Investigação aponta propinas de mais de R$ 20 milhões destinadas a Marin Alvarélio Kurossu/Agencia RBS

Foto: Alvarélio Kurossu / Agencia RBS

Prisões na Suíça, investigação norte-americana, repercussões no Brasil. Não se esgota nos três envolvidos de nacionalidade brasileira o "braço" tupiniquim do escândalo. As autoridades norte-americanas divulgaram um documento de 164 páginas em que citam o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, como recipiente de suborno em duas situações.

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Na primeira, Marin é apontado como favorecido em pagamentos de propinas referentes à realização das próximas três edições da Copa América. De acordo com a acusação, a empresa Datisa, fundada em 2013, ganhou os direitos comerciais exclusivos para transmissão dos eventos após subornar funcionários da Conmebol. A Datisa teria pago US$ 110 milhões para garantir os direitos, sendo que US$ 40 milhões (pouco mais de R$ 120 milhões) teriam sido divididos entre dirigentes do futebol sul-americano. Marin teria recebido US$ 6 milhões (cerca de R$ 19,2 milhões).

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A segunda acusação diz respeito a contratos referentes à Copa do Brasil. Marin dividiria com outros dois dirigentes — cujos nomes não foram revelados — a quantia de R$ 2 milhões por ano. Como o contrato vai até 2022, cada dirigente (incluindo Marin) receberia R$ 6,7 milhões.

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Na entrevista coletiva das autoridades norte-americanas que conduzem a investigação, o procurador Kelly Currie afirmou que a justiça americana vai compartilhar informações com os brasileiros para que possam, caso desejem, iniciar seus próprios inquéritos.

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No Congresso Nacional, o senador José Perrella (PDT-MG) se movimenta para abrir uma CPI que investigue a gestão de Marin na CBF. Perrella diz já ter angariado o apoio do PT e do PMDB para a abertura do inquérito. A presidente Dilma Rousseff manifestou apoio às investigações:

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— Vai permitir uma maior profissionalização do futebol. Não vejo como isso pode prejudicar o futebol brasileiro, acho que só vai beneficiar o Brasil.

Questionado sobre a citação à Copa do Mundo como alvo dos trabalhos do FBI, o ministro do Esporte George Hilton lembrou que não há indícios de irregularidades na realização do evento.

— O governo tem todo interesse que a verdade seja trazida à baila e os eventuais culpados sejam punidos no rigor da lei, dentro do que ela determina. Acho que é importante a gente deixar acontecer essas investigações. Vamos acompanhar e o governo terá um comportamento dentro do que a legislação exige e tem que ser feito — afirmou.

* ZH Esportes 

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