FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL: Embarcação é um novo espaço de arte na Lagoa da Conceição. Na foto: Mônica Hoff (de óculos) e Kamilla Nunes.(Foto: CRISTIANO ESTRELA / DIÁRIO CATARINENSE)
Espaço propõe experiências com a arte em todos os formatos possívelsFoto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Existe a tendência em achar que se uma cidade não tem bom número de equipamentos culturais (museus, teatros, galerias), então não tem cultura. A verdade é que isso tem muito mais a ver com a potência das pessoas em armar novas possibilidades em arte: pode ser na praça, na praia ou numa sala pequena do segundo andar de um centro comercial. Passado o marasmo de tempos nem tão distantes, Florianópolis vive hoje um momento profícuo nas artes, apesar da economia, apesar da crise política.  Graças às pessoas — leiam-se novos nomes à frente de instituições como o Museu de Arte de Santa Catarina (Masc) e o Museu da Imagem e do Som (MIS-SC), por exemplo — e a projetos autônomos e alternativos. O Embarcação é um deles: lugar de experiência com a arte.

Voltado ao debate artístico contemporâneo, Embarcação é um espaço de pesquisa, de encontros e conversas localizado numa sala próxima à Praça Bento Silvério, na Lagoa da Conceição, em Florianópolis. Não é exatamente uma galeria com exposições, embora já tenham sido realizadas duas mostras, mas onde ocorrem programas públicos de experiências poéticas e artísticas. Um espaço híbrido — artes visuais, literatura, cinema, performance — transdisciplinar e aberto.

O projeto começou em julho de 2016 a partir do cruzamento de pesquisas da curadora Kamilla Nunes, 29 anos, e da artista e curadora Mônica Hoff, 38. No início, tinha data de validade até setembro deste ano. Mas a ideia ganhou fôlego e o engajamento de outras duas pesquisadoras, Chay Luge e Priscila Costa de Oliveira, e hoje integra o Circuito de Espaços Artísticos Independentes de Florianópolis.

— O Embarcação não pretende formar artistas, mas sobretudo pensar e atuar dentro da lógica do que é uma experiência e produção poética. O que é trabalhar a partir de uma imaginação crítica e como se pode dar início a processos que não necessariamente precisam ser chamados de arte — diz Mônica Hoff.

Nesse sentido, a arte torna-se mais porosa e aberta a qualquer pessoa. Lá, não existe a barreira do produto final, ou seja, o objeto artístico, mas sim o processo artístico em si, aquele que ninguém viu.

— Nos dá a possibilidade de entender o que é o artista e o curador e como eles atuam, além de todas essas figuras que habitam o mundo da arte. Tem um espaço de vida aí. São muitas as modalidades e formatos de arte. A gente não traz o objeto para cá, mas trazemos a pesquisa — explica Kamilla Nunes.

 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL: Embarcação é um novo espaço de arte na Lagoa da Conceição. Na foto: Mônica Hoff (de óculos) e Kamilla Nunes.(Foto: CRISTIANO ESTRELA / DIÁRIO CATARINENSE)
Mônica Hoff e Kamilla NunesFoto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense

Arte para pensar diferente

Espaços como o Embarcação são fundamentais porque são parte de um processo de resistência. O Sítio, Agenda, Armazém / Coletivo Elza, Na Casa e La Kahlo Bodega, assim como o Embarcação, todos em Florianópolis, oferecem a possibilidade de encontrar coisas que dificilmente se veria num espaço oficial. Justamente porque estão abertos à experimentação.

— Do jeito que a coisa está, a desigualdade social absurda no Brasil e a cegueira, talvez a arte e a educação sejam as únicas possibilidades de se conseguir mudar alguma coisa, de viver melhor. Se você corta a arte e a cultura, corta a capacidade de pensar. A arte é capacidade de imaginar, assim como a educação. Se não tem imaginação crítica, padroniza-se tudo dentro de uma ordem — conclui Mônica Hoff.

Endereço: Travessa Leopoldo João Santos, 113, sala 4, 113, em frente à praça Bento Silvéio, na Lagoa da Conceição, Florianópolis

Informações sobre a agenda de programas, grupos de estudos e eventos no Facebook do Embarcação

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