Jogadores do Avaí curtem a "ressaca do acesso" na casa do zagueiro Betão Tiago Ghizoni/Diário Catarinense

Pedro Castro (E), Renato, Judson e Betão comemoram acesso à Série A

Foto: Tiago Ghizoni / Diário Catarinense

O domingo foi de resenha e ressaca para os jogadores do Avaí, após uma noite de festa pelo acesso à primeira divisão do futebol brasileiro. Em Florianópolis, os atletas Pedro Castro, Judson e Renato levaram as esposas e os filhos para almoçar no salão de festas do prédio onde mora o zagueiro Betão, no bairro Agronômica.

— Agora é hora de comemorar. A gente tem esse dia pra ficar com a família, pra só depois voltar a pensar em trabalho! — destacou o anfitrião.

Após acesso, Avaí brinca com Figueirense nas redes sociais

Os jogadores aproveitaram o domingo para celebrar o acesso e relaxar juntos, já que agora muitos retornam para suas cidades. Judson, por exemplo, volta para ficar com a família no interior do Rio Grande do Norte, depois de enfrentar uma perda familiar durante a reta final da Série B. A reportagem bateu um papo com o volante, que se emocionou ao falar sobre o episódio.

Você, o Betão e o Renato estiveram também no acesso de 2016. Qual a diferença daquela campanha pra essa? E o que esperar pro ano que vem?
A campanha de 206 foi um pouco mais tranquila porque a gente conseguiu com uma rodada de antecedência. Dessa vez a gente decidiu em casa contra uma difícil equipe num jogo bem atípico, jogando por dois resultados. E graças a Deus conseguimos o acesso. A gente espera que o próximo ano a gente consiga fazer o que a gente não fez no ano passado, que é a permanência na Série A, que é importante demais para o clube, pela questão financeira.

Esse ano ainda teve a questão dos salários atrasados, tiveram também algumas perdas familiares. Como que vocês lidaram com isso?
Dos males, o menor foi o salário atrasado. A união que a gente teve o ano todo, a gente sabia que a solução era o acesso para que a gente pudesse ter esse retorno salarial. As perdas familiares foi certamente a questão mais difícil. O Renato perdeu um irmão de forma prematura. Eu conheci o Rodrigo, que faleceu. Fui na casa do Renato no dia do acidente. A gente tem um laço de amizade bacana. Era um momento de muita dificuldade. Ele foi pra Maceió. E coincidentemente 15 dias depois teve o falecimento da minha sogra. Eu não estava em casa, com minha esposa e minhas filhas. E ela veio a óbito na sala da minha casa. E você acordar às 5h com essa notícia no dia de um jogo, eu nunca tinha vivido isso na minha profissão e não desejo isso a ninguém. Envolve muitas sensações estranhas.

Quando eu trouxe minha sogra para cá, eu trouxe porque eu queria que ela comemorasse o acesso porque eu tinha certeza que a gente iria conseguir, pela união do nosso grupo e o trabalho sério e porque meus pais também não poderiam vir. E com o falecimento dela, a minha esposa teve que resolver tudo. O translado do corpo daqui pra Natal, depois pro nosso interior. E eu tinha que ajudar meus companheiros contra o Fortaleza, era um jogo importante, final de campeonato, e eu não podia deixar os caras na mão. Porque no jogo contra o Atlético já tinha sido difícil. Eu estava legal no jogo, mas depois que a gente fez o gol, meu emocional foi lá pra baixo, porque eu comecei a pensar na minha esposa, e minha sogra me apoiava pra caramba. Conseguir esse acesso é uma forma de presentear minha esposa e minhas filhas.

 FLORIANÓPOLIS, SANTA CATARINA, BRASIL - FOTO: TIAGO GHIZONI/DIÁRIO CATARINENSE - 25/11/2018 - Depois do empate com a Ponte Preta, o Avaí conquistou o acesso à série A do Brasileiro. Para comemorar, jogadores se encontram no apartamento de Betão, zagueiro da equipe. Estavam no local Betão, zagueiro; Renato, meia; Pedro Castro, meia; e Judson, volante. Na foto: Judson, volante do Avaí.
Judson se emocionou ao lembrar do falecimento da sograFoto: Tiago Ghizoni / Diário Catarinense

E mesmo com essa questão familiar, você ainda manteve uma regularidade no campeonato.

Eu posso ter esse mérito, mas há toda uma equipe por trás que me dá apoio. Eu não falo só dos jogadores, mas da comissão técnica, dos preparadores físicos, da fisioterapia. Pouca gente sabe, mas há dois anos eu sofri uma lesão de púbis que me atrapalhou na chegada ao Avaí e desde então a gente faz um trabalho específico para que eu tenha condições de atuar 100%. Muita gente fala que eu evoluí bastante nesses anos de Avaí, eu concordo com isso, mas o Betão é um cara que me ajuda bastante dentro de campo, o próprio M10 quando atua fala direto coisas pra eu melhorar.

E no ano que vem, como fica? Vai jogar a Série A pelo Avaí?

Meus empresários que estão resolvendo isso. A gente não sentou pra conversar ainda, porque esperamos as coisas acontecerem. Agora com o acesso tudo fica mais fácilm, porque a gente consegue ter um planejamento bem melhor pro ano que vem. Agora é com eles, que acertem o que for melhor para ambos! 

O zagueiro Betão agradeceu o reconhecimento do companheiro Judson.

— Eu fico feliz de poder ajudar de alguma forma, pela experiência de vida, de rodagem no futebol, a gente pode passar alguns atalhos pro pessoal que está começando.

Assim como o volante, Betão também não falou sobre o futuro no Avaí. Informou apenas que o contrato termina dia 15 de dezembro e que ainda não conversou com a direção do Clube.

Leia mais sobre o acesso do Leão
Presidente do Avaí repete fórmula para 2019: saneamento das dívidas
Melhor visitante e segunda melhor defesa: os números que levaram o Avaí à Série A

 FLORIANÓPOLIS, SANTA CATARINA, BRASIL - FOTO: TIAGO GHIZONI/DIÁRIO CATARINENSE - 25/11/2018 - Depois do empate com a Ponte Preta, o Avaí conquistou o acesso à série A do Brasileiro. Para comemorar, jogadores se encontram no apartamento de Betão, zagueiro da equipe. Estavam no local Betão, zagueiro; Renato, meia; Pedro Castro, meia; e Judson, volante. Na foto: Betão, zagueiro do Avaí.
Foto: Tiago Ghizoni / Diário Catarinense


 Veja também
 
 Comente essa história