As articulações de Delfim que mantiveram o dirigente da FCF na luta pelo poder na CBF Fabio Nienow/Agência RBS

Delfim, a bola da vez do futebol brasileiro

Foto: Fabio Nienow / Agência RBS

A poucos dias da assembleia geral da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que ocorreu em 11 de junho, foi difícil conseguir falar com Delfim Pádua Peixoto Filho, um dirigente sempre atencioso com a imprensa e que quase nunca foge de uma entrevista. Presidente da Federação Catarinense de Futebol (FCF) há 30 anos, ele trabalhava intensamente nos bastidores para não levar um golpe, como definiu a manobra do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, para mudar o estatuto da entidade e evitar que Delfim assumisse a presidência em caso de renúncia. Hoje, se Del Nero sair de cena, quem assume é o vice mais velho. Esse seria José Maria Marin. Porém, ele está preso na Suíça, afastado da CBF e possivelmente não voltará mais. Em seguida, o mais idoso é Delfim, com 74 anos.

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A alteração no documento tentaria evitar que Delfim assumisse. E ela parecia garantida. Mas, habituado desde sempre com a política, não seria de qualquer forma que o dirigente catarinense chegaria à assembleia geral da CBF. O assunto nem foi debatido na pauta oficial, porque antes mesmo de começar a reunião o presidente da FCF já tinha conseguido 16 votos a seu favor. Na verdade, foram 10 votos conquistados pela habilidade e argumentação de Delfim. Os outros vieram de "brinde".

— Cheguei em cima da hora para a assembleia, não conversei com ninguém. O que prevaleceu foi o bom senso e não se pode mudar o jogo no meio do caminho. Não conversei com ele (Delfim) e não votei por ele — revelou Hélio Cury, presidente da Federação Paranaense e desafeto de Delfim.

José Vanildo da Silva, da Federação do Rio Grande do Norte, também teve suas diferenças com Delfim. Mas uma conversa prévia entre eles fez o cartola potiguar deixar as desavenças do passado para trás:

— Conversamos. Já tive divergências sobre a postura dele em assembleias, mas também temos muitas coisas em comum. Isso são coisas da democracia. E Delfim é na estrutura da CBF o segundo na sucessão, ele continua no seu lugar conquistado pelo voto.

Presidente da Federação Alagoana, Felipe Omena Feijó até se surpreendeu quando soube que houve conversas de bastidores. Ele garante que ninguém falou com ele e que era a favor da mudança de estatuto, pois seria uma "boa":

— Sou a favor. Talvez não fosse a hora. Isso porque a conjectura do momento ficou parecendo ser um golpe. Não é isso, temos que tratar do assunto — diz.

 
Delfim ao lado de José Maria Marin (E) e Marco Polo Del Nero (D)
Foto: FCF, Divulgação

Delfim conseguiu vencer a primeira batalha, mas não a guerra. José Maria Marin pode deixar a CBF em definitivo e isso abriria uma vaga para que Região Sudeste indicasse um novo vice-presidente. Na geografia da CBF, o Sudeste é formado apenas pelos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro — que estão do lado de Del Nero. Assim, existe uma grande chance de ser indicado um vice mais velho que o presidente da FCF.

— Se o Marin não for solto, vão colocar um outro mais velho, isso é evidente. Sobre a votação, não aceitaria virada de mesa. Não fiz pelo Delfim, fui contra porque já me enrolaram uma vez quando o Ricardo Teixeira sugeriu uma alteração no estatuto e depois renunciou — afirma Francisco Novelletto, presidente da federação gaúcha.

Independente de quem apoia, parece que Delfim ainda terá que usar muito de suas habilidades políticas.

O estatuto da discórdia

No dia 5 de junho, o cenário sugeria que o estatuto da CBF seria modificado, o que tiraria qualquer possibilidade de Delfim assumir a entidade em caso de renúncia do presidente Marco Polo Del Nero. Porém, poucas horas depois da assembleia, que aconteceu no último dia 11, o que se via era um Delfim confiante e satisfeito.

— Não sou de fugir de briga — garantiu o catarinense.

As investigações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, da Polícia Federal do Brasil e da CPI do Futebol ameaçam Del Nero. O ex-mandatário da CBF José Maria Marin permanece detido na Suíça, enquanto o atual presidente da entidade tentou articular uma mudança no estatuto da confederação para não permitir que Delfim assuma a entidade se ele renunciar.

O itajaiense não queria o posto maior da CBF. Há 30 anos na presidência da FCF, Delfim planejava continuar em seu Estado. Mas a prisão de Marin, ex-presidente da CBF, pelas autoridades suíças fez florescer na entidade uma nova disputa. Em menos de cinco dias, alianças se desfizeram e novas nasceram.

As declarações do presidente da FCF de que se necessário assumiria a CBF incomodaram Del Nero. Delfim nunca foi próximo do atual mandatário da confederação, ele tinha, sim, um ótimo relacionamento com Marin.

— Conheço ele desde os tempo em que foi deputado estadual — recorda Delfim.

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DIÁRIO CATARINENSE
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