Florianópolis recebe a lenda do surfe Garrett McNamara, recordista de grandes ondas Guto Kuerten/Agencia RBS

Acompanhado da família, McNamara esbanja simpatia na Praia do Santinho

Foto: Guto Kuerten / Agencia RBS

A Praia do Santinho, em Florianópolis, ganhou um ilustre visitante nesta semana. Ninguém menos do que o surfista de ondas grandes e recordista mundial Garrett McNamara está na Ilha. Convidado pela organização do QS 6000 Red Nose Pro Florianópolis, o norte-americano de 38 anos, radicado no Havaí, veio conferir a competição, treinar e aproveitar um tempo com a família.

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Como a altura das ondas aqui não é um atrativo — McNamara é recordista por ter surfado uma de 30 metros —, as atenções da lenda durante a estadia em território catarinense estarão divididas. O norte-americano também está de olho nas condições do tempo em Nazaré, em Portugal, justamente onde obteve a marca histórica. É para lá que ele irá nos próximos dias para trabalhar no seu lugar preferido: o mar.

Acompanhado do filho Barrel, de um ano, e da mulher Nicole, 32, Garrett McNamara tem esbanjado simpatia desde que chegou a Floripa, antes do fim de semana. Atencioso, recebeu a reportagem do DC e mostrou do que é feito um campeão do surfe. Bateu papo, deu risadas, elogiou os atletas brasileiros e aproveitou para levar o filho para surfar.

Família e diversão, para ele, andam lado a lado de treinamento e competição. Confira.


Que lembranças Florianópolis te traz?
Garrett McNamara —
Eu estive em Florianópolis, não sei, há 20 ou 15 anos, e surfei ondas incríveis. Foi minha apresentação ao Brasil e a Floripa. Me apaixonei e me diverti, mas não voltava a Floripa há muito tempo. Está tão diferente, tão estruturada. Quando vim, há cerca de 20 anos, fui à Lagoa, e havia uma banca de açaí, uma loja de surfe, uma cafeteria, e nada muito além disso. É incrível como as coisas mudaram. Está tão diferente.

Você chegou há quatro dias. Como têm sido seus dias aqui?
McNamara —
Tenho aproveitado a oportunidade de passar um tempo com qualidade ao lado de minha esposa e meu filho. Estamos nos divertindo, ficando juntos, caminhando, conversando, trabalhando. Estou aguardando para levar meu filho para surfar.

Como é sua rotina, entre treinos e família?
McNamara —
É preciso achar o equilíbrio, entre família, trabalho e treino. Quando estou em uma dessas áreas, estou muito focado, me concentro nesta rotina. Quando viajo pelo mundo, é algo mais desafiador. Então, é bom ter a família por perto, passar tempo com eles.

Qual é a importância de ter a técnica correta para a prática do surfe?
McNamara —
Aspectos técnicos são nossa vida, sobrevivência, segurança. Preparação é importante. Então, é preciso ter uma equipe qualificada, em que você confie. E todos têm de pensar nos mesmos objetivos e ter a mesma energia positiva. Ter objetivos, mas sem muitas expectativas. Se você tem altas expectativas, pode se decepcionar. Quando não tenho expectativas, as coisas são incríveis.

O que a experiência te dá para a prática do esporte?
McNamara —
Ter tanta experiência deixa você muito familiarizado, confortável. Permite ultrapassar limites, superar medos. Nós, surfistas de ondas grandes, superamos limites, e nossas vidas dependem de nossas equipes, nossas famílias, e equipamentos de segurança. Tecnologia é parte do sucesso de surfistas de grandes ondas.

O que você acha da nova geração do surfe?
McNamara —
Quando acho que não há mais nada a ser feito, eles sempre fazem algo novo. São tão incríveis. Para surfistas, é muito divertido assistir o que os melhores do circuito mundial fazem. Mas o resto do mundo prefere ver os surfistas de grandes ondas. (risos)

E a geração de surfistas brasileiros?
McNamara —
Sempre tive boas relações com surfistas brasileiros. Adoro eles e o Brasil. Taiu (Bueno) Chacal (Carlos Burle) foram os dois primeiro caras que conheci do Brasil, e conheci poucos surfistas de ondas grandes. Um deles foi o Taiu. E os surfistas do circuito mundial, são incríveis. Brazilian Storm é uma tempestade de verdade. Se vai competir contra eles, é bom estar preparado. Porque você vai ter uma competição dura. Eles são muito bons, concentrados, famintos e têm muito orgulho. Brasileiros trazem tanto orgulho, que isso os guia além de outras pessoas. Por isso, esses caras são tão bem sucedidos: o orgulho de competir pelo seu país.

E quais são os principais nomes, na sua opinião?
McNamara —
Gosto de Medina (Gabriel) e Toledo (Filipe), mas eles são tantos. Eu não presto tanto atenção aos eventos, mas dou uma conferida de vez em quando, e fico cativado. Só não acompanho mais porque estou sempre em viagem. Mas os brasileiros são destaque em todos os eventos em que estejam. Olhe para o cenário atual. Há mais brasileiros do que competidores de muitos outros países.

Quais os planos para a familia em Floripa?
McNamara —
Vou levá-lo (o filho Barrel) para surfar hoje e dar uma chegada no spa, na academia. A piscina é muito boa para ele nadar. Ele gosta muito de nadar. Pula desta distância da piscina (faz sinal com a mão). Ele ama açaí, é a coisa favorita dele no mundo. Tenho que achar açaí do bom. Quero dar uma conferida na competição.

Mas ao mesmo tempo você está de olho nas grandes ondas de Portugal neste momento.
McNamara —
A temporada de grandes ondas é agora: outubro. Os últimos dias do mês são o melhor momento. É o mês em que temos ondas o tempo todo. Nos outros, tem uma onda aqui e outra lá. Então, estou entre aqui e lá. Haverá um grande swell no dia 23 (em Nazaré, Portugal). Estou monitorando isto. Por isso, em breve saio daqui para fazer meu trabalho. (risos)

Como é a preparação para Nazaré?
McNamara —
Muita ioga. Há um trabalho de bastidores, treinamento, corrida, muita meditação. Tenho feito pilates, e muito trabalho físico. Mas a água é o melhor lugar para se estar. Tenho de me preparar para estar bem na água, com treino de respiração. Em grandes dias, estou preocupado em oxigenar meu corpo, com exercícios de respiração. E não tenho nada em mente a não ser as ondas.

DIÁRIO CATARINENSE
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