Filme "O Touro Ferdinando" retoma discussão sobre o respeito às diferenças  Blue Sky Studios/Divulgação

A vida de Ferdinando sofre uma reviravolta após ele conhecer a pequena Nina

Foto: Blue Sky Studios / Divulgação

Em 1938, a Disney lançou um curta que contava a história de um touro avesso a brigas e amante das flores. A produção, inspirada no livro escrito por Munro Leaf, fez sucesso entre crianças e adultos, ganhou um Oscar e continuou encantando gerações nas décadas seguintes – pelo menos até os anos 1990, o estúdio lançou edições especiais em VHS reunindo suas fábulas.

E é tentando repetir esse passado de glórias que O Touro Ferdinando retorna às telas nesta quinta-feira sob a tutela do diretor brasileiro Carlos Saldanha (o mesmo de A Era do Gelo 2 e 3 e da franquia Rio). Agora, a animação chega aos cinemas com um enredo mais complexo e longo – são 108 minutos de filme –, novos personagens e a responsabilidade de tratar do tema do respeito às diferenças no século 21 – época marcada, principalmente nos últimos tempos, pela animosidade entre pessoas com distintas visões de mundo.

Ferdinando é um novilho que destoa dos demais. Tem sonhos e ambições diferentes de seus amigos que moram na Casa del Toro, nos arredores de Madrid, na Espanha. Sem exceção, todos os pequenos se preparam para as touradas. O objetivo é ser bom de briga, mostrando agressividade e muita agilidade para ser escolhido pelo matador para o confronto na arena. Mas Ferdinando não gosta de dar cabeçadas em seus amigos e, no fundo, sua paixão é sentir o aroma das flores e apreciar a natureza.

O problema é que a escolha do novilho é motivo de chacota no grupo. E quando o pai de Ferdinando é selecionado para uma tourada e acaba não voltando para casa, o pequeno entra em desespero e decide fugir. Por sorte, ele acaba encontrando a menina Nina, que mora com o pai em uma fazenda e cultiva flores de todos os tipos. Ali, ele se torna o melhor amigo da garota e aprende que pode crescer sem se preocupar com as touradas. Com o passar do tempo, Ferdinando cresce, chega a 900 quilos e segue o adorador incondicional de flores de sempre. O problema é que, agora, ele não pode ir ao tradicional festival que a família sempre participa devido ao seu tamanho assustador. A recusa deixa Ferdinando triste e o animal decide ir à cidade de surpresa. A atrapalhada chegada do touro ao local é a passagem de volta de Ferdinando à Casa del Toro, onde reencontra seus amigos e é assombrado pela realidade das touradas novamente – além da possibilidade de virar churrasco caso não seja escolhido pelo matador.

O enredo do novo longa da Blue Sky Studios, que pertence à Disney desde o anúncio da compra da 20th Century Fox, fortalece as mesmas premissas da história original, mas consegue se inserir de forma enfática na realidade do século 21. No centro da trama, ainda se mantém o respeito às diferenças, claro, só que há espaço para refletir sobre o sistema de abatimento de animais – e, consequentemente, as lógicas vegetarianas e veganas – e a polêmica questão das touradas na Espanha. E tudo isso com um roteiro que acerta o tom para mesclar uma saga dramática com bom humor. 

Quem não conhece a história, deve parar por aqui. Pois o desfecho do filme segue a obra dos anos 1930, com a recusa de Ferdinando em lutar e os gritos de apoio do público. Fora das telas, a aclamação deve se repetir por outro motivo: emociona crianças e adultos e propõe um debate em família, na escola ou onde for. Vida longa ao adorador das flores.

Censura nos anos 1930

O livro do americano Munro Leaf foi lançado em 1936 em parceria com o ilustrador Robert Lawson. Fez tanto sucesso à época que foi traduzido para 60 idiomas e ganhou um curta da Disney, mas acabou proibido na Espanha por desagradar o ditador Francisco Franco e suas forças fascistas – na Alemanha, Adolf Hitler fez o mesmo.  Às vésperas do lançamento do filme, a editora Intrínseca lançou uma nova edição da obra em capa dura. Com tradução de Flora Pinheiro, o livro tem 72 páginas e custa R$ 39,90 (o e-book é vendido a R$ 24,90).

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