"É um momento especial para mim", diz Maringá, campeão estadual pelo JEC, em 1985 e pela Chape, em 1996 Leo Munhoz/Agencia RBS

Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Natural de Pato Branco-PR, João Carlos Giovanaz virou ¿Maringá¿ quando jogou no Grêmio Maringá, no início de carreira. Como jogador, atuou pelo Coritiba, Guarani, Caxias-RS, jogou Libertadores pelo Cerro Portenho e foi campeão catarinense pelo Joinville, em 1985, e Chapecoense, em 1996.

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Como dirigente da Chape foi campeão catarinense em 2011 e ajudou o Verdão a chegar à Série A. No JEC, assumiu como superintendente de futebol na metade do Brasileiro. E mesmo passando por problema de doença na família, a direção do Joinville quer mantê-lo no clube pelo espírito de liderança que ele representa. A aposta é que ele repita no Coelho o mesmo sucesso que teve como dirigente do Verdão. O DC conversou por telefone com Maringá sobre essa relação de amor com os dois finalistas.

Você chegou no JEC e já foi campeão marcando gol?
Cheguei em 1985 e fui octacampeão catarinense. Fiz um gol na final contra o Figueirense. Fiquei em 1986 e depois saí, voltando de 1990 a 1993. Nesse período tivemos apenas um vice. Foi um período de vacas magras. Depois saí para o Cerro Porteño.

E quando começou tua história na Chapecoense?
Eu joguei no Criciúma em 1994 e em 1995 vim para a Chapecoense. Em 1995 nosso time era o melhor e perdemos para o Criciúma na final. Em 1996 o Joinville era melhor e nós fomos campeões. Eles poderiam ter sido campeões antecipadamente mas faltou um gol. Depois teve o foguetório em Chapecó, o JEC se recusou a jogar e a decisão acabou ocorrendo em dezembro, quando os dois times estavam desfigurados. Nós, por exemplo, perdemos o Ivair e o Titi.

Você até estava machucado na final, não poderia jogar?
Eu estava parado há um mês por um estiramento. O Joel (Castro Flores, treinador) disse que não iria relacionar o Marquito pois ele não tinha condições de jogar por dor no púbis. Daí eu infiltrei minha coxa para convencer o Marquito a infiltrar. E ele entrou no segundo tempo e fez o gol que levou para a prorrogação.

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Foi um torneio sofrido?
No banco de reservas, em condições, só tinha dois jogadores: o goleiro Rogério e o Gilmar Fontana. Eu, o Marquito e o Luís Carlos estávamos machucados. Mas se precisasse, jogávamos.

Foto: Sirli Freitas / Agencia RBS

Como foi o gol do título?
Já estava no segundo tempo e o Índio voltou puxando a perna. Eu e o Carlinhos falamos para o Joel para tirá-lo e colocar o Gilmar. O Joel disse: ¿Tá louco, se tirar o Índio e perder a torcida me mata¿. Ele pediu para eu entrar e eu disse que estava ferrado e o Gilmar chutava bem. O Gilmar entrou e, na primeira bola, chutou no ângulo.

Depois você foi técnico da Chapecoense?
Fui treinador entre 1998/99, no Catarinense e na Sul-Minas.

E depois como diretor você participou de uma história vencedora no clube. Você começou ainda na Série D?
Na Série D eu era torcedor ainda. Entrei na Série C. Em 2011 fomos campeões do Catarinense. Em 2012 subimos para a Série B. Em 2013 subimos para a Série A. E em 2014 conseguimos a permanência, que talvez seja o maior título, pois essa manutenção está permitindo para a Chapecoense mudar de patamar.

E como diretor, quem te convidou para ser vice-presidente foi o Sandro Pallaoro, presidente do clube. Vocês eram amigos de infância?
Foi ele e o Gambatto (Izair). Conheço o Sandro desde os 10 anos de idade. Jogávamos na mesma escolinha. Eu jogava no juvenil e ele no infanto-juvenil, pois eu sou três anos mais velho. Jogávamos pelada juntos. Nossos pais serviram juntos no Exército no Rio Grande do Sul.

No final de 2014 você deixou a Chapecoense. Por quê?
Pensei que estava com a missão cumprida e pretendia mudar de rumo. Fui me preparar para ser diretor de futebol. Fiz curso na Universidade do Futebol. Daí veio o convite para voltar ao Joinville como dirigente. O JEC tinha só nove pontos em 16, 17 rodadas. Aceitei pela história que tinha no clube e pela amizade com o presidente Nereu (Martinelli). Foi uma convocação. Não evitamos o rebaixamento, mas fomos até próximo do final com chances.

Como é disputar uma final entre dois times que você têm uma ligação tão forte?
É um momento especial pela história que tenho nos dois clubes. Quando estava na Chapecoense e vinha para Joinville me perguntavam isso também. Sempre tive respeito muito grande pelos dois clubes. Tem uma história que não se apaga. Não só de títulos, mas de caráter. Tenho uma relação muito boa com jogadores e diretoria da Chapecoense. No Brasileiro vou torcer para a Chapecoense na Série A. Mas quando se está de um lado defende esse lado. Eu estou no Joinville e vou fazer de tudo para que o Joinville seja campeão.

Se você fosse escolher uma final escolheria Chapecoense e Joinville, certo?
É muito bom. Acaba tendo um gosto especial. Quando você vai jogar bola com os amigos quer ganhar dos amigos.


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