Conmebol ataca CBF e acusa presidente brasileiro de "traição" Norberto Duarte/AFP

O paraguaio Domínguez, da Conmebol, sentiu vergonha pela atitude do brasileiro Antônio Carlos Nunes, da CBF

Foto: Norberto Duarte / AFP

Se a Seleção Brasileira vive uma crise, a CBF sofre mais, o dobro. 

O problema da confederação, sustentada por 27 federações estaduais, não está somente no futebol. Escala outros andares. Balançou o edifício político, atingiu o peito do presidente Antônio Carlos Nunes, o coronel Nunes, respingou no futuro presidente, Rogério Caboclo. 

Na eleição da sede da Copa do Mundo de 2026, no mês passado, na Rússia, o dirigente paraense votou no Marrocos e não nos EUA, México e Canadá, mesmo depois de um acordo entre os dirigentes das 10 nações que formam a Confederação Sul-Americana de Futebol. A Conmebol votaria em bloco nos três países do continente.

- Claro que sim (sentimento de traição). Não ajuda a imagem do Brasil, muito menos da Conmebol. Então é um tema de muita vergonha.

As frases fortes são do número 1 da Conmebol, Alejandro Domínguez, em entrevista à TV Globo, em São Petersburgo, na terça-feira (11).

Depois da declaração do líder da poderosa Conmebol, que governa o futebol na América do Sul, o futuro presidente da CBF, Rogério Caboclo, que assume em abril de 2019, contatou o paraguaio Domínguez. Pediu desculpas. Quer paz.

– Minha relação com ele (Caboclo) é muito boa. Quando aconteceu a eleição, ele me ligou e disse que se tornaria responsável pelo assunto. O Brasil é tremendamente importante para a minha gestão. O Brasil teve problemas com a Conmebol, mas isso não é bom para o Brasil, muito menos para Conmebol – explicou Domínguez.

Homem de confiança de Marco Polo Del Nero, banido do futebol, e amigo de longa data de José Maria Marin, preso em Nova York, Nunes, 81 anos, é um presidente de brinquedo. Apenas enfeita a principal cadeira da CBF. Comandou durante anos a Federação de Futebol do Pará. Não tem capacidade de gestão. Não manda, mas tem todas as mordomias do cargo e não dá sinal de que vai deixar a luxuosa sede da Barra da Tijuca. O leme da entidade é de Cabloco, eleito com o apoio da dupla Gre-Nal que, aliás, só tem elogios ao advogado paulista.  A maioria dos 40 clubes das Séries A e B apoiam o coronel, ativo durante a Ditadura Militar no Brasil.  

A Conmebol quer que Nunes, que anda calado, não dá entrevista, deixe a CBF imediatamente. Por direito, ele será presidente por mais 10 meses. A situação é tensa. Não será surpresa se ele for afastado. A pressão é gigantesca.  A CBF, por enquanto, resiste. 

Por outro lado, uma nova crise ganhou vitrina nacional. O Juizado do Torcedor do Rio de Janeiro pediu que a eleição do primeiro semestre, que uniu Caboclo, seja anulada. Deseja ainda a destituição de toda a diretoria da CBF. Informa que o processo eleitoral da CBF não foi correto, não seguiu as regras pré-estabelecidas. 

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