Aventura SC: Mergulhadores desafiam o fôlego na prática do mergulho em apneia Cristiano Estrela/Agencia RBS

Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

Para quem observa da superfície é apenas belo. O mar esverdeado reflete os raios do sol conforme o balanço das ondas que enxarcam os costões da Ilha do Xavier, no horizonte da Praia Mole, em Florianópolis. O dia amanheceu tímido, mas logo o calor tornou o bote quente demais até para ficar sentado e o mar se transformou em convite natural para o alívio. Mas a superfície é rasa demais para quem quer desafiar o corpo em busca dos confins da profundidade com o mergulho em apneia.

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— Quando era criança ganhei um livro do meu pai chamado "Segredos do Fundo do Mar". Até hoje o que me desafia é esse sentimento de querer descobrir, de estar em um lugar que ninguém esteve, ou poucas pessoas chegaram. O desconhecido atrai o ser humano — justifica a mergulhadora profissional Karol Meyer.

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Mergulhar em apneia consiste em uma das formas mais livres de mergulho. O atleta ou praticante não faz uso de cilindros de ar comprimido para respirar sob a água. É puxar o ar, segurá-lo e mergulhar. O treino leva ao aperfeiçoamento, a mais tempo de imersão e maiores profundidades. Tudo regulado pela livre capacidade o corpo humano de submergir e nadar.

Acompanhada dos mergulhadores Tiago Silva, também marido, e Daniel Pastorino, Karol testa um equipamento chamado sled no mar próximo da Ilha do Xavier. O sled permite um mergulho rápido e profundo ao descer guiado pelo cabo de aço até 30 metros e retornar à superfície com o auxílio de uma balão de ar pressurizado. Tudo leva cerca de três minutos em média, em apenas um tomada de fôlego.

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O sled apenas acelera o mergulho e dá uma dose maior de adrenalina. Ainda assim, o mergulhador está livre do equipamento assim que desejar. Diferente do mergulho autônomo, em que o colete e o cilindro de ar serão parte do corpo submerso, na apneia há mais mobilidade e liberdade de movimentos.

— Posso descer o quanto eu conseguir e voltar quando quiser. Também arrasto menos equipamento, tenho mais liberdade e estou por minha conta e capacidade, sem equipamentos. É algo mais puro — compara Karol.

Mais ao fundo

Para quem observa do fundo, além de belo é raro e intrigante. Ao mergulhar, se vê os raios de sol cruzarem a superfície da água e comporem uma grade de feixes em direção ao fundo mais escuro. A água fria é quase transparente nos primeiros metros, porém, esconde as profundezas em um breu logo após os 12 metros de profundidade. Além, os mergulhadores desaparecem quando descem, e surgem minutos depois nadando em direção à luz.

Mas nem só de beleza é feito o mergulho. É preciso estar atento aos cuidados da prática e reações do corpo. Cada imersão exige um tempo de descanso na superfície na sequência sob o risco de se "envenenar" com o próprio CO² gerado pelo consumo do oxigênio.

— O acúmulo de mergulhos em sequência gera excesso de CO², que causa euforia e inibe a vontade de respirar. Então você acha que está bem, mas precisaria respirar. Na sequência, isso pode levar a um desmaio — explica Karol.

A pressão sob as moléculas de ar é outro ponto que merece atenção. A pressão absoluta consiste na soma da pressão atmosférica, que ao nível do mar é de uma atmosfera, mais a pressão da coluna d´água, que a cada 10 metros equivale a mais uma atmosfera. Portanto, a 20 metros de profundidade o corpo recebe três vezes a pressão que receberia ao nível do mar, comprimindo na mesma proporção o ar do organismo. A máscara, os ouvidos e seios nasais são os pontos mais críticos e, para evitar complicações, é preciso realizar a compensação, forçando o ar para sair, porém, com a boca e nariz fechados.

— Se não ocorre a compensação, a máscara fará um efeito de ventosa e fará uma pressão tão grande conforme a profundidade que pode romper vasos sanguíneos tanto na face quando no globo ocular. No ouvido, pode-se romper o tímpano. A dor é insuportável, e a entrada de água gera tontura e pode levar ao desmaio — alerta a mergulhadora.

Mas Karol garante que com o devido cuidado e técnicas, a apneia se revela uma prática livre de conhecer o fundo do mar e de aprendizado.

— O contato com a natureza nos faz perceber que não somos só nós nesse mundo e que tem muita coisa que também precisa ser respeitada em lugares que apenas desconhecemos — indica a mergulhadora.

DIÁRIO CATARINENSE
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