Nestor Lodetti: "O Figueirense não entra para ser coadjuvante" Flávio Neves/Agencia RBS

Lodetti quer que 2012 seja ainda melhor do que 2011

Foto: Flávio Neves / Agencia RBS

O Figueirense está otimista para 2012 e as palavras do presidente Nestor Lodetti explicam as razões. Em entrevista ao Diário Catarinense, ele comemorou o êxito em 2011, ano em que o clube não só se manteve na Série A como fez uma grande campanha no Campeonato Brasileiro. O resultado faz o Figueira querer mais.

 

Confira o vídeo da entrevista do presidente do Figueirense


Após bater na trave ao brigar pela vaga na Libertadores, o Alvinegro espera lutar pela classificação inédita no próximo ano. E este não é o único objetivo. Segundo o presidente, o Furacão quer largar bem e buscar o título Estadual no primeiro semestre. Depois, além do Brasileiro, o desafio será surpreender na Sul-Americana.

Lodetti tem o mesmo pensamento em relação a todas as competições, sejam mais ou menos importantes: 

— O Figueirense não entra em qualquer competição como mero participante. Não existe o lema "o importante é participar"  — disse.

Ele sabe também que, para conseguir isso, é preciso mais do que a vontade e Lodetti tem convicção de que o Figueira conseguirá montar um time competitivo, mesmo tendo perdido alguns jogadores importantes. A palavra desmanche não faz parte do vocabulário, apesar da partida de seis titulares do time de 2011 até agora (Juninho, Bruno, Edson Silva, Roger Carvalho, Maicon e Wellington Nem).
 
Para ele, as saídas e chegadas são consideradas parte de um processo natural, principalmente para um time que está abaixo dos grandes quando a questão é o orçamento. Os primeiros contratados já foram anunciados, alguns ainda desconhecidos do torcedor, como Fred e Luiz Fernando, e a expectativa é que eles cresçam junto com o clube —  os principais jogadores que atuaram no Brasileiro, como a dupla Julio Cesar e Wellington Nem, também eram desconhecidos quando chegaram.

As expectativas vão além do futebol. O clube espera crescer dentro e fora de campo. O planejamento inclui, como uma das grandes ações, a construção da Arena. O presidente prevê o início das obras para 2013 e a conclusão até dezembro de 2014, quando seu mandato chega ao fim.

No cargo desde 2010, ele não pensa em reeleição. Quer se dedicar a outros projetos e morar na Europa. Antes que isso aconteça, espera ver o Figueirense brilhar. Leia, ao lado, os principais trechos da entrevista com o presidente alvinegro.

O que falou o presidente

BALANÇO 2011

Começamos o Estadual pensando no título e em utilizá-lo como laboratório para o Brasileiro. Infelizmente, perdemos o primeiro turno em casa, para o Criciúma. Tivemos que fazer correções, fizemos, e no segundo turno nos concentramos na preparação do elenco para a Série A. Nossa ideia era começar bem para que, no segundo turno, pudéssemos alcançar novos patamares, não apenas lutar para sobreviver. Isso deu certo. Os resultados estão aí, terminamos como a sensação do Brasileiro, o segundo melhor técnico e quatro atletas reconhecidos entre os melhores. Foi um ano exitoso para a gestão do Figueirense.

O QUE ESPERAR DE 2012

O grande desafio é que 2012 seja melhor que 2011. Queremos fazer um grande Estadual, disputar o título, e também começar muito bem o Brasileiro e subir alguns degraus em relação a 2011. Ou seja, se estivemos na porta da Libertadores este ano, precisamos estar dentro em 2012. Também tem a Sul-Americana. O Figueirense não entra em uma competição para ser mais um coadjuvante. Entra para fazer papeis importantes e destacados.

EXIGÊNCIA DA TORCIDA

A torcida do Figueirense sempre foi exigente. Ela é fiel, apaixonada, leal, mas exigente e sabemos disso. O torcedor tem consciência das nossas limitações, sobretudo as financeiras. Mas isso não impede que os desafios sejam superados.

REESTRUTURAÇÃO DO ELENCO

Perder jogadores importantes é da rotina do futebol brasileiro. Todos os clubes perdem e fazem ajustes na transição de uma temporada para outra e o Figueirense não foi diferente, não por opção, mas em função de nossas limitações financeiras. Estamos trabalhando incansavelmente para que tenhamos um elenco melhor e mais qualificado. Quem sabe este sonho de disputar um grande título nacional ou internacional se torne realidade.

RENOVAÇÃO DE FERNANDES

O Fernandes quer permanecer e queremos que ele permaneça. Precisamos apenas sentar juntos e definir as bases desta renovação. Vamos encontrar a forma de compatibilizar os interesses para que o Fernandes continua conosco. Ele é um atleta identificado com o clube, querido pela torcida e por nós.

APROVEITAMENTO DA BASE

É necessário compatibilizar duas coisas: os atletas preparados para estar no time principal e a necessidade do clube. Teremos cinco ou seis atletas agregados ao plantel profissional em 2012. Historicamente, o Figueirense tem conseguido grandes resultados com sua base e imaginamos que 2012 também vai ser assim.

ORÇAMENTO

O orçamento de 2012 terá um incremento de 30%, mas as despesas aumentam. É preciso ter uma capacidade de gerenciamento que equilibre as duas coisas, receita e despesa, para que no final do ano tenha condições de estar estruturado e preparado para o crescimento.

CONSTRUÇÃO DA ARENA

Estamos na concepção final da Arena. O Conselho Deliberativo precisa examinar e aprovar. O ato seguinte é estudar o impacto ambiental, a vizinhança, e depois aprovar os projetos e, paralelamente, construir as parcerias. Os recursos não serão do Figueirense. Imaginamos que em meados de 2012 tenhamos todas estas definições para que comecemos as obras do estádio transitório, onde o Figueirense vai atuar neste período de construção da Arena. Uma previsão segura é de que as obras no Scarpelli iniciarão no início de 2013 para que tenhamos tempo de construir este estádio provisório.

PROJETO DE CRESCIMENTO

Precisamos crescer e crescer significa aumentar a receita. A previsão orçamentária do Figueirense para 2012 equivale a 30% do que Flamengo e Corinthians vão receber da Rede Globo. Temos um grande desafio. Para diminuirmos esta diferença dos grandes clubes precisamos multiplicar nossa receita. Este complexo (Arena) vai ser um grande gerador de recursos para o clube. Nosso processo de crescimento envolve também a segurança que possamos transmitir ao nosso torcedor.

MENSAGEM DE FIM DE ANO

Precisamos ter um Feliz Natal, um grande Ano Novo, mas um ano de união contínua, cada vez mais solidificada, com o torcedor do Figueirense participando ativamente da vida do clube. Temos consciência que o torcedor é o destinatário final de todas nossas ações. Com esta complementação de gestão, Conselho Deliberativo, comissão técnica, atletas, torcida e, com nossos parceiros, vamos estar entre os três maiores clubes do Sul do Brasil nos próximos cinco anos.

DIÁRIO CATARINENSE
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