Do Partidão à FCF: trajetória mostra como Delfim se tornou influente em SC Silvio Ávila/Ver Descrição

Delfim (D) em jogo da Seleção ao lado de Nabi Abi Chedid (E), então presidente da CBF, e do então governador Pedro Ivo Campos

Foto: Silvio Ávila / Ver Descrição

A política é a maior aliada de Delfim Pádua Peixoto Filho em sua trajetória no esporte e na vida pública. Delfim faz política desde os tempos da faculdade de direito da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), quando integrou o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Foi com a ajuda de integrantes do Partidão, como também era conhecido o PCB, que ele se elegeu a vereador em 1965, pelo MDB — um partido que abrigou os opositores do Regime Militar de 1964 e concorrente da Aliança Renovadora Nacional (Arena).

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Antes, foi preso pela ditadura por suas relações com Luiz Carlos Prestes, com quem teve reuniões no Rio de Janeiro por causa do PCB. Levado para o Paraná junto com o jornalista Marcílio Medeiros Filho, não foi torturado fisicamente:

— Foi feita uma tortura psicológica muito forte. Teve muita pressão e mentiras que eles contavam dizendo que nossas atitudes ali poderiam interferir na nossa vida — relembra.

Depois desse período, Delfim ainda foi deputado estadual por três vezes (1970, 74 e 78) sendo o mais votado em duas oportunidades. Desistiu do mandato para ser procurador da Assembleia Legislativa. Nessa mudança, Delfim foi acusado por adversários de sair para que seu suplente assumisse:

— São nojentos que dizem isso. Eu nunca quis ser candidato a deputado federal, não queria morar em Brasília. Duas vezes o partido pediu para ser candidato. Fiz o sacrifício de ser candidato à prefeitura de Itajaí em 1972 e em 1976. Nesta última perdi a eleição por 300 votos e me decepcionei. Queriam (partido) me forçar a me candidatar a deputado federal, para abrir vagas. Aí eu vi que não tinha mais saída e parei. Tinha vaga na procuradoria, que já tinha sido ocupada por um colega do MDB. Já tinha três ex-deputados na procuradoria e como era advogado decidi assumir a procuradoria. Alguns imbecis chamaram isso de vender a vaga, absurdo — explica.

Também foi professor universitário na Univali, onde lecionou direito penal e prática penal, depois ainda comandou a faculdade e se tornou membro da Associação Internacional de Direito Penal. Tudo isso fez com que o itajaiense se transformasse em um homem conhecido em todo o Estado e com amigos e colegas em todos os níveis de poder.

 
Delfim em uma pelada do MDB, quando era deputado, em 1976. Ele é o segundo agachado da esquerda para a direita
Foto: Divulgação

Delfim foi jogador de futebol. Volante, chegou a atuar na base do Avaí, Carlos Renaux e Marcílio Dias. Mas é através da política que ele continua no esporte. Foi convidado por Pedro Lopes a ser vice na chapa da FCF em 1983. Dois anos depois, assumiu a entidade depois que Pedro assumiu a diretoria de futebol da CBF a convite de Nabi Abi Chedid, em 1985.

— Ele tinha experiência de clube e por isso o escolhi na minha chapa. Sobre o caso da CBF ele pode assumir para um momento de transição, mas não acredito que ele ficará muito tempo. Ele sabe muito bem como é a CBF, principalmente em momentos delicados — reflete Pedro Lopes, que hoje está longe do futebol e preside a Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc).

Sem sombra para derrubá-lo do poder

No dia 12 de abril de 2014, Delfim deixava o Estádio Dr. Hercílio Luz, em Itajaí, após o Marcílio Dias perder para o Atlético-Ib e ser rebaixado. Dentro do seu carro, recebeu um soco pela janela aberta. Quem vê a cena pode pensar que é um inimigo do presidente da FCF. Na verdade era um torcedor irritado.

 
Delfim foi agredido após o seu Marcílio Dias ser rebaixado no Catarinense-2014
Reprodução, Facebook

Então, quem são os inimigos de Delfim? Declarado, apenas um: o ex-árbitro catarinense Dalmo Bozzano. Isso porque, segundo Bozzano, Delfim não quis deixá-lo apitar o segundo jogo da semifinal de 1998 do Campeonato Catarinense, logo depois de Bozzano perder o escudo da Fifa:

— Ele disse que a partir daquele momento seria um rodízio. E eu me achava diferenciado e disse: "Com esse estilo eu prefiro parar, não sou espeto de churrascaria". Não teve outra alternativa e outra conversa. Depois nunca mais falei com ele. Se ele tem um inimigo na vida, esse inimigo sou eu — garantiu Bozzano.

Em 1999, ele tentou ser rival de Delfim na eleição da FCF. Mas Bozzano não conseguiu os 40% de apoio escrito de clubes e ligas para se candidatar. Inclusive isso é outra reclamação do ex-árbitro:

— Mudou o estatuto para eu não conseguir. Com essa regra atual só podem ter dois candidatos, tentei mudar, mas não foi possível — disse.

Se Delfim tem outros inimigos políticos ou pessoais, eles ainda não mostraram a cara e/ou soltaram o verbo para tentar combatê-lo na FCF, no futebol nacional ou na Justiça.

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