Eles cansaram de notícias ruins e agora espalham histórias positivas no Facebook Fernando Gomes/Agencia RBS

Lisete Barden, de Porto Alegre, só compartilha histórias positivas no grupo SOS Boas Notícias

Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Empresário instala geladeira solidária em Goiânia. Menino vende seus desenhos a R$ 1 para ajudar biblioteca. Em meio às notícias diárias, um grupo no Facebook se propõe a elencar e a compartilhar os melhores fatos do dia com um critério: a história precisa ser positiva. A comunidade SOS Boas Notícias, com mais de 1,5 mil membros, foi criada em 2011 como uma fonte alternativa de informações. Ao entrar, a regra é específica: nada de notícias ruins. Essas comunidades demonstram o protagonismo atual dos usuários na disseminação das notícias e uma tendência de curadoria de conteúdo que já tem milhares de adeptos no Exterior.

 

O administrador do grupo, o catarinense Marcelo Feuerschuette Althoff, 50 anos, sofria de depressão quando, há 13 anos, largou o emprego como executivo em São Paulo para se dedicar ao estudo de terapias alternativas. Hoje, ele ministra cursos e trabalha com atendimento psicológico e espiritual. A comunidade foi criada para disseminar uma forma mais positiva de ver o mundo. Ele acredita que notícias ruins colaboram para gerar medo e ansiedade.
– A pessoa recebe uma carga de informações tão pesada no dia a dia que, efetivamente, não faz parte da sua realidade. Isso intoxica, traz pânico e depressão – diz.


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Posted by Razões Para Acreditar on Quinta, 15 de outubro de 2015


Um dos sites mais populares desse tipo no Brasil, o Razões para Acreditar, reúne mais de 135 mil curtidores na página da rede social. O criador da iniciativa, o designer e publicitário rondonense Vicente Carvalho, 31 anos, começou com um blog que se transformou em site. O alvo no Facebook são  jovens entre 18 e 35 anos.
– Nosso objetivo é inspirar pessoas para que saiam do “automático” e vejam que tem muita coisa boa no Brasil, seja sobre conquistas de gênero, ações que geram gentileza ou empreendedorismo. Vivemos uma maré de negativismo. Criei o blog para combater isso.

Muitas pessoas me perguntam como surgiu o RPA, e fiquei extremamente feliz de ter sido convidado pela J&J para poder contar minha história. Mas tenho certeza que vocês também já passaram ou viram alguma história incrível e emocionante de carinho, e agora eu os convido a escrevê-las. Assista ao vídeo e sintam-se estimulados a mandarem também a sua, ela pode ficar famosa e você pode ir assistir à Final da Copa do Mundo da FIFA. Escreva sua história aqui:https://www.careinspirescare.com/br/campeoesdocarinho/brasileiros#campeosdocarinho #jnj #razoesparaacreditar

Posted by Razões Para Acreditar on Quarta, 2 de abril de 2014


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Pensamento negativo fora das timelines

Segundo a pesquisa Digital News Report, do Instituto Reuters, o número de brasileiros que recebem notícias via redes sociais cresce a cada ano. Dos entrevistados, 64% afirmaram terem usado as mídias sociais como fonte de informação na última semana.

 


E quem faz o filtro é o próprio usuário. Lisete Barden, 41 anos, decidiu transformar sua timeline em um feed de boas informações.
– No meu perfil, só publico o que leva os outros a refletirem. Podemos limpar o pensamento e enxergar um novo mundo – pondera a porto-alegrense.

Para a pesquisadora Luciana Ruffo, do Núcleo da Psicologia em Informática da PUCSP, essas iniciativas podem servir como um grupo de apoio.
– Se a pessoa já acha que o mundo está uma droga e começa a ler informações ruins, ela reforça aquela crença. E, na internet, ela pode escolher o que quer ver. Quando você compartilha coisas positivas, você se sente motivado – sustenta a psicóloga.

Um estudo conduzido por pesquisadores de ciência da computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revelou que entre 50% e 70% das notícias publicadas na internet pelas grandes empresas de mídia são negativas. Foram analisados 69 mil títulos de notícias de The New York Times, BBC, Reuters e Dailymail.
– Chamadas mais negativas e mais positivas, os extremos, tendem a maior popularidade – revela o professor Fabrício Benevenuto.

Notícias positivas, no entanto, teriam maior capacidade de viralizar, ou seja, repercutirem e se espalharem rapidamente. A informação vem do estudo de Jonah Berger and Katherine L. Milkman publicado em 2011, no Journal of Marketing Research. As emoções ajudam na decisão de compartilhar uma notícia com os amigos. Se o fato instigar uma reação positiva, como admiração, ou negativa, como ansiedade ou raiva, mais provável que será compartilhado e viralize.

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Imprensa mais propositiva

O professor de Jornalismo da PUCRS Marcelo Fontoura sinaliza que é da raiz da imprensa abordar problemas, mas que ela poderia ser mais propositiva.
– A imprensa perdeu a capacidade de falar sobre o que está dando certo. Então, temos a distorção de que o mundo é muito negativo. Um dos grandes desafios do jornalismo hoje é propor soluções e indicar caminhos, especialmente no Brasil – avalia. 

Informar as notícias negativas não deixa de ser menos exaustivo para os profissionais da área. Jornalista há mais de 30 anos, Rinaldo de Oliveira, 52 anos, fundou o sonoticiaboa.com.br em 2009 e concilia o projeto com o trabalho de repórter de televisão em Brasília. O tempo reservado para o site não deixa de ser terapêutico para o próprio jornalista.
 – Preciso dar notícias boas para mostrar a minha filha que o mundo não é tão ruim. Um dia, as pessoas vão parar de ver o noticiário. Por isso, alguma coisa tem de mudar, e a gente deu esse pontapé inicial – diz.

Para o pesquisador e professor de jornalismo digital da PUCRS, Marcelo Träsel, os protestos sobre o espaço dado às notícias negativas pode ser uma incompreensão sobre o papel dos veículos de comunicação para a democracia, que é fiscalizar e cobrar.
– A função da imprensa é também apontar o que está certo, mas se tiver de escolher, o mais importante é apontar os problemas e priorizar o que a sociedade precisa resolver. Com esses grupos, as pessoas suprem uma necessidade que não encontram na imprensa, o que é ótimo – avalia.

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