Livro do escritor catarinense Cristovão Tezza é finalista do Prêmio Jabuti  Guilherme Pupo/Divulgação

Romance capta a personagem Beatriz, que apareceu pela primeira vez como coadjuvante em um conto

Foto: Guilherme Pupo / Divulgação

A Câmara Brasileira do Livro divulgou resultados da primeira fase do Prêmio Jabuti 2017, a mais importante premiação literária do País.  Na principal categoria, de romance, está indicado A Tradutora, livro do escritor lageano Cristovão Tezza, um dos mais premiados e traduzidos romancistas brasileiros contemporâneos. 

Concorrem na mesma categoria Como se Estivéssemos em Palimpsesto de Putas (Elvira Vigna), Descobri que Estava Morto (J. P. Cuenca), Machado ( Silviano Santiago), O Marechal de Costas (José Luiz Passos), O Tribunal da Quinta-feira (Michel Laub), Outros Cantos (Maria Valéria Rezende), Simpatia Pelo Demônio (Bernardo Carvalho), Soy Loco Por Ti America (Javier Arancibia Contreras) e Tristorosa (Eugen Weiss). 

O romance capta a personagem Beatriz, que apareceu pela primeira vez como coadjuvante em um conto que o autor catarinense criou depois de O filho eterno (2007), romance premiado que em 2016 ganhou adaptação cinematográfica.  A personagem assumiu protagonismo no livro Um erro emocional (2010) e deu nome a um volume de contos lançado em 2011. Agora, ela norteia  A tradutora, em que aparece na casa dos 30 anos e à beira de uma crise pessoal. Com poucos amigos, envolvida em um relacionamento amoroso que está se esfacelando e com uma vida econômica apertada e sem perspectiva de melhora, Beatriz mergulha em seu trabalho de tradutora como uma forma de escapar da realidade. Ela traduz para o português um livro do fictício escritor catalão Felip T. Xavaste, um filósofo com inclinação conservadora que critica conceitos como a microfísica do poder de Michel Foucault. 

Beatriz, no entanto, não conseguirá se manter por muito tempo alheia de seus problemas. O pensamento de Xaveste remete às contradições de seu parceiro amoroso, um escritor de meia idade que preserva ideias românticos juvenis, mas que exerce sobre ela um domínio psicológico sufocante. A situação começa a mudar quando a personagem é contratada por um dirigente alemão da Fifa para ser sua intérprete em visita à Curitiba, onde Beatriz (e o próprio Tezza) mora, para os preparativos da Copa do Mundo.

Ao longo de três dias, Beatriz leva o estrangeiro a diferentes endereços da capital paranaense. Ao lado de um homem que jamais havia visitado a cidade onde cresceu, ela também começa a enxergar seu espaço com novo olhar. O livro é narrado combinando trechos em terceira pessoa com divagações da mente da protagonista, diálogos e trechos da tradução da escrita de Xavaste.

59ª edição do prêmio tem novidades 

Neste ano, foram 2.346 inscritos, então selecionados entre os finalistas em 29 categorias. Duas delas são inéditas: neste ano, o Jabuti também irá premiar nas categorias de histórias em quadrinhos e livro brasileiro publicado no exterior. A cerimônia será realizada em 30 de novembro, no Auditório Ibirapuera. 

Veja a lista completa dos indicados no site do prêmio

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