Uma Oktoberfest democrática ocorre nas ruas de Blumenau Patrick Rodrigues/Agencia RBS

Você conhece a Praça Professor João Mosimann?

Foto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS

Na caixa de som a voz de Wesley Safadão avisa que ele voltou e recomenda: "Bora beber". Ninguém ousa discordar. Na Praça Professor João Mosimann — ok, ninguém a conhece pelo nome —, aquela entre a lanchonete Tunga e o Castelinho da XV, copo na mão é pré-requisito no mês de outubro. O local é ponto de encontro nos dias de desfile da Oktoberfest, quando ocorre a maior concentração de pessoas, e também serve de sede para o esquenta de muitos grupos de amigos que não têm pressa de partir para a Vila Germânica.

No Tunga é assim desde 1985. Foi o ano em que Sílvio Mario Nuhs (foto abaixo), 52 anos, chegou a Blumenau e assumiu o estabelecimento. Na época, o local dividia o protagonismo com o Bude, outro bar que ficava ao lado. Os dois começaram a investir em caminhões de som que atraíam o público por ali e o resto da história todos sabem. Nos dias mais movimentados da festa, como o feriado de 12 de outubro de 2012, cuja foto estampada na capa do Santa ele guarda em um quadro, Silvio estima que 10 mil pessoas cheguem a passar no entorno do Tunga.

 Faces da oktober: Tunga.  CASE:  Sílvio Mario Nuhs, 52 anos
Silvio estima que 10 mil pessoas cheguem a passar no entorno do Tunga durante o feriadoFoto: Lucas Correia / Jornal de Santa Catarina

— Muita gente diz que se sente melhor aqui porque tem garçom, pode sentar. Mas também é um espaço democrático, o pessoal fica por aqui, daqui a pouco montam um grupo de pagode, outro que gosta de sertanejo já aparece com uma caixa de som... — conta.

Dentro do bar o clima até é de um restaurante normal, com casais e turistas em busca de um lanche, um chope e um bom papo num local turístico. Foi o que levou os cearenses Manoel Tomaz de Almeida Neto, 59, que está na quarta Oktoberfest, e Hermanegildo Cesar, o Gildo, 58, debutando na festa, a levarem as esposas Fátima e Ana Maria para tomar um chope antes de curtir o zicke-zacke.

 Faces da oktober: Tunga.  CASE: Hermanegildo Cesar, o Gildo, 58 (branco) e Manoel Tomaz de Almeida Neto, 59, com as esposas Fátima e Ana Maria
Turistas cearenses também conheceram o tradicional TungaFoto: Lucas Correia / Jornal de Santa Catarina

Mas é do lado de fora que está o clima da Oktoberfest do Tunga. Nos dias mais agitados do ano passado tinha casais possuídos pelo funk dançando até o chão e caixas de som em carrinhos de supermercado. No último sábado, o local novamente lotou com jovens vasculhando coolers e isopores de gelo como quem procura um tesouro perdido. Com a limitação de público na Vila Germânica, quando não há mais venda de ingressos há quem decida ficar por ali mesmo até o fim da noite.

Na última sexta-feira à noite, quando a reportagem foi acompanhar a movimentação, a chuva afastou muita gente e a calçada não estava nem de longe tomada como ocorreu na noite seguinte, por exemplo. Ludmila Bezerra e Renan Adam (foto abaixo), que vieram de Santos e foram recomendados a acompanhar uma noite na praça do Castelinho, sentiram pelo público menor, mas conseguiram aproveitar a primeira noite na cidade já em clima de festa. Mas quem estava empolgado mesmo eram os festeiros com camisas de malha ou de times de futebol, canecos de um litro e chapéus de animaizinhos.

 Faces da oktober: Tunga. CASE: Ludmila Bezerra e Renan Adam
Turistas de Santos (SP) passaram uma noite na praça do CastelinhoFoto: Lucas Correia / Jornal de Santa Catarina

Cada um do seu jeito, como o carioca gosta

Evidentemente nem tudo são flores. Mesmo em uma sexta-feira sem tanta gente, nove policiais militares e uma viatura acompanhavam a distância o agito no Tunga para evitar qualquer tumulto. Ohana Alexandre voltava do trabalho e só passou por ali depois de ver que a calçada não estava tão superlotada — caso contrário, preferiria passar pela Beira-Rio para evitar gracejos indelicados que também atingem outras garotas que caminham por ali.

Mas na medida certa a Oktober do Tunga é um jeito de ocupar a praça e levar a animação da festa a um cartão-postal da cidade. Em volta de um balde — não um baldinho de inox de balada gourmet, mas um balde de plástico raiz, desses que costumam habitar áreas de serviço — com gelo, catuaba, vodca e cerveja, um grupo de quatro cariocas abria os trabalhos desta edição da Oktoberfest ao lado de um banco da Rua XV.

— É uma festa democrática, de rua, como o carioca gosta. É tipo uma "praia". Cada um traz a sua bebida, pode ficar no seu espaço, tem muito movimento, ninguém vai cobrar R$ 80 de você para entrar em uma festa, tudo isso conta — explica um deles.

Alguém ousa discordar?

Leia também
::
Bandas tradicionais, coral germânico e chucrute music - os sons que animam a Oktoberfest 2017
::
Segundo desfile da Oktoberfest é marcado pelos 30 anos da Planetapeia
::
Oktoberfest movimenta a economia e incentiva o comércio da região
::
VÍDEO: Sangria do primeiro barril de chope abre oficialmente a Oktoberfest 2017 em Blumenau

 Veja também
 
 Comente essa história