Caminho para vitória do Brasil passa pela fragilidade da defesa belga  Kirill KUDRYAVTSEV/AFP

Diante da Bélgica, Tite enfrentará pela primeira vez na Copa uma seleção com características de jogo parecidas com o Brasil

Foto: Kirill KUDRYAVTSEV / AFP

Como parar a "ótima geração belga"? Essa é a pergunta que 11 em cada 10 brasileiros começaram a fazer após os Diabos Vermelhos vencerem, de virada, o Japão e se classificarem paras as quartas de final. Brasil e Bélgica se enfrentam na sexta-feira em Kazan. O jogo está programado para 15h (horário de Brasília). 

Neymar x Hazard: o que esperar dos craques de Brasil e Bélgica

Sem perder há quase dois anos, ou mais precisamente desde setembro de 2016 quando o selecionado belga foi derrotado por 2 a 0 para a Espanha, o time é a sensação desta Copa do Mundo. Tem o melhor ataque até aqui, com 12 gols, e enfrentará a melhor defesa da competição  – o Brasil só recolheu a bola dos fundos de suas redes em uma oportunidade, contra a Suíça na estreia.

Tantos gols são consequência do esquema tático treinado pelo espanhol Roberto Martinez. O comandante costuma escalar o time no esquema 3-4-3, com Hazard, Mertens e Lukaku, vice-artilheiro do torneio, à frente. O time ainda funciona com um jogador no ataque centralizado. Neste caso, o técnico recua os pontas para povoar o meio campo, em um esquema 3-6-1, deixa Lukaku, com 1,91m, sozinho na grande área funcionando como um centroavante.

 Belgiums forward Romelu Lukaku celebrates scoring his teams second goal during the Russia 2018 World Cup Group G football match between Belgium and Tunisia at the Spartak Stadium in Moscow on June 23, 2018. / AFP PHOTO / Kirill KUDRYAVTSEV / RESTRICTED TO EDITORIAL USE - NO MOBILE PUSH ALERTS/DOWNLOADSEditoria: SPOLocal: MoscowIndexador: KIRILL KUDRYAVTSEVSecao: soccerFonte: AFPFotógrafo: STF
Com 1,91m, Lukaku, vice-artilheiro da Copa do Mundo, é bom no jogo aéreo e pode complicar para o Brasil Foto: Kirill KUDRYAVTSEV / AFP

Em ambos os esquemas, o jogador-chave é Eden Hazard. O meia-atacante, que tem jogado mais fixamente pelo lado esquerdo, é habilidoso e sempre procura o um contra um pela lateral da grande área para construir suas jogadas. Desta forma, o time goleou a Tunísia, o Panamá e encontrou a saída para virar o jogo contra o Japão nas oitavas de final.

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A equipe também tem como característica um contra-ataque muito rápido usando passes curtos à la escola espanhola que fez sucesso na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, quando se sagrou campeã. Quando necessário, Martinez promove a entrada do meia Fellaini. Geralmente, o jogador do Manchester United entra para aumentar a estatura – ele tem 1,94m – e junto com Lukaku pode criar chances em bolas aéreas.

AS SAÍDAS PARA VENCER A BÉLGICA

Belgiums defender Jan Vertonghen (L) vies with Japans forward Genki Haraguchi during the Russia 2018 World Cup round of 16 football match between Belgium and Japan at the Rostov Arena in Rostov-On-Don on July 2, 2018. / AFP PHOTO / Odd ANDERSEN / RESTRICTED TO EDITORIAL USE - NO MOBILE PUSH ALERTS/DOWNLOADS
No primeiro gol do Japão, o zagueiro Vertonghen falhou ao tentar dar o bote em Haraguchi que aproveitou para abrir o placar Foto: Odd ANDERSEN / AFP

Diante de seleções que não são gigantes do futebol, na Copa e nas eliminatórias, a Bélgica mostra grande força ofensiva, mas com generosos espaços na defesa. A partida com o Japão é um bom exemplo lembra Paulo Branchi, da CBN Diário:

– O sistema defensivo, embora com o ótimo goleiro Courtois, tem três zagueiros lentos que costumam deixar os lados do campo descobertos, facilitando a infiltração dos adversários. O primeiro gol japonês surgiu exatamente desta forma, com uma bola em cima do zagueiro Vertonghen que falhou e deu a oportunidade para o chute de Haraguchi, que marcou. Mas o técnico já avisou que contra o Brasil vai ter cuidados maiores na defesa – analisa.

Para ser mais conservador, Martinez pode promover a entrada de Mousa Dembelé. O jogador do Tottenham  marca bem, mas também sabe dar velocidade aos contra–ataques, pois tem bom passe.

Com a volta do lateral esquerdo Marcelo, que com um desconforto nas costas ficou no banco no jogo contra o México, o vitória do Brasil deve ser construída por ali. A ideia seria priorizar as jogadas rápidas pelo setor usando, principalmente, a triangulação com Neymar e Coutinho para criar oportunidades de gol.

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Fernandinho deve entrar no lugar de Casemiro, suspenso pelo segundo cartão amarelo. Jogador pode dar mais mobilidadeFoto: Lucas Figueiredo / CBF, Divulgação

 Tite, no entanto, terá uma preocupação para escalar o time. O volante Casemiro, um dos pilares da Seleção no meio campo e homem fundamental na ligação, está suspenso pelo segundo cartão amarelo. Para o lugar dele, o técnico deve colocar Fernandinho.

A troca pode ser um trunfo para o Brasil, na verdade. O jogador conhece de perto De Bruyne (ambos são atletas do Manchester City) e pode embolar o meio campo belga evitando que eles criem oportunidades de perigo.

- Casemiro que protege mais a defesa e que dá mais liberdade para os laterais atacarem. Joga desta maneira tanto no Real Madrid, quanto na Seleção Brasileira. Fernandinho é um jogador que não defende tanto mas é um jogador que toca mais a bola e chega mais na frente com frequência. Fernandinho é treinado pelo Guardiola há dois anos, que é um técnico que exige isso de seus jogadores. E no sistema do Manchester City, Fernandinho joga sempre ofensivamente. Então o Brasil perde um pouco na questão defensiva mas ganha na questão de infiltração - disse o comentarista Chico Lins.   

A fragilidade do Brasil pode ser na lateral direita. Fagner é baixinho – tem 1,68m – e em jogadas aéreas pode ser surpreendido. No entanto entrou bem no lugar de Danilo, que recuperado de uma lesão ficará à disposição no banco, e contra o México foi um dos principais ladrões de bola da Seleção, com cinco bolas recuperadas no jogo.

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Marcelo, recuperado de lesão nas costas, pode ser uma arma importante para vencer na velocidade os defensores belgasFoto: André Mourão / MoWA Press

Se encontrar muitas dificuldades na partida, Douglas Costa, liberado pelo departamento médico, pode ser uma opção no segundo tempo. O atleta foi muito bem no lugar de William contra a Costa Rica na fase de grupos e mudou a cara do jogo dando saída pela direita para que o Brasil construísse o resultado: 2 a 0.

Se passar pelo Brasil, a Bélgica igualará o melhor resultado em Copas do Mundo. Em 1986, os belgas foram quarto lugar. Perderam na semifinal para a Argentina, com dois gols de Maradona. 

Já o Brasil pode chegar a 11ª semifinal na história da Copas, se vencer a Bélgica. Foram disputados 20 mundiais desde 1930. 

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Foto: Arte DC


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