Dois anos após tragédia, Chapecoense responde a 54 ações na Justiça Diorgenes Pandini/Diario Catarinense

Reunião em novembro do ano passado aproximou representantes jurídicos do clube e familiares das vítimas

Foto: Diorgenes Pandini / Diario Catarinense

Enquanto no campo a Chapecoense briga para se manter na elite do Brasileirão, nos bastidores os últimos dias forçaram uma corrida contra o tempo no departamento jurídico do clube. Como o prazo de dois anos em relação ao acidente faria a Chape perder o direito de judicializar determinadas reivindicações, esta semana advogados do time moveram novas ações na Justiça, desta vez na Colômbia.

Os processos têm como alvos o governo colombiano e órgãos de controle da aviação no país, além das empresas envolvidas com a apólice de seguro da tragédia. O clube entende que as autoridades da Colômbia devem ser responsabilizadas por permitir um voo marcado por irregularidades, enquanto as empresas ligadas ao seguro são cobradas por terem negociado o valor da apólice em escala abaixo do que praticavam meses antes. 

No ano passado, a Chapecoense já havia ajuizado processos na Justiça Federal da própria cidade contra autoridades da Bolívia e da companhia aérea LaMia. Ainda não previsão sobre quando as ações podem ter desfecho.

—Temos uma segurança jurídica boa para buscar valores que possam nos ajudar a indenizar as famílias e para a Chapecoense buscar o ativo que ela perdeu — diz o vice-presidente jurídico da equipe, Cesair Bartolomei.

Clube é alvo de ações na Justiça

Por outro lado, a Chapecoense também responde a uma série de processos judiciais, principalmente trabalhistas, ajuizados por familiares de atletas e de funcionários vítimas da tragédia. Se todas as 54 ações civis e trabalhistas conhecidas resultassem em condenação ao clube, diz Bartolomei, o montante a ser pago chegaria a U$ 100 milhões. Mas, na prática, esse valor é considerado apenas hipotético porque a Chapecoense também pode ganhar parte das causas e garantir acordos de interesse do clube.

Segundo o departamento jurídico, oito conciliações já foram firmadas com base em valores e condições de pagamento propostas pela Chapecoense, nenhuma delas com pagamento à vista. A equipe mantém um fundo de contingência para honrar os acertos.
Como o caixa do clube depende do rendimento da equipe em campo, Bartolomei reconhece que o risco de rebaixamento no Brasileirão levou o jurídico a não firmar novos acordos desde agosto.

—Os acordos que fizemos é porque temos condições de honrar — aponta.

Famílias preparam ações contra autoridades

Familiares de atletas e das demais vítimas do voo na Colômbia dedicaram os últimos dois anos a reunir documentos e provas sobre as circunstâncias do acidente. Uma das entidades fundadas após a tragédia, a Associação dos Familiares das Vítimas do Voo da Chapecoense (AFAV-C), ainda prepara ações para buscar reparação judicial. 

Viúva do fisiologista Cesinha e hoje presidente da AFAV-C, Fabienne Belle diz que a entidade já tem elementos para apontar a cadeia de responsáveis pela queda do avião. Nos últimos dias, a associação providenciou uma ação de protesto de prazo para ganhar tempo e evitar que o caso prescreva na Justiça. Na avaliação da entidade, as responsabilidades envolvem os governos de Bolívia, Colômbia e Brasil.

—Quem regulamenta a aviação civil tem obrigação de olhar pela vida dos passageiros, mas infelizmente negligenciaram esse direito à vida. Os três países que deveriam olhar para isso o negligenciaram — lamenta.

Viúva do fisiologista Cesinha, Fabienne preside entidade de apoio aos familiares das vítimasFoto:

Fundação deve garantir assistência 

Enquanto a busca por direitos espera, familiares agora apostam numa parceria com o clube para receber apoio mais efetivo. Trata-se da Fundação Vidas, um projeto em fase final de elaboração que deve estabelecer um fundo assistencial às famílias voltado à saúde, educação, moradia e alimentação. A sede será em Chapecó e terá diretoria composta por membros do clube e representantes das famílias. A Chape espera captar fundos junto à iniciativa privada para garantir repasses mensais aos beneficiados. 

—Os prazos dos processos são muito longos e levam as famílias à necessidade financeira. São dois anos sem renda. Os familiares precisam se manter durante o tempo que durar as ações — diz Fabienne.

 Veja também
 
 Comente essa história