pelos participantes nas fronteiras e um livreto de 12 páginas com texto da artista visual Raquel Stolf, orientadora da pesquisa de Fran Favero no curso de Artes Visuais da Udesc. A publicação é editada em tiragem limitada e com produção manual de cada exemplar pelo Selo Armazém.

— Foi interessante porque cada país teve uma característica específica. Na pousada onde ficamos, as pessoas da recepção nos desencorajaram a fazer no Paraguai, falaram que era perigoso. Chegando lá, não foi nada disso. É um parque com boa estrutura e super pacífico, mas sem turistas, apenas moradores locais, justamente por causa desse estigma. No lado brasileiro, que tem mais turistas, o monitor só explicava se a pessoa perguntasse. Já na Argentina, o ponto fica em um espaço urbano e a gente fez panfletagem, convidando as pessoas para participar — comenta Fran.

Mestranda em Artes Visuais, a artista cresceu na região da tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. Na faculdade, desenvolveu trabalhos em arte sonora e teve a ideia de fazer a intervenção após ouvir uma rádio local de Foz do Iguaçu e perceber que conseguia acessar também as estações dos outros países vizinhos.

—  O espaço sonoro é muito misturado e híbrido. Pensei nesse poder do som de atravessar a fronteira. Apesar dos países estarem pertos um do outro no Marco das Três Fronteiras, ali não é um ponto de atravessamento, o correto é passar pelas alfândegas. Por causa da burocracia, a gente chega perto mas não pode atravessar. A intervenção foi uma forma de burlar isso, pois o som consegue — finaliza a artista visual.

Fran Favero lança a publicação de artista Como Falar entre Fronteiras na Fundação Badesc (outubro de 2017)
Foto: Fran Favero / Reprodução

O que é publicação de artista

Quando o livro abandona sua condição objetiva para ser objeto de arte contemporânea, de arte que se expressa por meio ou por causa de suas folhas de papel — impressas, encadernadas, esculturadas e, no caso de Como Falar entre Fronteiras, até escutadas — surgem as publicações de artista. São obras que estão situadas na intersecção entre literatura e artes visuais e que propõem uma experiência que vai além da leitura tradicional, sendo também sensorial e de contemplação.

Agende-se
O quê: Lançamento da publicação de artista Como Falar entre Fronteiras, de Fran Favero
Quando: terça-feira, às 19h
Onde: Fundação Cultural Badesc (Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis)
Quanto: gratuito. O conjunto da obra custa R$ 20

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