Fisiculturistas mantêm atividades profissionais paralelas ao esporte Rafaela Martins/Agencia RBS

Duggen é proprietário de uma academia em Blumenau

Foto: Rafaela Martins / Agencia RBS

Angela Borges, 30 anos, e Henrique Duggen, 37 anos, são nomes reconhecidos no mundo fitness. Os blumenauenses têm fãs e admiradores que reconhecem as conquistas dos fisiculturistas multicampeões, recentemente vencedores sul-americanos nas respectivas categorias. No entanto, os títulos pelo corpo esculpido não significam tranquilidade financeira.

Sem tanta visibilidade e apoio, os campeões internacionais ainda precisam conciliar a rotina rigorosa com um emprego para se sustentar. Duggen é dono de uma academia em Blumenau, já Angela dá aulas em uma academia em Rio do Sul e faz consultoria no ramo fitness, além de trabalhos como modelo. Ambos possuem patrocínio de marcas de suplementos que os ajudam, mas não cogitam viver apenas do fisiculturismo.

Aos 30 anos, Angela vê a carreira de alto rendimento como algo de curta duração, pela dificuldade em manter o rigor de treinamentos e dieta, e pretende competir por mais dois anos. Já Duggen, há 11 anos competindo, ainda sonha em alcançar o título de Mr. Universo, um dos mais importantes do esporte, e não se vê largando o fisiculturismo em breve.

Para o atleta que começou a fazer musculação aos 17 anos, quando era um garoto franzino querendo mostrar que poderia ser forte, o sonho pode ser alcançado no dia 31 de outubro, em Dudley, na Inglaterra, no Mister Universe 2015 da Nabba, a associação de fisiculturismo mais antiga do mundo.

Médico do esporte alerta para o abuso de exercícios

Para o professor de educação física e doutor em treinamento físico, João Moura, o grande problema do fisiculturismo são os jovens que entram na academia e querem um corpo de atleta em pouco tempo, e para isso abusam de exercícios sem o acompanhamento adequado e usam anabolizantes, produtos que ainda mancham a imagem do esporte.

— Por mais que o controle tenha crescido junto da popularização do esporte e que o antidoping exista, a gente sabe que tem fisiculturistas que chegam ao corpo de competição com esteroides anabolizantes. Alguns até usam com acompanhamento médico, mas têm os que querem resultado rápido demais e fazem de qualquer jeito — explica.

Na opinião do professor, como qualquer esporte de alto rendimento, o fisiculturismo tem seus danos à saúde, por isso o atleta precisa ter o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, com nutricionista, médico especialista, treinador e, em alguns casos, fisioterapeuta e até psicólogo do esporte.

JORNAL DE SANTA CATARINA
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