As dificuldades de manter Santa Catarina na rota do surfe internacional Charles Guerra/Agencia RBS

Estrutura do palanque foi instalada com atraso, conforme a organização, em função de problemas de logística e clima

Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

O QS 6000 Red Nose Pro Florianópolis, etapa da divisão de acesso (WQS) à elite do surfe mundial que Florianópolis sedia até este domingo é mais um capítulo da tradição de Santa Catarina no esporte. No mar, o que se vê é uma disputa acirrada por pontos rumo ao WCT. Nos bastidores, a dificuldade que mostra o peso de trazer um evento destes. Como em outras edições, a organização tem de superar dificuldades financeiras, estruturais e burocráticas para manter o Estado na rota.

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— É muito difícil, mas é muito prazeroso porque no fim tudo dá certo. A gente consegue com nosso trabalho, nossa experiência. E quando vê em cada olhar de atleta, que todos querem que aconteça, fico emocionado — afirma o presidente da Federação Catarinense de Surf (Fecasurf), Fred Leite.

A competição na Praia do Santinho começou na terça-feira com correria dos organizadores. Fred Leite buscou até a véspera a liberação da verba de R$ 600 mil do governo do Estado para a premiação. Conforme a assessoria da Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte (SOL), não houve atraso, pois o projeto só foi cadastrado no dia 9.

As primeiras baterias ocorreram enquanto o palanque com a infraestrutura era concluído, o que atrasou a estreia da competição.

— Deu uma atrasadinha, mas os caras deram um gás dia e noite. Ficou bonito — comenta o surfista paulista Alex Ribeiro, cabeça de chave número 1 da competição.

Conforme o presidente da Fecasurf, a chuva no RS atrasou o transporte da estrutura. Por isso, diz que a organização teve de contratar o serviço de outra empresa para amenizar a demora. As condições ruins de tempo também prejudicaram a montagem, segundo ele.

Variação cambial é um problema a mais

Para o ex-surfista Teco Padaratz, promotor de eventos da elite do surfe no país, é importante manter o WQS em SC, pelo turismo e pelo incentivo à nova geração. No entanto, alerta para a dificuldade financeira:

— Pelo momento em que o país passa, é complicado para caramba. Porque com o dólar do jeito que está — e tem muita conta aqui em dólar —, encarece o evento. Fica difícil de as empresas terem dinheiro para investir.

Além de tudo, uma etapa do WQS é cara: entre infraestrutura e premiação, a Fecasurf estima um total de R$ 1,3 milhão, divididos entre governo do Estado, prefeitura e patrocinadores — o principal é a Red Nose, que avalia como positivo o evento e anuncia a intenção de mantê-lo aqui em 2016.

Apesar de tudo, Fred Leite considera que o horizonte é seguir lutando pelo WQS para fazê-lo ainda melhor:

— Ano que vem tem mais um WQS. Não pode faltar. Floripa é o que é por causa do surfe.

Atletas aprovam nível da competição no Santinho

Alheios à toda a função dos bastidores, os surfistas tratam de aproveitar cada onda do QS 6000 Red Nose Pro Florianópolis, que define o título neste domingo, com primeira chamada para as quartas de final marcada para as 7h30min.

O paulista Alex Ribeiro, 26 anos, cabeça de chave número 1 e atualmente na zona de classificação à elite, curtiu voltar à Praia do Santinho. Afinal, é onde foi campeão do Sul-Americano Pro-Júnior em 2008:

— Está dando boas ondas, apesar do vento estar bem forte. A galera vem dando um show para a plateia. O nível está bem alto, são atletas de vários países — declarou o surfista.

Alex só reclama do clima. Diz que praticamente não viu o sol desde que chegou, há pouco mais de uma semana. Só frio e vento, o que afastou um pouco o público durante a semana. Porém, ele espera tempo bom e praia cheia para as finais.

Luan Wood, 19 anos, surfista de Florianópolis, também aprova o nível técnico e a qualidade das ondas esta semana na praia do norte da Ilha de Santa Catarina:

— O momento do mar esta semana tem sido favorável para o aéreo. Então, ajuda para quem tem mais facilidade de voar.

DIÁRIO CATARINENSE
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