Tite é o mais ansioso antes da estreia do Brasil na Copa do Mundo Pedro Martins/MoWA Press,Divulgação

Tite vive ansiedade antes da estreia

Foto: Pedro Martins / MoWA Press,Divulgação

Está na cara. Chama a atenção sua concentração e fisionomia séria, mais do que de costume, nos treinamentos. No vídeo distribuído pela CBF por ocasião das fotos e gravações feitas pela FIFA com a delegação, ele está contraído, sem sorrisos. No dia de folga, preferiu não seguir seus companheiros de comissão técnica num passeio pela cidade. Já se sabe quem é o mais ansioso pela abertura da participação do Brasil no mundial: Tite. Ele está “pilhado”, dentro do jogo, sonhando não só com a Suíça, mas com o primeiro dos compromissos mais importantes de sua vida.

Liciano Signorini, assessor de imprensa do treinador, e que convive com ele desde a primeira passagem pelo Corinthians, concorda. Tite deve estar mais ansioso do que seus comandados, mas adverte:

— Ele cresce nesta hora, gosta desta adrenalina no máximo, precisa disto. É característica dele. É positivo.

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Foi pelo Corinthians a primeira experiência do técnico com o chamado “padrão FIFA” de competições, quando disputou e ganhou o mundial de clubes em 2012 no Japão. Mesmo destacando sempre o desempenho como sua prioridade, ele sabe que um bom resultado é fundamental, ainda que a estreia não seja espetacular. Foi assim quando chegou ao topo do mundo pela primeira, e até agora única vez, há seis anos.

Se a Suíça é considerado o adversário mais categorizado e traiçoeiro na primeira fase, o inimigo oculto chamado “ansiedade da estreia” sempre tem seu peso. A não obtenção de uma produção esperada, contrariando bons desempenhos já obtidos é um fenômeno relatado em praticamente todas as modalidades esportivas e que pode ser agravado por dois fatores: o favoritismo e a inexperiência. Na partida deste domingo (17) há um pouco dos dois no time do Brasil.

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Mesmo que os suíços tenham uma seleção considerada a melhor das últimas décadas e que estejam no sexto lugar do ranking da FIFA, a responsabilidade maior é brasileira e no time favorito os atletas, ou estarão estreando em mundiais, ou estarão se reencontrando com a disputa depois do trauma de 2014.

Nas partidas da “Era Tite” ou nos recentes treinamentos, o nervosismo não se mostrou como inimigo. Há tranquilidade dentro e fora de campo. O goleiro Alisson que vai para sua primeira Copa chegou a citar o “friozinho na barriga” sem mostrar preocupação.

— Agora que está chegando o momento vai batendo um pouquinho de ansiedade, mas na quantidade justa para acionar a adrenalina, ajudar a ficar ligado e ter um ótimo desempenho.

Na história do Brasil nas 20 Copas já realizadas houve apenas duas derrotas em estreias, exatamente nos dois primeiros mundiais em 1930 e 1934. De lá para cá são 16 vitórias e dois empates, num retrospecto espetacular.  Há, no entanto, muitos jogos de desempenho abaixo do esperado ou com o adversário saindo na frente do placar. Na quase totalidade das vezes a justificativa foi exatamente o nervosismo do primeiro jogo.

Confira as estreias brasileiras nas Copas:

1930 (Uruguai) – Iugoslávia 2 x 1 Brasil – Brasil não passou da primeira fase no mundial
1934 (Itália) – Brasil 1 x 3 Espanha – Jogo eliminatório – Derrota tirou Brasil da Copa
1938 (França) – Brasil 6 x 5 Polônia – Jogo decidido na prorrogação depois de um 4x4 no tempo normal. Brilhou Leônidas da Silva com três gols
1950 (Brasil) – Brasil 4 x 0 México – Vitória tranquila para delírio do  Maracanã
1954 (Suíca) – Brasil 5 x 0 México – Vitória fácil com quatro gols no primeiro tempo
1958 (Suécia) – Brasil 3 x 0 Áustria – Vitória com superioridade nos dois tempos
1962 (Chile) – Brasil 2 x 0 México – Desempenho brasileiro foi considerado apenas regular, embora a vitória tranquila
1966 (Inglaterra) – Brasil 2 x 0 Bulgária – Jogo duro com dois gols de falta – última partida da dupla Pelé/Garrincha
1970 (México) – Brasil 4 x 1 Tchecoslováquia – Brasil saiu perdendo e empatou com gol de falta no primeiro tempo. Depois deslanchou
1974 (Alemanha Ocidental) – Brasil x 0 x 0 Iugoslávia – Jogo fraco e truncado
1978 (Argentina) – Brasil 1 x 1 Suécia – Brasil enfrenta dificuldades, sai perdendo e só não vira porque juiz terminou jogo quando Zico estava marcando o segundo gol
1982 (Espanha) – Brasil 2 x 1 União Soviética – Jogo difícil com virada brasileira e pênalti não marcado para os soviéticos
1986 (México) – Espanha 0 x 1 Brasil – Placar apertado com juiz não dando um gol claro para os espanhóis
1990 (Itália) – Brasil 2 x 1 Suécia – Jogo fraco com superioridade brasileira e Careca sendo decisivo ao marcar dois gols.
1994 (Estados Unidos) – Brasil 2 x 0 Rússia – Brasil superior em atuação apenas regular
1998 (França) – Brasil 2 x 1 Escócia (Final)
2002 (Coreia do Sul/Japão) – Brasil 2 x 1 Turquia – Virada brasileira acontece com pênalti mal marcado pelo árbitro
2006 (Alemanha) – Brasil 1 x 0 Croácia – Jogo difícil para o Brasil decidido num golaço à média distância de Kaká
2010 (África do Sul) – Brasil 2 x 1 Coreia do Norte – Brasil só foi marcar no segundo tempo numa atuação sem brilho.
2014 (Brasil) – Brasil 3 x 1 Croácia – Brasil sai perdendo, empata e precisa de um pênalti discutível para virar

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