De auxiliar a interino, Celso Rodrigues é o técnico que tirou a Chapecoense do Z-4 Sirli Freitas/Agencia RBS

Foto: Sirli Freitas / Agencia RBS

Primeiro o Brasil se perguntou quem era a Chapecoense, time que virou sensação do campeonato ao encarar os grandes times do país de igual para igual. Depois se perguntou quem era Celso Rodrigues, técnico debutante na competição e que no primeiro turno tirou a Chapecoense da zona de rebaixamento, conquistou a primeira vitória do clube já na estreia contra o Palmeiras, vencendo por 2 a 0. Depois, ainda venceu o São Paulo no Morumbi e derrotou o Fluminense e Flamengo na Arena Condá.

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Mesmo assim, enfrentava certa desconfiança pela falta de experiência como treinador. Após a derrota por 3 a 0 para o Coritiba, a direção resolveu trazer um técnico experiente em Série A. Deu certo no início, inclusive com goleada por 5 a 0 contra o Inter, mas a Chapecoense acabou perdendo sua identidade marcadora.

O time foi derrotado pelo Figueirense e Vitória, caindo para a zona de rebaixamento. Celso Rodrigues foi novamente chamado e conquistou uma impressionante vitória por 4 a 1 diante do Fluminense, no Maracanã. Foi a primeira vitória do Verdão em quatro jogos no templo do futebol. Depois confirmou a reação vencendo o Botafogo por 2 a 0. Agora, Celso Rodrigues está próximo de se tornar o técnico que garantiu a Chapecoense na Série A.

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O Diário Catarinense conversou com o treinador para falar sobre o bom momento e um pouco da história do técnico.

Gaúcho de Cachoeira do Sul, de uma família de quatro irmãos, Rodrigues contou que perdeu a mãe ainda adolescente e, em seguida, também seu pai faleceu. A carreira de futebol era o que restava. Depois e uma boa atuação contra o Inter num estadual, pelo Cachoeira, de Cachoeira do Sul, chamou a atenção dos técnicos Abílio dos Reis e Jorge Andrade.

Celso fez a base no Internacional nos anos 80 e depois foi para o São José de Porto Alegre. Rodou pelo Rio Grande do Sul, onde ficou sete anos no Glória de Vacaria. Em 2001, foi para o Kindermann, de Caçador. Chamou a atenção do diretor de futebol da Chapecoense na época, Oscar Trombeta, que o contratou.

Na Chapecoense conquistou o torneio seletivo em 2002, contra o próprio Kindermann, que livrou o time de ser rebaixado. Encerrou a carreira em 2005, no Fraiburgo. No segundo semestre de 2006 foi chamado pelo técnico da Chapecoense, Agenor Piccinin, para ser auxiliar. Celso estava no grupo campeão catarinense de 2007, quando a Chapecoense renasceu, depois de 11 anos sem conquistar um estadual. Depois foi auxiliar de Mauro Ovelha, com quem conquistou o Catarinense de 2011. Depois disso, foi com Ovelha para o Avaí, depois Caxias em 2012 e Atlético de Ibirama em 2013. Substituiu Ovelha em alguns jogos em que o titular estava suspenso. Após o Estadual, retornou para a Chapecoense como segundo auxiliar de Dal Pozzo.

Nesse período, Celso fez curso de Educação Física e estágios com Julinho Camargo e Vanderlei Luxemburgo no Grêmio. Preparou-se para ser técnico e a grande chance veio na Série A.

Agora desfruta dos bons resultados e dá a largada como titular do banco de reservas, prestes a ser o técnico que manteve o Verdão na Série A. Pai de Andressa, filha do primeiro casamento e que está prestes a se formar em Direito, e de Caetano, filho da atual esposa Karyni, Celso ainda está se adaptando ao sucesso.

O filho, que joga futsal no CRC, está curtindo a fama do pai. Mas Celso ainda não está tão confortável com os holofotes. Afinal, como jogador ele não alcançou tanto sucesso como está tendo como treinador.

Confira a entrevista na íntegra Rodrigues deu ao Diário Catarinense.


Diário Catarinense — Você pegou o time duas vezes na zona de rebaixamento, em momentos difíceis em que a chance de dar errado era grande. Como foi encarar esse desafio?
Celso Rodrigues —
No momento em que a Chapecoense mais precisava, eu como profissional e funcionário do clube, não poderia virar as costas. O clube foi muito importante na minha carreira e sou grato por isso. Hoje sou o que sou graças à Chapecoense. Por isso quero retribuir o que o time me deu. Temos um grupo formidável, um grupo de guerreiros e que sabe onde quer chegar. Falta muito pouco para conquistarmos o objetivo de permanência na Série A.

DC — Como você conseguiu reverter uma situação de maus resultados com os mesmos jogadores?
Rodrigues —
Nos dois momentos em que assumi nós estávamos mal no campeonato, com a auto-estima dos atletas lá embaixo. O que eu fiz foi resgatar a auto-estima dos atletas, fazer com que cada um acreditasse em si mesmo. Sabia que nós poderíamos sair dessa situação difícil pois confiava na qualidade do grupo. Mostrei isso para eles e o grupo ficou mais confiante.

DC — Você ficou chateado quando foi substituído após a derrota por 3 a 0 para o Coritiba, na primeira rodada do returno?
Rodrigues —
Quando decidi abraçar essa profissão sabia que seria difícil. Mas fiquei um pouco chateado sim, pois perdemos um jogo fora, contra um time que estava no desespero e precisava da vitória. Fiquei chateado pois não havia tempo hábil para chegar um treinador e preparar o time para contra o Sport. Tanto que praticamente fui eu quem deu os treinamentos antes do jogo contra o Sport. Sabia que o grupo era bom e que iria reagir. Tanto que venceu por 3 a 0. Claro que isso me deixou chateado. Mas serviu como aprendizado.

DC — Você foi o técnico na primeira vitória da Chapecoense na Série A, agora pode marcar seu nome como o técnico que manteve o time na Primeira Divisão?
Rodrigues —
Não imaginava isso. Claro que me preparei para isso, fiz o curso de educação física, fiz estágios e fui auxiliar. Eu estou muito feliz pois estou realizando um sonho.

DC — No início houve uma certa desconfiança, pois você era o segundo auxiliar e, de repente, era o técnico de um time na Série A. Com os bons resultados, essa desconfiança ainda existe?
Rodrigues —
Futebol não tem memória e a desconfiança de alguns vai existir sempre, mesmo em relação a técnicos consagrados. Mas eu tive a confiança dos dirigentes e dos atletas. E me preparei para isso. O auxiliar já desempenha as funções de um técnico.

DC — Qual foi o momento mais marcante nesse campeonato?
Rodrigues —
Foi no jogo contra o Palmeiras, no primeiro turno. Tínhamos um jogo difícil e estávamos na lanterna do Brasileiro. A torcida gritou meu nome, deu apoio e nós conseguimos a primeira vitória na Série A. Foi um momento muito especial.

DC — Qual o seu futuro?
Rodrigues —
Primeiro temos que atingir o objetivo de conquistar a tão sonhada permanência na Série A. Estamos bem próximo. Depois vamos conversar com a direção.

DIÁRIO CATARINENSE
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