Os clubes de Santa Catarina que fazem história nos gramados Cristiano Estrela/Agencia RBS

Brasão tem se destacado no Inter de Lages

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Eles representam três das principais cidades de Santa Catarina que, unidas, somam 590 mil moradores, quase 10% de toda a população do Estado. Com belos estádios e histórias que enchem de orgulho os seus apaixonados torcedores, eles brigam a duras penas e pouco dinheiro para voltar ao lugar de onde jamais deveriam ter saído: a elite do futebol local.

Internacional de Lages, Blumenau e Hercílio Luz, de Tubarão, têm tradição nos gramados catarinenses. O Hercílio foi bicampeão estadual em 1957 e 1958 numa época em que era difícil perder para alguém. O Inter, depois de perder a final de 1964, se reergueu e já no ano seguinte conquistou a taça. Já o BEC nunca foi campeão da Primeira Divisão, mas conquistou a Segundona em 1987 e chegou à decisão da Série A no ano seguinte, quando foi vice-campeão.

Neste ano, os três clubes disputam a Série B do Campeonato Catarinense contra outros sete concorrentes - Atlético Tubarão, Caçador, Camboriú, Canoinhas, Concórdia, Porto e Guarani, de Palhoça, - por duas vagas na Série A de 2015.

A competição começou no último dia 16 de julho e vai durar exatamente quatro meses, com a grande final marcada para 16 de novembro. Inter, BEC e Hercílio Luz trabalham com orçamentos apertados. As folhas salariais dos três somam R$ 200 mil. Inter e BEC reestreiam na Série B após disputarem a sofrível terceira divisão no ano passado.

Como foi campeão, o time de Lages teve mais tempo para se preparar e pensar na Série B. Já o BEC foi convidado de última hora devido à desistência do Imbituba. O Hercílio Luz, por sua vez, vem disputando a competição há mais tempo e sabe qual o caminho a seguir.

A reportagem do Diário Catarinense conversou com dirigentes dos três times para saber a atual situação, os preparativos, os planos e as expectativas de cada um para os próximos quatro meses que podem significar o retorno ao paraíso ou a permanência no inferno.

Hercílio Luz aposta na base


Temido e imbatível na década de 1950, quando conquistou dois títulos estaduais seguidos - 1957 e 1958 -, o Hercílio Luz, de Tubarão, quer voltar a ser grande. Prestes a completar 96 anos, o Leão do Sul está há duas décadas fora da elite.

Em sua última participação, em 1994, licenciou-se para dar lugar ao Tubarão Futebol Clube, surgido em 1992 da dissolução do Ferroviário, campeão estadual em 1970 e com quem o Hercílio travou os saudosos clássicos Ferro-Luz.

O Peixe passou a representar a cidade nas competições estaduais e nacionais e se destacou. Mas por problemas financeiros, o clube se licenciou em 2005 e foi sucedido por outros clubes como Atlético Cidade Azul e, mais recentemente, Clube Atlético Tubarão. Aliás, esta equipe já rivaliza há cinco anos consecutivos com o Hercílio no clássico tubaronense da Segunda Divisão do Estado.

Colocando as contas em dia e a casa em ordem, o Leão dobrou sua folha salarial de R$ 20 mil em 2013 para R$ 40 mil em 2014. A aposta é na juventude. Dos 25 jogadores, 12 são da base. O Estádio Anibal Costa foi reformado e está com capacidade liberada para seis mil pessoas.

O presidente do Leão, Alexandre Moraes, sabe das dificuldades para chegar à elite estadual e, principalmente, se manter na Primeira Divisão, mas conta com a tradição e a história do seu clube, que revelou ninguém menos que o meio-campista Zenon para o futebol mundial, sempre com o apoio da apaixonada torcida.

Blumenau acredita no entrosamento


Até poucos dias antes de começar a Série B, o Blumenau se preparava para disputar a Série C estadual, que começará em 16 de agosto. Mas com a desistência do Imbituba, o BEC herdou a vaga por ter sido vice-campeão da Terceira Divisão no ano passado. E quer fazer valer o convite.

A folha de pagamento continua a mesma de 2013, na casa dos R$ 34 mil. O presidente Eduardo Corsini diz que o técnico Rodrigo Cascca, ciente dessas condições, foi em busca de jogadores com quem já trabalhou e se conhecem entre si para ganhar o máximo possível de entrosamento e de tempo, já que a equipe teve apenas três semanas para treinar para a Segundona.

Além dos reforços, o BEC manteve quatro atletas do elenco vice-campeão do ano passado e negocia o retorno de outros dois, entre eles, o atacante Negreiros, que se tornou ídolo do clube e disputou a Primeira Divisão deste ano pelo rival do BEC em Blumenau, o Metropolitano.

Campeão da Segunda Divisão em 1987 e vice-campeão da primeira já no ano seguinte, o BEC esteve pela última vez na elite estadual em 2004. A sua casa é o estádio do Sesi, com capacidade para quatro mil pessoas. Três torcidas organizadas acompanham o time seja onde for, sempre com o branco, o verde e o vermelho em evidência. E se o show da Alemanha na Copa do Mundo fez escola, o Blumenau está mais inspirado do que nunca para fazer história.

Inter investe na experiência


Com um dos orçamentos mais altos da Série B, sendo R$ 120 mil só para os salários, e uma das torcidas mais fiéis do Estado, o Internacional de Lages investiu forte em marketing para conquistar ainda mais torcedores.

Dentro de campo a aposta é em um elenco experiente, a começar pelo técnico Nasareno Silva. O time titular tem média de 30 anos e atletas com passagens por grandes clubes do futebol brasileiro.

Cinco jogadores da equipe que garantiu o acesso à Segunda Divisão no ano passado permaneceram. Entre eles, o atacante Brasão, um dos ídolos recentes do clube lageano.

— Praticamente todo o elenco do Inter veio de primeiras divisões do futebol brasileiro justamente para termos uma boa base e tempo de nos prepararmos para uma eventual primeira divisão já no próximo ano — diz Patrick Cruz, um dos diretores do Leão Baio.

Outro destaque é a torcida. Com média de 2,5 mil pagantes por jogo na Terceira Divisão do ano passado no Estádio Vidal Ramos Junior, os lageanos prometem apoiar o time rumo à elite.

Com 65 anos de história e campeão estadual em 1965, o Inter que consagrou Anacleto, Zezé, Jones Minosso, Andrade, Martinho Bin e Zé Melo, esteve na elite pela última vez em 2002, quando foi rebaixado para a segunda divisão. E depois de penar por quatro anos seguidos na terceirinha, o Leão Baio quer voltar a rugir alto para jamais sair do seu devido lugar.

DIÁRIO CATARINENSE
 Veja também
 
 Comente essa história