Qual outro lugar pode ser mais apropriado do que o 'Teatro dos Sonhos', como é chamado o estádio de Old trafford, para acabar com um pesadelo? O Paris Saint-Germain espera finalmente quebrar a maldição das oitavas de final na Liga dos Campeões que o persegue há duas temporadas. A equipe francesa, desfalcada de suas estrelas Neymar e Edinson Cavani, joga seu futuro europeu contra o Manchester United, nesta terça-feira às 18h00 (horário de Brasília).

Para chegar longe, o PSG precisa primeiro acabar com um pesadelo que continua o assombrando: uma série de grandes eliminações nos últimos anos e um complexo contra os gigantes do continente.

Barcelona em 2017, Real Madrid em 2018... Nas duas últimas temporadas, o PSG caiu antes das quartas de final. Este ano a equipe de Thomas Tuchel terminou em primeiro lugar no "grupo da morte", que incluía o Liverpool, atual vice-campeão da Champions, e o Napoli.

O sorteio realizado em dezembro colocou o PSG diante do Manchester United, que atravessava uma fase complicada. "Nós pensamos: "Uau, será um desafio difícil", admitiu na segunda-feira Ole Gunnar Solskjaer, o treinador do United. Mas desde então, a dinâmica das duas equipes se inverteu.

- Neymar e Cavani ausentes, "bom para o United"? -

De um lado, porque o Manchester United, três vezes campeão do torneio, se transformou totalmente depois da chegada de seu ex-jogador e agora técnico Solskjaer. Com dez vitórias e um empate em 11 jogos, o balanço é quase perfeito.

"O PSG joga contra uma equipe que está em um bom momento. Tudo pode acontecer com o Manchester. Agora é difícil. O PSG continua sendo um pouco o favorito graças aos jogadores que tem", declarou Zlatan Ibrahimovic ao canal Fox Sports. O atacante sueco jogou nos dois clubes.

Mas o problema é que o elenco não está todo disponível no momento. Enquanto o time inglês evoluiu desde dezembro, o PSG foi se enfraquecendo, devido às lesões. Desde a entorse do tornozelo de Marco Verratti no dia 19 de janeiro, a equipe perdeu Neymar, depois Cavani e Meunier no início de fevereiro.

O resultado é que o PSG vai disputar o jogo mais importante de sua temporada sem dois de seus principais jogadores e outros titulares. "É benéfico para nós", admitiu na segunda-feira o atacante dos "Diabos Vermelhos" Anthony Martial, mas sem querer considerar sua equipe favorita.

Diante da dificuldade, Thomas Tuchel se recusa a adotar uma tática defensiva mais prudente. "Temos uma tradição: jogamos ofensivamente. Está em nosso DNA. Estamos aqui para fazer gols. Isso está claro!".

A dúvida é se o peso vai recair sobre as costas de Kylian Mbappé, a única estrela que não se machucou. "Não podemos colocar pressão sobre o Kylian. Não é a função dele substituir Neymar e Edinson e de ser Kylian ao mesmo tempo. Ele tem que jogar livre, com confiança", garantiu o treinador. "Ele está aqui para crescer e este é exatamente o bom momento para fazer isso".

- Pogba, o perigo principal -

Diante desses golpes de azar que se repetem, a boa notícia poderia se chamar Marco Verratti, que finalmente voltou aos campos no sábado após três semanas afastado. Só não se tem certeza se ele estará com 100% de condições depois de uma ausência tão longa. "ele só tem 60 minutos nas pernas", disse Tuchel na entrevista coletiva.

Será suficiente? O PSG vai precisar muito já que o United possui um grande trunfo para vencer a batalha do meio de campo: Paul Pogba. "É o jogador referência dessa equipe", disse Thiago Silva em uma entrevista em janeiro.

Livre de sua relação difícil com José Mourinho, o campeão do mundo pela França voltou a ter um papel de comandante do jogo, dando apoio a seus atacantes. Autor de seis gols e cinco passes decisivos desde a chegada de Solskjaer, ele voltou a ser a principal ameaça ofensiva da equipe inglesa.

"Vai ser uma das chaves do jogo, com certeza", prevê Julian Draxler, meia do clube parisiense, que deverá apoiar o ataque formado por Angel Di Maria e Mbappé. Mas, antes de focar em seus adversários, o PSG terá primeiro que reencontrar um estado de espírito à altura da Liga dos Campeões.

Entre a derrota para o Lyon (2-1) fora de casa na semana passada, e a dificuldade de marcar um gol contra uma equipe da terceira divisão (3-0 na prorrogação) na Copa da França, faltou uma grande exibição antes do jogo em Old Trafford.

Até o goleiro Gianluigi Buffon alertou depois da vitória magra contra o Bordeaux (1-0) no sábado: "Contra o Manchester United, temos que ser mais fortes, mais sólidos e ter uma atitude diferente. É uma necessidade".

Os 3.500 torcedores parisienses que estarão no mítico estádio inglês esperam que a mensagem tenha sido captada para que o PSG possa finalmente viver uma noite europeia à altura de suas expectativas.

* AFP

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