"Acredito que o Brasil Tennis Cup chegou na hora certa", diz presidente da CBT Luiz Pires/Fotojump

Lacerda vai comandar a CBT até março de 2017.

Foto: Luiz Pires / Fotojump

O catarinense Jorge Lacerda, que comanda da Confederação Brasileira de Tênis desde 2005, comemora a realização do Brasil Tennis Cup, após 12 anos de ausência do circuito da WTA no Brasil. Para o dirigente, o torneio chegou na hora certa, já que o Brasil começa a apresentar bons resultados com a nova geração de tenistas capitaneada por Teliana Pereira. Além disso, Lacerda ressalta que o país terá em 2014 o maior calendário da América do Sul, com realização de dois torneios da ATP (o circuito masculino) e outros dois da WTA (o circuito feminino).

Diário Catarinense — Porque o Brasil ficou 12 anos fora do circuito mundial da WTA?

Jorge Lacerda —  Na verdade, para realizar um torneio, um país ou uma promotora precisam comprar uma data. Não funciona com indicação ou como nos torneios Future e Challenger, onde você paga uma taxa (à  Federação Internacional de Tênis) para realizar o evento. É igual ao circuito da ATP (masculino). O Brasil teve uma data emprestada há 12 anos, o torneio foi feito junto com o Brasil Open e o evento era da Octagon. E até o ano passado, o Brasil não tinha uma data, até porque é cara uma substituição de data.

DC — Quanto custa?

Lacerda — Funciona de acordo com o mercado e depende da demanda disponível. No ano passado, nós compramos após o problema na Europa, que realizava o evento de Marbella, na Espanha. Não se gasta menos de US$ 1,5 milhão para comprar uma data.

DC — Essa ausência trouxe reflexos negativos para o tênis feminino do Brasil?

Lacerda — Em termos de visibilidade, é importante (ter eventos). Mas o problema é que o tênis feminino estava muito devagar e não adianta fazer um evento deste nível e não ter jogadoras para participar. No momento que começamos a investir na base, começamos a fazer bastante Futures - ano passado foram mais de 20 Futures e mais oito torneios da série Challenger - a gente começou a ver que as jogadoras novas estão em um padrão muito alto e bem ranqueadas. O exemplo é a Teliana Pereira, que furou o qualifying do WTA da Colômbia e está nas quartas de final. Então passa a ser um torneio importante porque temos jogadoras em condições de participar de uma forma competitiva e isso eu acho importante.

DC — Então o Brasil Tennis Cup chegou na hora certa?

Lacerda — Acredito que o Brasil Tennis Cup chegou na hora certa. Muito parecido com o masculino, que já tinha um ATP (250), e que trabalhávamos desde 2005 para aumentar o número de torneios Future e Challenger. Nós conseguimos e hoje o masculino está uns quatro anos a frente do feminino em termos de eventos. Mas isso porque foi o que a gente conseguiu primeiro, com patrocínios e apoios. E o masculino já está indo para o segundo ATP. Em 2014 teremos o Brasil Open, um ATP 250, e o evento de Memphis (EUA), nível ATP 500, que foi comprado pela IMX (braço esportivo das empresas de Eike Batista). Então, o Brasil terá o maior calendário da América do Sul em 2014 tranquilo, com dois torneios de ATP e dois de WTA (além de Florianópolis, outro torneio está confirmado para o Rio de Janeiro).

DC — Desde que você assumiu o comando da CBT, você procurou tratar o tênis feminino em condições de igualdade com o masculino, ou houve alguma diferenciação?

Lacerda — Não, a diferenciação é só técnica. Tem apoio, com resultados. No começo havia mais meninos com resultados do que meninas. Começamos a investir mais ainda na base e nosso melhor resultado infanto-juvenil no ano passado no Mundial foi no feminino, 16 anos, com o terceiro lugar por equipes. Hoje, esse investimento está parelho. A gente não conseguiu aumentar rápido o número de eventos por falta de apoio. Tem que ter promotoras interessadas, porque não podemos fazer tudo sozinho. Num primeiro momento, as promotores se interessaram pelos torneios masculinos. Há dois ou três anos as promotoras passaram a investir forte em torneios femininos. Agora tem promotora que só faz torneio feminino e eu acho isso importante para o desenvolvimento das meninas que estão chegando e têm chances de marcar seus primeiros pontos jogando no Brasil.

DC — A Teliana Pereira deverá fazer parte das top 150 a partir da próxima semana. Quando teremos uma brasileira top 100?

Lacerda — Eu acredito bastante que tenha essa condição. A hora que ela furar (o qualifying) de um WTA, jogar o nosso WTYA e furar (um qualifying) de Grand Slam, o neste ano faltou pouco, só uma rodada (no Australian Open), não tem como ela não entrar entre as cem melhores. Acho que o negócio está bem encaminhado neste sentido.

DC — O tênis feminino é mais equilibrado que o masculino?

Lacerda
— Sim, mais equilibrado na parte intermediária do ranking da WTA. Mas a parte das 10 melhores é muito acima, com resultados superiores que dos top 10 masculino. Mas no ranking juvenil o Brasil está muito forte A Bia (Haddad), tem 16 anos e está entre as 12 do mundo na categoria 18 anos, foi vice-campeã de duplas de Roland Garros e oitavas de final de simples perdendo para a campeã. E tem outras meninas que vem chegando. A gente está acreditando muito nessa meninada.

DC — Como está o projeto Brasil Olímpico 2016?

Lacerda — Esse projeto era de um ano e acabou em agosto de 2012 e desde então estamos tentando aprovar o projeto Rede Nacional com 17 núcleos regionais pelo Brasil. Ele não foi aprovado ainda, mas foi publicado na virada do ano. E nós estamos na expectativa também da Medalha Olímpica. Esse é um projeto que veio do gabinete da presidência com o objetivo de nós e as federações mostrarmos no papel que temos jogadores em condições de obter medalhas em 2016.

DIÁRIO CATARINENSE
 Veja também
 
 Comente essa história