De reprovado em teste e tapa-furo em treino, a trajetória de Gil, herói da vitória da Chapecoense Sirli Freitas/Especial

Gil foi o autor do gol da vitória contra o Figueirense, no domingo, na Arena Condá

Foto: Sirli Freitas / Especial

O herói da Chapecoense contra o Figueirensefoi reprovado em teste no início da carreira. No Mogi-Mirim, Gil foi chamado para completar time no treino e acabou ficando. Há 10 anos, o herói da Chapecoense na vitória contra o Figueirense era um jovem frustrado pela reprovação no teste que havia feito no interior de São Paulo. 

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Depois de três meses, onde havia jogado apenas 25 minutos pelo Santa Cruz, do Rio Grande do Norte, sua terra Natal, Gil queria arriscar a sorte no centro do país. Inicialmente foi reprovado e, enquanto aguardava seu pai mandar o dinheiro da passagem de volta para o Nordeste, o jovem estava nas arquibancadas do estádio do Mogi-Mirim assistindo ao treino e lamentando não poder estar em campo. 

Seu pedido acabou sendo atendido. Como havia alguns jogadores lesionados, o então treinador da equipe Ciro Quadros o chamou para completar o time reserva. Gil foi bem no treinamento e o técnico sentenciou. 

— Você vai ficar aqui conosco – falou Quadros a Gil. 

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Dez anos depois, o volante de 28 anos vive um momento de realização profissional. Seu time lidera o Campeonato Catarinense e ele foi o autor do gol da vitória no domingo. Um golaço. 

Já eram 40 minutos do segundo tempo e o jogo contra o Figueirense estava 0 x 0 quando Gil tocou para o atacante Maranhão na ponta direita. Ele recebeu de volta e tocou por entre as pernas de Jefferson e bateu no ângulo do goleiro Gatito Fernández. 

— Pensei em cruzar mas daí iria bater no defensor, então chutei para o gol e ainda contei com um desvio no zagueiro – explicou Gil. 

Além de garantir a liderança, o gol quebrou uma série de nove jogos sem vitória contra o Figueirense. Gil disse que não é muito de fazer gol e sim de dar assistências. No ano passado ele marcou apenas três vezes, duas contra o Inter de Lages e uma no Brasileirão, contra a Ponte Preta. 

Ele não esconde que prefere jogar de volante do que de lateral, como vem fazendo nos últimos jogos, ou meia, como no ano passado. Aliás, não é algo incomum na carreira. 

— Joguei em outras funções no Guaratinguetá e, no Coritiba, joguei também de lateral e até de ponta – lembrou. 

Gil considera que além de treino, tem como característica essa versatilidade de marcar e apoiar no ataque. Aliás, Gil é meia de origem. Foi sob o comando do técnico Argel Fucks, ex-Figueirense, e do auxiliar Claudiomiro que passou a ser volante. 

— Eu era reserva e o Claudiomiro perguntou se eu não queria ser volante, pelas minhas características – lembra Gil. 

Pois naquele ano Gil ajudou o Mogi-Mirim a voltar para a primeira divisão do Paulistão. Depois foi para o Guaratinguetá e Vitória. Em 2010, foi finalista do Campeonato Paulista como Santo André. Teve uma passagem pela Ponte Preta e depois ficou três anos no Coritiba, onde foi campeão paranaense de 2012 e 2013. No início de 2015 veio para a Chapecoense e acabou ficando. Agora, Gil sonha com um título também em Santa Catarina. No baralho de Guto Ferreira, Gil é o curinga que pode fazer a diferença. 

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