Familiares da tragédia da Chape encaminham ações na Bolívia e Colômbia reprdução/Reprodução

Voo da Chapecoense saiu da Bolívia sem reserva suficiente para chegar na Colômbia

Foto: reprdução / Reprodução

A presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do Acidente da Chapecoense, Fabienne Belle, e a vice-presidente, Mara Paiva, estão em Santa Cruz, na Bolívia, acompanhadas de advogados, buscando esclarecimentos que podem resultar em ações contra outras empresas ou até órgãos doo governo boliviano e também da Colômbia.

O grupo, que contém também um especialista de riscos e um advogado da Chapecoense, já esteve também nos Estados Unidos e na Colômbia levantando documentos e novas informações sobre o acidente com o avião que transportava a delegação da Chapecoense, ocorrido no dia 29 de novembro de 2016, que vitimou 71 pessoas, entre eles o fisiologista Cezinha, marido de Fabienne, e o ex-jogador e comentarista Mário Sérgio, marido de Mara.

O advogado Josmeyr Oliveira disse que foram muito bem recebidos pelas autoridades, que ficaram de passar apólices e conteúdo da caixa-preta do avião, entre outros documentos.

- Além das responsabilidades da companhia aérea e seu piloto morto, dono, podemos ter mais grupos de empresas ou de departamentos que também, poderiam ter sido, de uma forma muito clara, poderiam ter evitado esse voo, por conta de documentos que foram validados sem necessariamente estarem hábeis, isso nada a ver com a despachante Célia (Castedo, funcionária boliviana que recebeu o plano de voo), nada a ver com a controladora de voo que tentou colocar esse avião no chão  e muito menos com a decisão desastrosa do Quiroga (Miguel, piloto e sócio da empresa que morreu no acidente) em não parar esse voo no momento em que sabia que estava correndo o risco de não chegar, são pontos que estão sendo abertos em outras frentes - disse o advogado.

As ações precisam ser impetradas até a data do acidente, que completa dois anos.

No entendimento dos familiares houve negligência de fiscalização, já que a aeronave da Lamia, contratada pela Chapecoense, saiu com combustível no limite para o trajeto de Santa Cruz (Bolívia) até Rionegro (Colômbia), sem reserva para algum imprevisto, como apontou o relatório da Aeronáutica da Colômbia. Em Rionegro, próximo a Medellín, onde a Chapecoense jogaria a primeira partida da final da Sul-Americana, o piloto da aeronave não esclareceu que estava sem combustível e não teve prioridade de pouso, o que poderia ter salvado a delegação. Apenas seis pessoas sobreviveram.

Um grupo de 11 famílias de Chapecó, orientadas por advogados de Florianópolis, já entraram com ações contra os dois governos. E também estudam assinar um acordo com as seguradoras.

No ano passado as seguradoras já haviam oferecido US$ 200 mil por família, para retirar as ações contra elas. Agora, de acordo uma pessoa ligada a esse grupo de 11 famílias, a tendência é de que algumas famílias aceitem o valor de US$ 225 mil, pois a ação pode demorar muitos anos. No entanto seriam retiradas as ações contra as seguradoras e não contra os governos.

Até agora algumas famílias não receberam nenhuma indenização, a não ser auxílios de amistosos e outras ações de apoio. 

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