Alex Bourgeois, o CEO que sonha o Figueirense grande e profissional Luiz Henrique/FFC

Alex Bourgeois é o sonhador que tentar guiar o Figueira a outro patamar no futebol

Foto: Luiz Henrique / FFC

Na canção "Imagine", John Lennon cantou que "poderia ser um sonhador, mas não estava sozinho". O trecho da letra que clama pela paz condiz com a realidade do Figueirense. Não apenas pela esperança de dias melhores com a nova gestão, mas também por quem passa a conduzir o clube. Desde a última terça-feira, o Alvinegro tem como dirigente máximo Alex Bourgeois: o CEO que sonha – e tenta levar – o Furacão a outro patamar no futebol brasileiro. Prefere o sonho grande, porque vale o esforço como qualquer outro.

O Conselho Deliberativo do Figueirense aprovou na última hora de segunda-feira o acordo com o grupo de investidores anônimos para assumirem o Alvinegro no sistema de clube-empresa. Com ele, o também investidor Bourgeois. Ativo nas redes sociais, no dia seguinte começou a interagir com torcedores por meio do Twitter. Nas primeiras horas da manhã do segundo dia de trabalho no Figueirense, postou: "Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez".

A frase e o trecho da canção combinam com o CEO, que tem o papel similar a um presidente no organograma do novo Figueirense. É tido como um sonhador por aqueles que cruzaram seu caminho no futebol brasileiro, percorrido a partir de 2010. A capacidade de pensar em grandes conquistas – e não se trata apenas de troféus – foi o que também seduziu os conselheiros do Figueirense. Nas passagens pelo São Paulo, no segundo semestre de 2015 tinha planos ambiciosos. Curiosamente, foram dois períodos curtos, que, somados, chegaram só a quatro meses.

Ainda que a função de CEO fosse administrativa, dizia ter encaminhado acerto para que o argentino Marcelo Bielsa fosse o treinador e o holandês Frank Rijkaard (treinador do Barcelona por cinco anos) fosse o diretor de futebol. Em São Paulo, não passou das palavras, até porque o trabalho foi curto, abreviado pela briga política no clube.

No Figueirense, além de CEO, acumula o cargo de diretor de futebol. Diz que teve envolvimento com o futebol santista por quatro anos, participando da montagem do grupo que tinha Neymar e Ganso. No São Paulo, o futebol de campo estava entre as pautas. No novo Figueira será a primeira vez como protagonista no principal departamento de um clube. Poderá provar que está preparado para ir além do gabinete. Em contato por e-mail com o DC, Bourgeois apresentou como credenciais a experiência com os times paulistas e o estudo profundo relacionado a diferentes áreas de cinco gigantes europeus. 

– Futebol é gestão. Não é diferente de uma empresa. A particularidade é que se assimila à indústria de mídia e de entretenimento. O futebol brasileiro trata com amadorismo uma indústria que se tornou global. Nós temos um parque temático, o estádio, temos mídia, jogos na TV, e temos merchandising, camisas e outros – respondeu.

Nascido em Paris, rodou o mundo e chegou ao Brasil em 2010 para trabalhar com o futebol. Abílio Diniz, ligado ao Grupo Pão de Açúcar e BRF, entre outros, abriu o caminho para Alex Bourgeois no São Paulo e ao esporte. Após a saída do clube, era seu contratante para o desenvolvimento de projetos ligados ao Tricolor paulista. O CEO admira o empresário de 80 anos, mas garante que ele não está entre os escondidos pelas cláusulas de confidencialidade do contrato entre o grupo ainda sem nome e o Figueirense.

Fernandes no cartão de visita do alvinegro

Entre os temas da nova gestão do Figueirense, na terça-feira, a volta do ídolo Fernandes estava entre a apresentação de Milton Cruz como novo treinador e outros assuntos de quem chegava pela primeira vez para trabalhar no Orlando Scarpelli. Na quinta-feira, o retorno estava selado e no dia seguinte foi oficializado. Como se não bastasse as novidades, o bolo do novo Figueira ainda tinha uma cereja. 

Era o que Fernandes também queria, estar novamente no ambiente do clube em que é o maior artilheiro da história, depois do afastamento em 2012, quando do atrito com Wilfredo Brillinger, ainda presidente, mas sem poder de decisão. E não bastava poder voltar a colocar os pés no Scarpelli, teria de ser para trabalhar. A proposta de Alex Bourgeois foi certeira: cargo no futebol, para fazer a transição dos atletas da base ao profissional. O ex-jogador vai contar aos jovens o que é ser ídolo do clube antes de entrega-lo à sorte do futebol.

A nova administração vai contar com um nome de carisma desde o "sim" do Conselho Deliberativo e ganha a confiança da torcida. Na partida contra o Goiás, neste sábado, Fernandes vai colocar os pés no gramado do Orlando Scarpelli, acenar ao torcedor e possivelmente deixar o campo de jogo com Bourgeois.

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