Investigações não abalam a força de Delfim, presidente da Federação Catarinense de Futebol há 30 anos Daniel Conzi/Agencia RBS

O charuto foi seu fiel amigo, até que um problema no coração fez Delfim parar de fumar

Foto: Daniel Conzi / Agencia RBS

Ministério Público Federal (MPF), Tribunal de Contas do Estado (TCE) e a CBF da Nike/Futebol investigaram a Federação Catarinense de Futebol (FCF) e consequentemente o presidente Delfim Pádua Peixoto Filho, porém, até hoje, ele nunca teve sua administração abalada por essas investigações.

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Há quase 15 anos a Câmara dos Deputados apurou a relação entre a CBF e a Nike por meio da CPI que ficou conhecida como CBF/Nike e também procurou irregularidades nas federações estaduais. Delfim esteve presente na CPI e defendeu as acusações contra a FCF. Esta CPI nunca teve um relatório final. Pouco tempo depois Aldo Rebelo — então deputado federal pelo PC do B-SP —, um dos relatores, divulgaria o que seria o relatório não aprovado: nele constava um pedido de indiciamento a Delfim, que nunca foi levado à frente.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE), por sua vez, investigou dois repasses do Fundesporte à FCF. No primeiro, para o aniversário de 80 anos da entidade, em 2004, o TCE suspeitou de irregularidades por causa do aumento do preço da festa devido ao comparecido de mais convidados do que o declarado. Porém, a entidade compreendeu que o valor estipulado pela empresa que prestou serviço de bufê em caso de extrapolar o número de convidados já estava em contrato e por isso não existiria irregularidade. Mesmo assim, a Federação Catarinense foi multada em R$ 1 mil por não ter apresentado os documentos necessários para a prestação de contas da publicidade do evento. A FCF recorreu da decisão.

Em outro, que também envolve dinheiro do Fundesporte, o TCE sugere que a entidade devolva R$ 850 mil. Esse dinheiro foi usado na construção da sede da FCF, em Balneário Camboriú, em 2007. Segundo o TCE há oito irregularidades na conduta de execução do projeto, fora dos padrões do plano de trabalho aprovado. Entre eles, o Tribunal de Contas contesta a construção da sede, isso porque falta um documento que prove a existência do prédio. No entanto, não há como negar a existência da sede da FCF e uma diligência está em andamento para esta comprovação burocrática.

Outro problema seria que a nota de liberação do dinheiro foi feita antes do documento com o pedido chegar à entidade, o que mostraria a influência política de Delfim junto ao Fundesporte. Todos os apontamentos do Tribunal de Contas foram contestados pela FCF. O relatório ainda vai demorar a ser julgado.

O MPF, em 2011, abriu um inquérito para investigar crimes de sonegação fiscal, sonegação previdenciária, apropriação indébita e falsidade ideológica que envolviam a federação e consequentemente Delfim. O caso foi arquivado após ser negada pela Receita Federal uma investigação in loco.

Agora, com uma nova CPI do Futebol no Senado, comandada por Romário (PSB-RJ), a FCF voltará a ser investigada. Em entrevista ao DC no último sábado, o senador garantiu que as federações serão chamadas na CPI. Delfim mostra tranquilidade:

— Ela está à disposição da CPI — garantiu o presidente da FCF.

Estadual sem campeão

Na Justiça Desportiva a FCF também tem polêmica. A mais recente é a final do Campeonato Catarinense de 2015. O empate por 0 a 0 entre Joinville e Figueirense deixou o Estadual sem campeão. Isso porque o Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina (TJD-SC) proibiu a homologação do título até que se resolva o imbróglio do caso do lateral-direito do JEC André Krobel.

Na última rodada do Hexagonal Semifinal, o Tricolor do Norte do Estado relacionou o atleta André Krobel. O atleta estava irregular porque já tinha 20 anos, mas ainda não tinha contrato profissional, obrigatório para jogadores a partir desta idade.

O Figueirense contesta a decisão na Justiça. Depois de dois julgamentos em SC, a decisão será tomada pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) no Rio de Janeiro, ainda sem data marcada. Mesmo sem campeão, Delfim entregou a taça para o JEC e viu o Furacão ir direto para o vestiário sem receber a medalha de prata.

Cumprindo um ritual, Delfim entregou a taça ao JEC, ainda que o título não tenha homologado o campeão, devido a um imbróglio jurídico
Foto: Cristiano Estrela

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