Ainda sem marcar na Copa do Mundo, Gabriel Jesus tem recorde negativo na Seleção BENJAMIN CREMEL/AFP

Gabriel Jesus ainda perdeu a artilharia da "Era Tite", sendo ultrapassado em gols por Neymar

Foto: BENJAMIN CREMEL / AFP

A vitória sobre o México e a classificação para às quartas de final da Copa do Mundo trouxe um alívio aos jogadores da Seleção. Um deles, porém, vive um drama pessoal: Gabriel Jesus começou os quatro jogos do Mundial como titular, mas ainda não conseguiu deixar o seu gol. De quebra, ainda viu seu reserva imediato, Roberto Firmino, marcando o segundo gol do jogo durante os poucos minutos que esteve em campo.

Dessa forma, Gabriel Jesus se tornou o primeiro centroavante titular da Seleção Brasileira a não conseguir marcar nos quatro jogos iniciais de uma edição da Copa do Mundo. O centroavante ocupa a função tática do jogador que é a referência de gols da equipe, o atacante mais avançado e popularmente conhecido como o camisa 9 no Brasil — apesar de, em alguns casos, o "matador" utilizar outro número, como Romário com a sua 11.

Levando em conta todas as edições da Copa do Mundo, apenas em uma o centroavante titular da Seleção deixou a Copa do Mundo sem marcar gols. Dos quatro gols feitos pelo Brasil na edição de 1966, nenhum foi marcado por Jairzinho, o atacante mais avançado daquela equipe. Porém, a equipe caiu na primeira fase e o centroavante realizou apenas três partidas, uma a menos do que Gabriel Jesus nesta edição.

Lance do jogo entre Brasil e Peru, na Copa de 70, no México. Aparece na foto o jogador Jair, da seleção brasileira#PÁGINA: 71#PASTA: 501078#CAIXA: 000030 Fotógrafo: Não se Aplica
Jairzinho era o atacante mais avançado da Seleção em 1966, quando o Brasil caiu na primeira fase da competiçãoFoto: Ver Descrição / Agencia RBS

Com apenas 22 anos na época, Jairzinho compensou a falta de gols em 1966 na edição seguinte, quando marcou em todas as partidas da campanha do tricampeonato da Seleção Brasileira. Ele ainda seria a referência do ataque no Mundial de 1974, quando marcou mais dois gols. A idade é semelhante na comparação com o atual centroavante brasileiro, que tem apenas 21 anos e pode jogar ainda melhor nas próximas Copas do Mundo.

Outra curiosidade que pode ser positiva para a Seleção é o caso de Vavá, referência no ataque da Seleção de 1962. Após marcar cinco vezes na campanha do título de 1958, ele passou em branco na fase de grupos da edição seguinte. O atacante saiu da seca ao marcar um gol nas quartas de final, que na época era a primeira fase de mata-mata do Mundial. Inclusive, terminou como um dos artilheiros da competição ao fazer outros três gols.

Ser o atacante mais avançado também não é sinônimo de artilheiro da equipe. Tanto que o segundo jogador que mais marcou pelo Brasil em Copas foi Pelé, que sempre atuou com muita liberdade e não ficava centralizado na grande área adversária. Essa situação era ainda mais comum nas equipes até a década de 70, quando era normal que as formações táticas incluíssem quatro ou até cinco atacantes, distribuindo mais os gols entre os jogadores.

A camisa usada pela Seleção Brasileira na Copa de 1970, no México, foi eleita pelo Times Online, um dos mais tradicionais sites da Inglaterra, a mais bonita de todos os tempos. O Rei Pelé comemora o gol marcado.#PÁGINA:12 Fonte: Banco de Dados
Pelé é um dos casos de jogadores que marcaram muitos gols mesmo sem jogar como centroavante da SeleçãoFoto: Reprodução / Reprodução

Gabriel deixa de ser o artilheiro da "Era Tite"

Presença comum desde a primeira convocação de Tite no comando da Seleção Brasileira, Gabriel Jesus se destacou na estreia com a amarelinha: dois gols e uma assistência na vitória de 3 a 0 sobre o Equador pelas Eliminatórias da Copa. A boa fase continuou e, mesmo com uma lesão que o deixou de fora em alguns jogos, o atacante terminou como o artilheiro do Brasil nas eliminatórias: sete gols, contra seis de Neymar.

Com outros três gols em amistosos, Gabriel se tornou o artilheiro da "Era Tite" com dez gols em 16 partidas. Porém, com os quatro jogos de jejum na Copa do Mundo, o centroavante foi ultrapassado por Neymar. O terceiro melhor do mundo marcou o primeiro gol da vitória contra o México e chegou a 11 gols sob o comando de Tite.

Importância tática é a justificativa para manter Jesus

Apesar de ser a referência no ataque da Seleção Brasileira, a função tática de Gabriel Jesus vai além de marcar gols. Nos jogos da fase de grupos, o jogador também atuou como pivô para deixar os demais jogadores em posição para chutar e atuou na marcação quando a bola estava no campo adversário.

Na partida contra o México, Gabriel Jesus atuou de forma ainda mais intensa na marcação, inclusive voltando para o campo de defesa nos momentos de pressão da equipe adversária. Tanto que o jogador terminou a partida com três desarmes, o quarto da Seleção nesse aspecto e atrás apenas de jogadores com características defensivas: Fágner, Filipe Luis e Casemiro.

Após a entrada de Roberto Firmino no segundo tempo, Gabriel Jesus mudou ainda mais o seu posicionamento: deixou de atuar centralizado para flutuar pelo lado do campo no esquema 4-4-2. A função é semelhante com a que ocupava na campanha do ouro olímpico em 2016, quando fazia dobradinha no ataque com Gabriel Barbosa.

 Brazils striker Gabriel Jesus is congratulated by Brazils head coach Tite after being substituted during the International friendly football match between Brazil and Croatia at Anfield in Liverpool on June 3, 2018. / AFP PHOTO / Oli SCARFFEditoria: SPOLocal: LiverpoolIndexador: OLI SCARFFSecao: soccerFonte: AFPFotógrafo: STR
Apesar da seca de gols, Gabriel Jesus conta com a confiança do técnico Tite para continuar na equipe titularFoto: Oli SCARFF / AFP

— Deixo bem claro que se pegar desde meu surgimento no Palmeiras, nunca fui artilheiro ou meti muitos gols. Fico feliz se faço gols, estou ali ajudando. De dois anos para cá jogo de centroavante e muitas coisas mudaram. Estou feliz. Sempre vou ajudar a equipe, me doar ao máximo. Os resultados positivos vem pelo futebol que estamos demonstrando — comentou Gabriel Jesus em entrevista após o fim do último jogo, na segunda-feira.

Além de se destacar nos desarmes, o centroavante também foi o segundo jogador que percorreu a maior distância na última partida, atrás apenas de Casemiro. Em compensação, ao longo da Copa do Mundo ele realizou apenas duas finalizações no gol, sendo uma bola na trave no jogo contra a Costa Rica e um chute contra Ochoa no jogo contra o México.

Gol de Leônidas da Silva marca gol para o Brasil na estréia da Copa do Mundo de 1938, contra a Polônia.#PÁGINA:03PASTA:53443 Fotógrafo: BD ZH
Criador da jogada "bicicleta", Leônidas da Silva foi a referência do ataque brasileiro nas Copas de 1934 e 1938Foto: Ver Descrição / Agencia RBS
Foto: Arte DC

 Leia Mais


 Veja também
 
 Comente essa história