Brasil fecha Eliminatórias contra Chile Nelson Almeida/AFP

Foto: Nelson Almeida / AFP

Tite não sentia direito as pernas à beira do gramado do Estádio Olímpico Atahualpa, em Quito, Equador, na tarde de 1º de setembro de 2016. Transcorria o primeiro tempo de sua estreia como técnico da Seleção Brasileira e a tensão gerada pela missão de livrar o time do risco de ficar fora da Copa do Mundo pela primeira vez na história quase o paralisara.   

— Eu pensava: pô, cara, respira, concentra— contou o treinador em julho deste ano.

Encerrado com uma goleada de 3 a 0, o jogo em Quito marcou o início de uma metamorfose na Seleção Brasileira. Praticamente sem mexer nas peças até então manejadas por Dunga, a quem havia substituído pouco menos de três meses antes, Tite modificou por completo a forma de atuar da equipe, ganhou 12 jogos seguidos pelas Eliminatórias e garantiu a vaga na Copa de 2018 com quatro rodadas de antecipação.

Com novas ideias, pulverizou o discurso de que uma safra ruim afundava o time e devolveu aos torcedores a autoestima perdida depois dos 7 a 1 de 2014. O jogo desta terça (10), no Allianz Parque, em São Paulo, contra o Chile, encerra a primeira etapa de um projeto mais ambicioso, que é voltar da Rússia com o hexa. 

— Ele é o comandante de todo o processo. É o engenheiro, o criador. Lógico que também tem toda uma equipe conceituada em volta dele— opina Guto Ferreira, técnico do Inter.

Ao valorizar a capacidade demonstrada por Tite de reverter um quadro preocupante, Guto observa que isso só foi obtido com uma mensagem bem entendida:

— Seu grande mérito é a gestão, além de toda sua competência técnica e estratégica. Como líder, teve o mérito de convencer os jogadores da importância do projeto.  

O fator gestão também é citado por Renato Portaluppi, técnico do Grêmio. Foi por força de sua liderança que ele conseguiu se fazer respeitar por jogadores que, apesar da carreira consolidada no Exterior, como Neymar, se uniram em torno do mesmo objetivo. 

— Além de todo conhecimento tático que o Tite tem, a principal virtude dele é ser um gestor de grupo.  Isso é fundamental para um treinador e ele faz muito bem. Não é fácil trabalhar com 30 jogadores— analisa Renato.

Para o jogo desta terça, haverá duas trocas no sistema defensivo. No gol, Ederson ganha a primeira chance no lugar de Alisson. Com a lesão muscular que provocou o corte de Thiago Silva, Marquinhos é escalado ao lado de Miranda e já ganha a braçadeira de capitão. Com isso, o PSG segue com três titulares na seleção — além de Marquinhos, Daniel Alves e Neymar. 

Ainda que a lista final para a Copa vá sair, conforme as palavras de Tite, de uma lista de 50 jogadores atualmente observados, o time-base está montado. A estrutura não se modifica nem mesmo em uma partida como a de hoje, em que apenas o adversário tem a ganhar ou perder. Tite não dorme.


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