Avaí e Chapecoense colocam experiência e garra em campo na final do Catarinense Arte DC/HSC/Agência RBS

Foto: Arte DC/HSC / Agência RBS

Vencer o primeiro turno não apenas deu ao Avaí a vaga na final do Campeonato Catarinense, mas inspira. O time azurra cruzou a etapa da competição de forma invicta. A campanha de seis triunfos, três empates e apenas três gols sofridos virou modelo. Tanto que na semana de preparação ao primeiro jogo das finais, contra a Chapecoense, as respostas nas entrevistas coletivas tinham menções ao feito. O Leão da decisão pretende ser aquele, o do primeiro turno.

Tanto que a escalação passou o segundo turno praticamente inalterada. Em meio à tentativa de faturar o returno – e consequentemente abreviar o Estadual com o título antecipado –, Junior Dutra conquistou seu espaço. No miolo azul, as mudanças foram por ordens médicas, em função de lesões em volantes. O Avaí sobreviveu com baixas e jogou bem a segunda fase, mas não tanto quanto a primeira parte.

Houve relaxamento. O vice-campeonato estava assegurado e satisfazia as pretensões de um clube que relutava em se acostumar com as campanhas ruins recentes: nas três edições anteriores do Catarinense, o Leão brigou apenas pela permanência. Sem chance de pegar a taça ao fim do returno, ainda perdeu os últimos dois jogos para times que lutavam contra o rebaixamento. A postura avaiana mudou desde então.

Foto: Marco Favero / Agencia RBS

O Avaí se concentrou nas finais. Deixou a Ressacada, casa e palco do primeiro enfrentamento com a Chape, e passou três dias no Costão de Santinho para viver, pensar e se preparar ao jogo das 16h deste domingo. Se o adversário chega desgastado à final, o Leão chega inteiro. E assim quem se beneficia é o veterano Marquinhos. Cérebro da equipe azurra, chega com as baterias 100% recarregadas, pronto para decidir.

– Quando você tem condição de concentrar atletas, você consegue ter o controle da alimentação, do descanso e tem controle maior sobre o grupo. Eles estão mais juntos, conversam mais, ficam mais focados no objetivo que é o título do Catarinense. E podemos trabalhar um pouco mais – explicou o treinador Claudinei Oliveira.

O trabalho a mais envolveu o reforço nas finalizações. Afinal, o Avaí precisa encontrar o fundo das redes para ser campeão. A vantagem do empate dá o título para a Chapecoense. Ter um atacante fazedor de gols ajuda, porém não é necessário que inicie a partida. O Leão precisa ao menos um tento a mais que o adversário e em final não há momento considerado mais apropriado.

Tanto que o artilheiro Denílson, com oito no Catarinense, tende a ser uma alternativa para o decorrer do confronto. Na semana de preparação, o atacante não começou atividades como titular.

Foto: Sirli Freitas / Chapecoense

A Chapecoense que chega à decisão do Catarinense é um time bem diferente do que começou o Estadual. Se no primeiro turno a equipe chegou a amargar uma sequência de quatro partidas sem vitória, agora a história é outra. O Verdão chega à final credenciado por uma campanha de 39 pontos conquistados em 18 jogos, com 12 vitórias, três empates e apenas três derrotas. Teve o melhor ataque, com 36 gols, e a melhor defesa, com 13 sofridos.

No início do Catarinense, após a sequência ruim, o processo de reconstrução do time passou a ser questionado. Apesar de ter que remontar uma equipe inteira, a Chapecoense era um dos grupos com maior estrutura e poder de investimento. A recuperação começou numa vitória por 4 a 0, diante do Metropolitano. Acabou terminando o turno em segundo lugar, com 17 pontos.

No segundo turno, já com um elenco mais entrosado e com a motivação extra de conquistar o troféu Sandro Pallaoro, que homenageia o ex-presidente do clube, o Verdão acabou fazendo uma campanha ainda melhor do que a do Avaí no primeiro turno.

A largada até foi considerada um tropeço, ao empatar sem gols diante do Inter, em Lages. Logo depois, o time perderia em casa para o Lanús, pela Libertadores. No jogo seguinte, a Chapecoense fez a maior goleada do campeonato, ao aplicar 7 a 0 no Tubarão. Veio então uma sequência de oito vitórias, sendo sete no Catarinense. A vitória por 2 a 0 diante do Joinville garantiu o título do returno e a vaga na final.

O atacante Rossi foi um dos símbolos dessa arrancada. Pelo seu espírito de nunca desistir de uma bola, é uma das armas do Verdão.

Por ter vencido o returno e garantido a decisão na Arena Condá, com vantagem de jogar por dois resultados iguais, a Chapecoense chegaria na final em melhor momento. Mas o desgaste da viagem ao Uruguai e a derrota por 3 a 0 para o Nacional, na quinta-feira, podem ter algum impacto no desempenho do time. O vice-presidente de futebol da Chapecoense, Nei Maidana, diz que é difícil saber se a derrota em Montevidéu terá um impacto. A esperança é que não tenha.

– Libertadores é uma competição diferente. O confronto contra o Avaí, além de mudar de competição, é uma final, em que os jogadores vão entrar com um nível de concentração muito alto. Então, não acho que eles vão sentir a derrota na Libertadores. É um outro espírito de jogo, mas com certeza será uma disputa muito equilibrada – destacou Maidana.

Ele lembrou que nos confrontos neste ano há uma vitória para cada lado, o que mostra o equilíbrio do duelo.

FICHA TÉCNICA

AVAÍ
Kozlinski; Leandro Silva, Alemão, Betão e Capa; Luan, Judson, Marquinhos e Junior Dutra; Denilson (Diego Jardel) e Romulo.

Técnico: Claudinei Oliveira

CHAPECOENSE
Artur Moraes; Apodi, Grolli, Nathan e Reinaldo; Andrei Girotto, Luiz Antonio, João Pedro E Wellington Paulista; Arthur Caike e Rossi.

Técnico: Vagner Mancini

Arbitragem: Heber Roberto Lopes, auxiliado por Neusa Ines Back e Elton Nunes
Horário: 16h deste domingo.
Local: Estádio da Ressacada.

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