Especialistas avaliam qual clássico é o maior de Santa Catarina Arte/DC Esportes

Figueirense e Avaí se enfrentam no sábado, enquanto JEC e Criciúma duelam no domingo

Foto: Arte / DC Esportes

Que o futebol catarinense está entre os campeonatos regionais mais emocionantes, o Brasil já sabe. Que o Estado é único pelo fato de ter suas forças bem distribuídas entre interior e Capital, também. Que nossos “grandes” em nível regional estão em alta, posicionados nas séries A e B, é fato. Falta definir qual é o maior clássico de SC.

O DC convidou para opinar dois estudiosos, Zé Dassilva e Emerson Gasperin. Autores do conceituado Almanaque do Futebol Catarinense, conhecedores profundos da história de nosso futebol, eles divergem quanto ao polêmico assunto. Confira nesta página seus argumentos.

Zé Dassilva e Emerson Gasperin são autores do Almanaque do Futebol Catarinense. Foto: Flávio Neves


Único com dia seguinte anormal

Emerson Gasperin - Jornalista e escritor

SC tem o futebol mais imprevisível do país. A força do interior dentro das quatro linhas é tanta que se forjou uma rivalidade entre Joinville e Criciúma. Norte e Sul, alemães e italianos, cerveja e vinho, chucrute e polenta _ nada alimentou mais esta polaridade do que o período de 1976 a 1995, quando os dois ganharam 16 edições do Estadual. Naquela época, os torcedores estavam mais ocupados em levantar taças do que em comparar seus escretes com os da dupla da Capital.

Mas, passado este ciclo, tigres e coelhos voltaram ao seu passatempo primordial: secar Avaí e Figueirense. Pergunte a um criciumense se ele prefere bater o Avaí ou o JEC. Repita com um joinvilense. As respostas revelam qual é o duelo que mais mexe com SC. Não se trata de quantidade de títulos, embora neste quesito o Leão (16) e o Furacão (15) também liderem o ranking, e sim de história, de paixão.

Avaí x Figueirense é o maior clássico porque a vida nunca retoma seu curso normal no dia seguinte, com o sucesso de um instaurando uma revolução no outro desde 1924. Porque o perdedor mora ao lado, não a 400 quilômetros de distância. E, principalmente, porque é o jogo que divide uma cidade ao meio e unifica um Estado contra os dois.

Guerra de Secessão em busca da bola

Zé Dassilva - Chargista, roteirista e escritor

O futebol de Santa Catarina tem uma particularidade: em nosso Estado, a maioria dos títulos está em mãos de times do interior _ são 51, contra 34 da Capital. E, nos anos 1980, o clássico que mais representou a força do interior foi Criciúma x Joinville.
Já que muita gente curte fazer festas que promovem o revival dos anos 1980, este jogo poderia fazer parte destes eventos. A primeira metade da década pertenceu ao Joinville, que encerrou em 1985 um octacampeonato. No ano seguinte, o Criciúma conquistaria seu primeiro Estadual.

Lembro de várias dessas partidas. Quando criança, assistindo ao clássico pela TV, fui comemorar um pênalti a favor do Criciúma, que na época ainda vestia azul. Quebrei o sofá e meu pai detestou isso, claro. E o JEC ainda venceu. Amarga lembrança.
Lembro também de jogos em que o Criciúma se deu melhor. Teve a partida de 1984 em que o Tigre estreou suas novas cores. E várias decisões em que o Joinville aprendeu a ser vice.

O resultado é imprevisível, mas podemos apostar que será escrita mais uma página na história desse clássico que rivaliza o Sul contra o Norte, como se fosse uma Guerra de Secessão em busca da bola.

DIÁRIO CATARINENSE
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