Dia das Crianças: "Queria ter a certeza de que tantos presentes não substituam o amor, primeira e maior responsabilidade da família"  Charles Guerra/Agencia RBS

Foto: Charles Guerra / Agencia RBS

A cada 60 minutos, cinco meninas e meninos são agredidos no Brasil, segundo dados do Unicef. Um público especialmente vulnerável à violação de seus direitos e à pobreza, a criança brasileira, ainda que esteja hoje em situação bem melhor do que no passado recente, segue em alto risco: se 29% da população vivem em famílias pobres, entre as crianças este índice é de 45,6%. Considerando o último censo, quase 60 milhões de cidadãos e cidadãs têm menos de 18 anos – ou seja, 27 milhões de brasileirinhos e brasileirinhas não têm as condições mínimas estabelecidas pela Constituição brasileira e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

E os números ainda continuam muito, muito feios. Crianças negras têm mais 70% de chance de viver na pobreza do que as brancas. E embora o País esteja próximo de alcançar o chamado ODM4 – Objetivos do Milênio, no quesito da mortalidade infantil –, infelizmente, as disparidades continuam: crianças pobres têm o dobro de chances de morrer em relação às ricas, e as negras, 50% a mais do que as brancas.

Em viagem ao Nordeste, há bem poucos anos, ainda chorei ao perceber meninas de enos de 14 anos abraçadas a louros turistas

Reporto esses números porque me surpreendi com o movimento de gente comprando brinquedos para a criançada, neste 12 de outubro. Nada contra, claro, que nossos meninos e meninas merecem tudo o de melhor que pudermos oferecer. No entanto, queria ter a certeza de que tantos presentes não substituam o amor, primeira e maior responsabilidade da família para com eles. Lembro esses números para que possamos nos conscientizar do privilégio que temos ao poder homenagear nossos pequenos com roupinhas novas e joguinhos da moda.

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Compartilho esses números, também, porque, em viagem ao Nordeste, há bem poucos anos, ainda chorei ao perceber meninas de menos de 14 anos abraçadas a louros turistas, pelas ruas e praias – alguém me comentava, à época, que era aquela a única esperança de redenção para as mirradinhas e alegres moçoilas. Quem sabe o cara as levasse para a Europa, para ter uma vida boa...

O tema adolescência é, aliás, quase tragédia. Ainda temos o imenso desafio de resolver a questão dos meninos e meninas chamados infratores. Afinal, não os queremos por perto porque detestamos esse tipo de espelho e eles são o exato reflexo de nossas não ações. Segundo o Unicef, a cada ano, 30 mil adolescentes recebem punições restritivas de liberdade – e apenas 30% deles foram condenados por crimes definidos por lei. E, sim, temos que fortalecer a família. E não me venham com chorumelas: família é todo núcleo formado pelos laços do amor. Feliz Dia das Crianças.

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