Após dois anos de abandono, centro com creche e capacitação profissional é reaberto no Frei Damião, em Palhoça Marco Favero/Agencia RBS

Família finalmente conseguiu vaga para o filho com abertura do Centro

Foto: Marco Favero / Agencia RBS

O casal Andreia Aparecida Pereira, 41, e Sidney Gonçalves Pereira, 41, vive há 14 anos na comunidade Frei Damião, em Palhoça. Há três anos eles tentam vaga para o filho Matheus, de cinco anos. Estima-se que mais de 200 crianças do bairro estejam fora de unidades educacionais. Parte desse problema será resolvida com a reabertura do Centro de Geração de Trabalho e Renda, popularmente conhecido como Centro de Inclusão Produtiva, devolvido à comunidade ontem. Além de capacitação profissional, a partir de amanhã o espaço oferecerá o serviço de creche para 89 crianças de três a cinco anos que aguardam na fila de espera do município. 

— Finalmente conseguimos. Estamos há anos nessa luta pelo Matheus. É complicado não ter onde deixá-lo quando preciso estar com meu marido, que trata um câncer na cabeça. Agora já penso na possibilidade de fazer um curso e voltar a trabalhar — conta a mãe Andreia. 

Frei Damião: um retrato da comunidade mais carente da Grande Florianópolis

O Centro de Inclusão Produtiva do Frei Damião, concluído no final de 2012 com R$ 600 mil do governo federal, na gestão do então prefeito Ronério Heiderscheidt, estava abandonado há mais de dois anos. De lá para cá, o espaço foi depredado diversas vezes. Até o dia 30 de setembro, data inicialmente marcada para a reabertura, rachaduras ainda podiam ser vistas no prédio. Agora, de acordo com o líder comunitário Jairo Guesser, o Alemão, a comunidade aguarda ansiosa para utilizar a estrutura. 

— As mães queriam creche para os filhos, porque há uma demanda muito grande por vagas. Porque do que adianta ter curso para os pais, se os filhos não têm onde ficar? — defende.

Criança e adulto

Hoje, a equipe de seis profissionais que irá atuar nas quatro salas de aula — três para creche e uma para capacitação e Educação de Jovens e Adultos (EJA) — fará uma reunião com os pais a fim de identificar a demanda existente. Mas de acordo com a diretora, Maria Luiza Medeiros, já existe uma ideia inicial: 

— Começaremos com curso de manicure e pedicure e será assim até o fim do ano. Depois, a ideia é aumentar o número de cursos. Quanto às vagas, por enquanto não há como pensar em aumentar. O ideal seria a construção de um espaço novo e maior — arrisca a administradora.

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Segundo o atual prefeito, Camilo Martins, a ideia do Centro é atender toda a família. 

— Prefiro pagar o preço de uma ação judicial [devido a um parecer do Ministério Público Federal que questiona a abertura de uma creche no lugar] a abrir o Centro sem espaço para as crianças. Famílias serão atendidas aqui. O mesmo pai e mãe que deixa seu filho de manhã na creche, voltará para estudar à noite. E a renda familiar tende a aumentar — analisa.

O secretário de Infraestrutura de Palhoça, Eduardo Freccia, garante que parte dos equipamentos necessários ao funcionamento dos cursos já foi instalada e que novas aquisições estão em andamento. 

— Optamos por otimizar recursos e estrutura com a ocupação do espaço para creche e realização de cursos.
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