Líder do Brasileirão, Tite não perdeu referências de um passado distante. Ainda aponta Ênio Andrade como seu principal inspirador para seguir a carreira de técnico. O que não o impediu de se atualizar e buscar conhecimento fora do país para montar o Corinthians que lidera, com folgas, o Campeonato Brasileiro.

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Qual o segredo do seu time?
Não tem segredo. Se perguntar um motivo que eu entenda fundamental, digo que é o ajuste da qualidade dos atletas a um sistema. A engrenagem funciona respeitando as características dos atletas.

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O Corinthians de hoje é melhor do que o de 2012?
São características diferentes. Aquele era mais mais estático, mais posicionado, não tinha tanta velocidade de transição. Mas tinha outras características. Era muito inteligente taticamente, com um nível de concentração muito alto. Não se perturbava em jogar em Livramento ou no Maracanã. Jogava com a mesma concentração, mobilização, preparação. O de hoje toca mais a bola, triangula mais, infiltra muito, consegui montar melhor o meio-campo.

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Diziam que o time de 2012 se preocupava mais em marcar e fazia poucos gols. Isso o incomodava?
Era desconhecimento do meu trabalho. Não de vocês aí do Sul, mas daqui. Era desconhecimento por eu ter recuperado o Corinthians da zona de rebaixamento na primeira passagem. Da mesma forma, o Palmeiras. Era tido como um técnico que atuava de forma mais defensiva. Mas sempre fui da escola do seu Ênio Andrade. Só falava isso quem não tinha visto o Caxias, o Grêmio e o Inter jogarem, por não conhecerem a minha história. 

Como foi remontar time sem Sheik e Guerrero?
Foi um pepino, nem queira saber (risos). Perdemos também o Lodero, o Fábio Santos, o Petros. Passei a pensar em qual o sistema eu poderia o adaptar o Ralf, para ter só um volante e dois articuladores, o Jadson e o Renato Augusto. Já havia tentado essa experiência no jogo contra o Bayer Leverkusen (em janeiro, durante a Florida Cup). A equipe respondeu, atuou de forma mais solta com Elias, viramos em cima deles. 

Algum jogador é seu porta-voz dentro de campo?
Cada um tem uma característica diferente de liderança. Quem faz melhor a leitura tática é o Renato Augusto, até por ter atuado pelo Bayern de Munique. Jadson é uma liderança técnica muito inteligente. Ralf é um líder muito competitivo. Cássio, mesmo falando pouco, é uma liderança técnica, junto com Fágner.

Seu conceito de futebol é europeu?
Não. É gaúcho, do seu Ênio Andrade.

Que time o inspira?
A Seleção Brasileira de 1982 me encantou. Quando eu via Falcão, Sócrates, Cerezzo e Zico, eu pensava: eu queria jogar só cinco minutos com esses caras. Queria jogar com Leandro, Júnior, Éder, Careca. Eu era um moleque de 15 anos. Aquele time jogava em triângulos, infiltrações, sem toque para os lados. Estou falando de qualidade. Assim como a seleção de 1970, com uma concepção tática de compactação. Não era só qualidade técnica, como pensam. Era muito organizada, marcava dentro de seu campo, compactava muito. 

Pretende ficar quantos anos no Corinthians? Sonha com algo ao estilo de Alex Ferguson, no Manchester United?
Isso é uma ilusão. Tenho contrato de três anos, mas tudo passa pelo entendimento entre direção, comissão técnica, todos ficando alinhados. A cada dois, três anos, mudanças são inevitáveis.

Sonha treinar na Europa?
Um jornalista da Gazzetta dello Sport me entrevistou e eu disse que tenho um projeto de treinar um time da Itália ou da Espanha em dois ou três anos. Ele entendeu mal, publicou que eu pretendia comandar a seleção italiana. Mas é um clube.



* ZH Esportes

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