Copa do Mundo 2018: quem são as apostas para capitão na Seleção de Tite Lucas Figueiredo/CBF/Divulgação

Tite

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Sabe aquele líder da Seleção Brasileira, aquele em que se mira a camisa e se enxerga a aura de comando? Nesta era Tite, ele não existe. O Brasil que treina no calor de Sochi à espera da estreia na Copa do Mundo 2018 adota um modelo de liderança de vestiário compartilhada. A prova é que o técnico faz rotação de capitães a cada partida e o manterá durante o Mundial. Mais do que isso, percebe-se um perfil de temperamento mais harmônico do grupo.

Assim, inexistirá a figura de um Dunga de 1994 e 1998, de um Cafu, em 2002 e 2006, e um de David Luiz, em 2014, jogadores que despontavam externamente como as vozes mais firmes da Seleção. Tite não revela publicamente, mas percebe-se em suas ações um movimento para distribuir a liderança no vestiário.

Nestes quase dois anos no comando da Seleção, o técnico já usou 16 capitães diferentes em 21 partidas. Inclusive o caçula do grupo, Gabriel Jesus, usou a braçadeira, contra a Croácia. Coutinho, geralmente o alvo das brincadeiras dos mais veteranos no dia a dia, foi outro que atuou como capitão, no 4 a 0 sobre a Austrália.

— Acho que o Tite deixa bem claro isso, têm de ser divididas as responsabilidades. O futebol mudou muito. Às vezes, um jogador que nunca disputou uma Copa, pode trazer outras experiências para um mais rodado, como o Thiago Silva, que disputará a sua terceira — observa Paulinho.

 LONDRES, INGLATERRA, 29-05-2018.Nesta terça-feira (29), Thiago Silva foi escolhido para conversar com a imprensa. No segundo dia de preparação da Seleção Brasileira em Londres, na Inglaterra, o zagueiro participou da coletiva de imprensa. .(PEDRO MARTINS/MOWA PRESS)Indexador: Pedro Martins
Thiago SilvaFoto: Pedro Martins / MoWA Press

Thiago Silva e Miranda, ambos com 33 anos, talvez sejam as referências do time pela rodagem. Fernandinho, também de 33, segue na mesma linha. O volante traz ainda na bagagem a estatura que ganhou nestes últimos cinco anos de sucesso no Manchester City. Sua envergadura espichou ainda mais depois de ser eleito por Guardiola seu jogador de confiança. Toda essa bagagem é também transferida quando veste a camisa da Seleção.

Se o trio de 33 anos desponta pela rodagem, Neymar ganha peso no grupo pela liderança técnica, assim como era Ronaldo em 2002 e 2006. Quem já trabalhou com o atacante do PSG na Seleção faz questão de sempre valorizar seu elevado grau de comprometimento com o time e de respeito à comissão técnica.

Nos bastidores da Seleção, Tite adota algumas medidas para estimular a unidade de grupo. Uma delas é a prática de fazer com que todos façam as refeições em uma mesa única, comprida. Claro que os jogadores costumam se aproximar conforme a afinidade. 

Neymar e Fernandinho ocupam as extremidades e acabam por capitanear dois grupos, principalmente, nas brincadeiras e descontrações. Mas, no meio, se posiciona o maior contingente, e esse tanto interage com um lado quanto com o outro.

A ausência de um único líder se reforça também pela quantidade de jogadores de currículo abrilhantado em grandes da Europa. Marcelo, por exemplo, é um dos subcapitães do Real Madrid e, com Casemiro, acaba de ganhar o tri da Liga dos Campeões. 

Alisson fechou a temporada como o goleiro mais cobiçado da Europa e ninguém questiona sua condição de titular. E isso também ajuda para que suas vozes ganhem força no vestiário.

A liderança compartilhada ganhou força ainda mais depois da perda de Daniel Alves, às vésperas da Copa. Nenhum jogador na Seleção, nem mesmo Neymar, tem um currículo tão vistoso como o do lateral-direito do PSG. O Mundial da Rússia seria o seu terceiro, no qual chegaria como o jogador com o maior número de títulos no futebol.

— Ficamos muito triste pelo Daniel, era um cara extremamente importante para a gente, tanto dentro quanto fora, sempre muito alegre. Nos ajudava no dia a dia, na descontração e também no momento de concentrar. Era um líder, mas quem foi convocado, o Danilo e o Fágner, renderá o melhor e nos ajudará nesta caminhada — disse Alisson na primeira entrevista em Sochi, ao ser perguntado sobre as mudanças na defesa.

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A ausência de Daniel também foi mencionada por Paulinho ao citar exemplos de como os jogadores  estreantes em Copa podem lidar com a tensão antes da estreia. O meio-campista lembrou-se de que, em 2014, era a Daniel e a Thiago Silva que recorria em busca de absorver experiência competição. Nesta Copa, ele se apresenta para cumprir esse papel, já que vai para o segundo Mundial. Porém, faz uma ressalva:

— Todos aqui tem algo a acrescentar para o grupo — enfatiza.

Paulinho atesta, assim, que o objetivo de Tite foi alcançado. Nada de uma só voz. A liderança nesta Seleção é gestão compartilhada.

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