A condição de campeão do mundo pode redefinir a hierarquia no vestiário do Paris Saint-Germain. Depois de desembarcar clube como promessa, o prodígio Kylian Mbappé inicia sua segunda temporada no PSG como uma super estrela que não tem nada a invejar ao craque brasileiro Neymar.

Uma foto difundida pelas redes sociais do PSG na terça-feira, com os dois se reencontrando após o mundial, serve para mostrar que a nova dimensão assumida pro Mbappé durante a Copa da Rússia não alterou a relação entre os dois.

Mas para Neymar e Mbappé, nada voltará a ser como era antes em Paris. Campeão do mundo antes de completar 20 anos, o francês recebeu elogios de ninguém menos que Pelé.

Aos 19 anos, deixou de lado a condição de prodígio para iniciar uma nova etapa como super estrela mundial, depois de ser uma das peças chave da seleção francesa no bicampeonato mundial.

"Talvez meu status dentro do time possa evoluir, pelas coisas boas da minha primeira temporada que tiveram continuidade na Copa do Mundo. Talvez seja recebido de forma especial pelos meus companheiros, mas nada mais", admitiu o atacante em entrevista à revista France Football no final de julho.

- Novo número, ambições renovadas -

Sem dúvida o francês não tem o mesmo tratamento que Neymar recebeu quando chegou à capital, depois de deixar o Barcelona por transferência recorde de 222 milhões de euros. Seu nome chegou a ser projetado na Torre Eiffel e uma avalanche de torcedores foi às compras para ter sua camisa de número 10.

Mas entre os elogios da comissão técnica e dos companheiros, além das mensagens de parabéns no centro de treinamento, Mbappé foi recebido como um herói no retorno à Paris.

Um sinal de sua nova ambição foi que o atacante formado no Monaco trocou o número 29 pelo 7, acrescentando que espera "se afirmar um pouco mais com este número histórico".

"O número também indica suas ambições, o jogador que quer ser. É um novo início, com um número como este se começa bem", declarou o jogador negociado por 180 milhões de euros às redes sociais do PSG.

Após deixar o Barcelona para escapar da sombra de Lionel Messi em busca do prêmio de melhor do mundo, Neymar agora vai ter que administrar sua coabitação com um sério rival para a Bola de Ouro nos próximos anos.

- 'Ney' quer recuperar prestígio -

A situação pode criar um problema de liderança no vestiário?

"Não, claro que não, porque nossa relação é baseada no respeito e na admiração recíproca. Ele disse que estava feliz por mim e eu acredito, porque é um cara legal. Estou convencido que não vai mudar grande coisa no nosso nível de combinação e coabitação. As coisas estão claras entre nós", destacou Mbappé à France Football.

Um ano depois da "transferência do século", Neymar tem que evitar os mesmo erros que o fizeram entrar em conflito com o uruguaio Edinson Cavani, queridinho da torcida do PSG e maior artilheiro da história do clube.

Do 'pênalti-gate' com o uruguaio às polêmicas simulações durante a Copa do Mundo-2018, o brasileiro está condenado a recuperar o prestígio e apagar sua imagem de jogador individualista, caso não queira ver Mbappé roubar de vez seu protagonismo.

Isto acontecerá também pelos gols e assistências ao lado dos companheiros de trio MCN na Liga dos Campeões, objetivo máximo do PSG.

Transformar Neymar em uma máquina de jogo coletivo: está traçado um dos grandes desafios do novo técnico da equipe, o alemão Thomas Tuchel.

* AFP

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