História desenhada no corpo Ricardo Wolffenbüttel/Agencia RBS

Antônio Stoppa é um dos precursores da tatuagem em SC

Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Agencia RBS

A história da tatuagem em Santa Catarina foi desenhada pelas mãos de paulista Antônio Stoppa, de 64 anos, tatuador desde 1980. Em seu corpo, os registros mais antigos começam em 1978 e chegam até a semana passada, quando fez o mais recente.

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Stoppa, que criou a própria máquina de tatuagem feita com motor de toca-fitas, já perdeu a conta de quantas tatuagens tem. A última vez que contou, estava com 30 dos mais diversos desenhos, inclusive um beijo no ombro, que ele logo faz questão de explicar que foi feito na década de 90 e que nada tem a ver com a música da cantora Valesca Popozuda. 

 
Foto: Ricardo Wolffenbuttel / Agência RBS

— Tatuagem é história. Eu lembro de cada uma que tenho no corpo — afirma Stoppa, que chegou a Florianópolis em 1985.

A relação de Stoppa com a profissão começou aos 16 anos, quando um servente de pedreiro fez a sua primeira tatuagem. O desenho feito na mão, na época uma identidade entre presidiários, gerou arrependimento: Stoppa raspou a imagem com um esmeril um dia depois. Anos depois fez sua primeira tatuagem oficial, em 1978, com o dinamarquês Lucky, em Santos, pioneiro na tatuagem contemporânea no Brasil. Com ele, Stoppa aprendeu a técnica e desenvolveu seu próprio equipamento, que também foi comercializado. Nos três primeiros anos de atuação, tatuou mais de 2 mil pessoas.

 
Foto: Ricardo Wolffenbuttel / Agência RBS

Diante de tanta experiência, o que não faltam são histórias. Ele conta que já desenhou em todas as partes do corpo dos clientes, mas no rosto foi apenas uma vez, e as mãos, prefere evitar. No currículo, também inclui 16 tatuagens feitas em um único dia. Além de trabalhos feitos em academia, danceterias e até no Festival de Águas Claras: o Woodstock brasileiro, onde usava uma lanterna na cabeça para tatuar à noite.

Mudança no perfil ao longo dos anos

Nestes 34 anos como tatuador, presenciou a mudança de perfil dos tatuados. No início, eram apenas marinheiros, prostitutas e presidiários. Quando a polícia fazia blitz, a primeira pergunta era se tinha tatuagem. A demanda também mudou. O que antes era focado em desenhos exibidos por artistas, expandiu-se. Mas uma das mudanças mais significativas foi em relação à higiene. Só quando veio a Florianópolis, em 1985, Stoppa começou a usar luvas. Atualmente, tatua apenas amigos no Rio Vermelho, na Capital. 
— Sou meio cigano e não quero ficar preso a uma loja de tatuagens — completa.

 



Um momento sem carimbos e preconceitos

O tempo em que tatuagem era associada a preconceitos parece distante. Segundo o censo da tatuagem, realizado pela revista Superinteressante, mais de 76% dos tatuados no Brasil têm, no mínimo, ensino superior e quase 60% são mulheres.

Tatuadores percebem a aceitação da arte e afirmam que a adesão reflete em perfis diversificados de clientes e tamanhos maiores de desenhos. Maurício Huber, tatuador da Old Friends Tatoo, em Blumenau, defende que os carimbos saíram de moda, ninguém mais procura o igual. 

— Já tatuei pessoas de 18 até 60 anos. Os clientes estão mais exigentes e procuram ideias exclusivas — avalia Huber, tatuador há seis anos.

Para Rafael Fernandes, de 23 anos, a tatuagem é algo para se diferenciar e não para ficar igual. Ele tatua há cinco anos e abriu um estúdio no Centro de Florianópolis, o ArtWork Tatoo. Ele conta que seu estilo é voltado para temas indianos.

O tatuador Henrique, da Urban Tribe, de Florianópolis, está no ramo há 12 anos. Ele lembra que antes eram comum desenhos menores e hoje opta-se por cobrir partes do corpo e os desenhos variam bastante e são mais exclusivos. Para atender a todos os públicos que se interessam pelo tema, começou ontem em Florianópolis a 1a Expo Tatoo.

O encontro, organizado pelo tatuador Téio e seu sócio Civetta e que segue até domingo, conta com 52 estandes com uma média de três tatuadores por expositor. São profissionais de todas as partes do Brasil, além de tatuadores da Itália e Espanha.

Entre os destaques está o casal de uruguaios Victor Hugo Peralta, 44 anos, e Gabriela Peralta, de 42, considerados os mais modificados do mundo. Haverá concurso Miss Tatoo e workshops com alguns nomes como Murilo Oliveira, Monkey e Marcelo Mordenti.

O público também contará com descontos para fazer tatuagem. Téio conta que a ideia é fazer edições anuais do evento, sendo que em 2017, a expectativa é ter cerca de 120 expositores. 

— Hoje a tatuagem não tem publico específico. Eu sou tatuador há 15 anos e já tatuei advogado, doméstica, jogador de futebol, médico — afirma.

DIÁRIO CATARINENSE
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