Marquinhos Silva vive sonho além do sonho com a camisa do Avaí Marco Favero/Diário Catarinense

Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

Trilado o apito pela última vez no ano na Ressacada, jogadores do Avaí desabam e extravasam em alívio por atingirem o acesso. O gramado vira um formigueiro azul e branco. De todos os lados surgem torcedores para abraçar seus representantes no campo. Os atletas têm dificuldade para irem ao vestiário. Marquinhos Silva também. Mas o zagueiro não queria sair da grama tão cedo. A vontade era aproveitar o que podia de um dos grandes momentos como profissional. Estar nos braços da nação azurra, batendo fotos com crianças e adultos chorosos pela emoção do retorno do Leão à Série A, foi a representação de seu 2018.

– Nem nos meus melhores sonhos imaginava terminar desta forma – pontua o atleta que faz da frase recorrente para definir o que passou na temporada.

Marquinhos Silva iniciou o ano temporariamente banido do futebol por acusação de doping. Experimentado no futebol, o 2018 começou do zero. Sozinho, sem clube após o fim do contrato com o Figueirense, que defendeu por quatro anos e foi capitão, comprovou inocência e foi em busca da retomada na carreira. No entanto, era um atleta de 35 anos e com pelo menos quatro meses sem atuar. Modestos clubes de Série C desconversavam depois de seu contato. Sem empresário, o defensor procurou Maurício Nassif. Em alguns dias, seu nome já era citado em salas e corredores da Ressacada, com aprovação de dirigentes, do técnico Geninho e de um xará: Marquinhos.

Endossado, apresentado e com o Silva indexado ao nome desde a apresentação, o desafio virou outro. Não bastava voltar a um time de futebol. Marquinhos queria jogar. Foi o que sempre quis, sem se importar com salário. Precisou de tempo para adquirir condicionamento físico e a suplência, em seguida, rendeu as primeiras oportunidades. Saiu do nada para terminar a temporada como titular absoluto do Avaí, com um acesso à elite nacional e tido como um dos líderes do elenco de um clube em que quatro anos antes era a personificação de arquirrival. Algo impensável.

 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL - 28/11/2018Marcos Roberto da Silva Barbosa, o Marquinhos Silva, zagueiro do Avaí
Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

– Nem nos melhores sonhos imaginava terminar desta forma – repete.

Por isso, após o 0 a 0 com a Ponte Preta que serviu para o Avaí voltar à Série A, foi o último a voltar ao vestiário e continuar a festa.

– Não imaginaria ter esse reconhecimento tão rápido. A rivalidade é grande e todos sabem da minha história no Figueirense. Um ano atrás, eles me “odiavam”. Uma das coisas que vai ficar marcada para mim é isso: o torcedor me abraçando e agradecendo. Conquistamos o acesso, foi legal. Mas em apenas seis meses ter esse reconhecimento, pelo que você fez, pelo seu trabalho...  Foi como um título. Dos títulos que conquistei, em nenhum deles houve essa recepção do torcedor. Fica gravado e sou eternamente grato a este carinho – descreve o defensor, que também foi parabenizado por alvinegros, em respeito aos trabalhos prestados no Scarpelli até o ano passado.

Foram instantes de alegria que dão a Marquinhos Silva a certeza que a Ressacada pode ser a sua morada no futebol em seus últimos anos de carreira. Têm na cabeça o plano de seguir temporada por temporada, enquanto o corpo permite continuar a jogar em alto nível. Convicto de que assim será em 2019, está confiante no acerto por sua permanência no Leão.

– Já falei que minha vontade é permanecer. Em seis meses, conquistamos o acesso, roemos o osso e agora vem o filé. Quero participar disso. E não quero sair da cidade. Vou morar aqui depois que parar de jogar. É perfeito, e num clube como o Avaí, na Série A, poder continuar a fazer história – prevê. 

 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL - 28/11/2018Marcos Roberto da Silva Barbosa, o Marquinhos Silva, zagueiro do Avaí
Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

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