As torcidas organizadas Mancha Azul (Avaí), União Tricolor (JEC), Gaviões Alvinegros (Figueirense), Fúria Marcilista (Marcílio Dias) e Torcida Jovem (Brusque) não podem mais entrar em estádios catarinenses. A restrição será feita ao coibir a entrada em um estádio ou nas imediações de um portando qualquer tipo de objeto ou símbolo que remeta ou identifique as organizadas.

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— Essa sanção se refere à torcida organizada, e não impede a entrada de nenhum torcedor em estádios, seja ele da organizada ou não. Se alguém específico for identificado pela PM cometendo algum crime, ele terá uma punição individual por um número determinado de jogos. Agora, ele não pode estar caracterizado nem nas imediações dos estádios — explica o promotor do Ministério Público de SC, Eduardo Paladino.

A decisão de suspendê-las é da Federação Catarinense de Futebol (FCF), em conjunto com o Ministério Público (MP) de Santa Catarina e Polícia Militar, baseada no histórico de violência protagonizado por essas agremiações e no artigo 39 do Estatuto do Torcedor, em que consta "A torcida organizada que, em evento esportivo, promover tumulto; praticar ou incitar a violência; ou invadir local restrito aos competidores, árbitros, ficais, dirigentes, organizadores ou jornalistas será impedida, assim como seus associados ou membros, de comparecer a eventos esportivos pelo prazo de até 3 (três) anos"

— A decisão foi tomada com base no histórico de reincidências de todas essas torcidas. Mas as organizadas de Chapecó e Criciúma que fiquem espertas. Se pisarem na bola vão entrar na lista também — alertou o presidente da Federação, Delfim de Pádua Peixoto Filho.

A suspensão vai até o fim do Campeonato Estadual de 2015, quando a situação será revista. O MP irá notificar os demais estados da federação para que esta medida seja estendida em nível nacional e que as torcidas também sejam proibidas de entrarem em outros estádios brasileiros.

A decisão já é válida para o confronto entre Avaí e Joinville, no dia 24 de outubro, no Estádio da Ressacada, pela Série B do Brasileirão. Especialmente para essa partida, ficou decidido que a PM irá escoltar torcedores do Joinville do Norte do Estado até a Capital nos trajetos de ida e volta. Eles não poderão portar adereços ou identificação da União Tricolor.

Mas o MP já alerta que em todos os jogos que terão a presença dos times associados a essas torcidas a segurança será reforçada pela Polícia Militar.

— Estamos bastante atentos às movimentações. Essas torcidas sofreram punições porque são recorrentes em confusões, então a PM vai trabalhar com um plano para reforçar o policiamento nestes jogos — assegura Paladino.  

Torcidas afirmam lutar contra a violência

As Torcidas Organizadas afirmam que ainda não foram informadas oficialmente da decisão de suspensão da entrada em estádios e nas redondezas com identificação das mesmas. Em nota, o presidente do JEC, David da Graça Neto, lamentou a proibição e garantiu que não existem casos de violência envolvendo membros da União Tricolor, em Joinville, há pelo menos um ano.

— Tal punição a Torcida Organizada União Tricolor é no mínimo suspeita, uma vez que esta torcida vem dialogando e cumprindo todas as exigências a ela imposta pelo próprio MP, a Policia Militar de Joinville e Polícia Civil.

O diretor-social da Fúria Marcilista, Francisco Oliveira Júnior, acredita que a prioridade agora é conhecer as causas desta proibição para só depois pensar em tomar algum tipo de medida.

— A lei vale para todos. Agora queremos saber dos motivos de estarmos proibidos de entrar nos estádios. Se puder recorrer juridicamente e se acharmos que formos prejudicados, vamos correr atrás, até porque a torcida também tem o seus direitos.

O presidente da Mancha Azul, do Avaí, Maicon de Souza, alegou que está em contato com o advogado da torcida para avaliar a situação. Ele diz que conversas com o órgãos envolvidos na proibição tentaram ser marcadas para ajustar condutas às normas, mas não obteve resposta.

Sobre o histórico de violência, tanto o diretor da Fúria Marcilista quanto Rafael Roncaglio, presidente da Força Independente*, de Brusque, comentam que o MP, PM e Federação podem se referir a incidentes mais antigos. Ambos reforçam que nos últimos anos as Organizadas têm tentado acabar com núcleos violentos.

— Podem ter sido fatos isolados, ou foram casos que ocorreram antes da refundação da torcida, em 2012. Ela tem 15 anos, mas com as mudanças começamos uma nova vida — aponta Oliveira.

-— A partir de 2010, começamos a tentar mudar a torcida, pacificá-la, mas a imagem negativa fica. Sou contra violência: a torcida existe por causa do futebol, e não o contrário — completa Roncaglio.

A Gaviões Alvinegros, do Figueirense, publicou uma nota em no seu perfil no Facebook informando os membros para não irem aos estádios portanto objetos da Torcida. Uma reunião foi marcada para a noite desta terça-feira para discutir o assunto e um posicionamento oficial será comunicado no início de quarta-feira.

*A Promotoria do Ministério Público informou à reportagem que a torcida organizada do Brusque, Torcida Jovem, foi proibida de entrar nos estádios. A informação foi repassada pela Polícia Militar que atendeu a ocorrências referentes a incidentes com a torcida. Contudo, não existe uma agremiação com esse nome em Brusque. Por isso, a Força Independente - torcida vinculada ao time do Vale - se manifestou a respeito da proibição.

DIÁRIO CATARINENSE
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