"É um momento ímpar poder voltar", diz Alan Ruschel após jogo-treino da Chapecoense Sirli Freitas/Chapecoense

Sobrevivente do acidente aéreo com a Chapecoense, Alan Ruschel participou de amistoso nesta quarta-feira

Foto: Sirli Freitas / Chapecoense

Renascimento. Sentimento da Chapecoense comungado por Alan Ruschel. No dia anterior, o lateral-esquerdo assistiu ao time, heroico, eliminar o Defensa y Justicia nas penalidades máximas pela Sul-Americana, e remeter aos guerreiros que se foram no acidente aéreo na Colômbia. Nesta quarta-feira, o jogador reviveu no campo. Ele esteve em ação no mais próximo o possível de uma partida de futebol. 

Ruschel foi escolhido pelo técnico Vinícius Eutrópio para disputar parte de jogo-treino contra o Ypiranga-RS, no Centro de Treinamento da Água Amarela. Começou no banco e viveu a expectativa de ser chamado para entrar na partida. No segundo tempo, esteve em campo e não como lateral. Durante os 40 minutos da atividade, terminada em empate em 1 a 1, atuou como meio-campista. 

Deixou o trabalho satisfeito pelo desempenho. Afinal, para quem sofreu um acidente aéreo que vitimou 71 pessoas, em novembro do ano passado, estar vivo e poder jogar futebol é uma vitória e tanto. O atleta foi o primeiro dos sobreviventes a deixar o hospital, 17 dias depois da tragédia. 

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A participação no jogo-treino é mais um passo para o retorno pleno à rotina que tinha antes de embarcar no avião da LaMia. No início de março, na véspera de jogo contra o Lanús, pela Libertadores, ele começou o se recondicionar fisicamente. Paulatinamente, foi integrado ao grupo nos treinamentos e começou a participar dos rachões. 

Agora, mais uma etapa foi vencida. O primeiro jogo oficial desde o acidente está previsto para 8 de agosto, contra o Barcelona. Enquanto a volta se aproxima, aumenta a ansiedade de vencer mais uma etapa.

"Parecido com quando comecei"

Depois do jogo-treino, no início da tarde desta quarta, ele foi assistir ao confronto da equipe sub-20 da Chapecoense contra o Sport pelo Brasileirão da categoria. Carregando uma garrafa térmica e a cuia de chimarrão, para honrar a tradição do Sul, foi assediado por dezenas de torcedores que queriam tirar uma foto. Neste ambiente, conversou sobre o que viveu e sentiu horas antes. 

Alan Ruschel recebe o carinho dos torcedores após participar de jogo-treino Foto: Darci Debona / Agência RBS

Como é voltar a participar de um jogo depois de tudo o que você passou?
— É um momento ímpar poder voltar a jogar. É mais um sonho realizado, assim como realizei o sonho de ser um atleta. Senti algo muito parecido com o que senti quando comecei a jogar, aquela ansiedade, o frio na barriga. Tinha uma expectativa criada de voltar a jogar. Agora quero superar minhas expectativas e voltar a atuar em alto nível, para disputar novamente um jogo oficial de Campeonato Brasileiro. 

Como você se sentiu no jogo-treino contra o Ypiranga?
— Eu me senti bem. Claro que falta ritmo de jogo, mas isso você consegue pegar com as partidas. Estou evoluindo a cada dia e me coloco à disposição para quando o treinador precisar. 

O que passou pela tua cabeça durante o jogo?
— Hoje foi mais agradecer a Deus por estar vivendo aquele momento, um momento único de voltar a fazer o que mais gosto. 

Como foi superar essas etapas até voltar a entrar em campo. Você tinha essa certeza que voltaria a jogar?
— No hospital  não me deram essa certeza, de que voltaria a jogar. Mas quando voltei ao clube, eu a tinha. Agradeço a Deus por estar vivo para poder superar essas etapas de voltar a caminhar, depois voltar a correr, a fisioterapia, o condicionamento físico e voltar a jogar. 

Como está a expectativa de ser relacionado para o amistoso contra o Barcelona?
— Todo atleta sonha em jogar com os grandes e estar entre os tops do futebol mundial. Vai ser outro sonho, um jogo diferente, único. Será mais um sonho realizado.

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