Escolas particulares projetam reajuste de 10% a 12% nas matrículas em SC Carlos Macedo/Agencia RBS

Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Em época de crise econômica, com inflação alta e elevada taxa de desemprego, as escolas privadas de Santa Catarina contabilizam uma das mais altas taxas de inadimplência da história.

O atraso no pagamento de mensalidades deve ampliar o reajuste que os pais vão encontrar ao matricular os filhos a partir deste mês. Segundo levantamento da reportagem, a maioria das instituições catarinenses vai aumentar as parcelas de 10% a 12% para 2016, percentual maior que a inflação de 9,65%.

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No país, o cenário não é diferente. A inadimplência nas instituições particulares de ensino fundamental, médio e superior aumentou 22,6% no primeiro semestre de 2015 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Foi a maior alta em um primeiro semestre desde 2012, quando o índice registrou elevação de 19,1%, segundo levantamento do Serasa Experian.

No colégio Energia, em Blumenau, a inadimplência chegou a 30% este ano, quando normalmente fica entre 12% a 15%. De acordo com o diretor Germano Morsch Steffen, o reajuste das mensalidades em 2016 será de 12%, tendo por base o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pela Fundação Getúlio Vargas, que no acumulado de setembro fechou acima da inflação acumulada (9,65%), até setembro

Aumento nos custos pressiona resultados

No Colégio Marista, em Criciúma, no Sul do Estado, as mensalidades vão aumentar 12%, ficando entre R$ 758 e R$ 908 em 2016. O diretor da escola, Valentin Fernandes, afirma que, conforme o aumento de custos, o reajuste deveria ser ainda maior, de 15%. Segundo ele, a decisão de não repassar todo o aumento tem como objetivo frear os efeitos da crise econômica, que já representa para a escola a maior taxa de inadimplência já registrada, de 12%.

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O diretor diz que até o ano passado apenas 5% das mensalidades, no máximo, ficavam atrasadas. 

— O nosso projeto pedagógico não mudou em nada, mas por causa da crise, precisamos enxugar projetos, por exemplo as viagens escolares e a contratação de palestrantes caros — afirma Fernandes.

A presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenepe), Amábile Pacios, afirma que, com o aumento nos custos, como água e energia elétrica, além do incremento na folha de pagamento, em 2016, as escolas particulares serão obrigadas a reajustar as matrículas. A expectativa é que esse reajuste seja de 10% a 12%. Amábile recomenda que o gestores fiquem o máximo possível atentos à realidade dos preços. Caso contrário, segundo ela, o risco é quebrar.

A presidente acrescenta que no momento todas as escolas estão abertas a negociar o pagamento das mensalidades atrasadas. A dica para os pais é tirar vantagem da possibilidade de conversar olho no olho com o diretor da escola e explicar a situação por que estão passando.

O presidente do sindicato da categoria em Santa Catarina (Sinepe), Marcelo Batista de Sousa, diz que não existe um índice predeterminado de reajuste nas escolas. 

— As escolas devem aumentar ou corrigir o necessário para manter ou melhorar a compatibilização de seus custos, acrescentando margem de investimento e levando em consideração os indexadores econômicos atuais e as suas respectivas projeções para a nossa data-base. Os preços são fixados anualmente de acordo com a planilha de custos de cada escola — esclarece.

Em Florianópolis, as escolas devem reajustar as mensalidades  na faixa de 10% O Educandário Imaculada Conceição, que tem 1.250 alunos da pré-escola ao terceirão, tem mensalidades hoje de R$ 595 a R$ 931. O reajuste será de 10%. Já o COC, que tem mais de 1.200 alunos no Ensino Médio e Pré-vestibular terá reajuste de 7,7% no ensino médio.

DIÁRIO CATARINENSE
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