Dormindo com o inimigo

O vírus causador a Aids, o HIV, infecta e mata células do sistema imunológico chamadas linfócitos T auxiliares. Essas células nos protegem das infecções e é por isso que o vírus causa a chamada imunodeficiência, e o doente acaba morrendo por outras infecções. Com os medicamentos antivirais modernos, os portadores de HIV conseguem viver muitos anos sem manifestar a doença.

Porém, a cura ainda não é possível. Um dos motivos é que muitos linfócitos infectados pelo HIV, entram em um estado de dormência enquanto o paciente está tomando os antivirais. Essas células dormentes não produzem vírus, mas também não são encontradas nem destruídas pelo sistema imunológico. Porém, se o paciente parar de tomar os medicamentos, elas acordam e começam a produzir mais vírus, que voltam a destruir o sistema imunológico.
 
Chamando a polícia

Cientistas do Instituto Nacional de Saúde (NIH), nos Estados Unidos, criaram uma proteína que marca as células imunes infectadas com o HIV, facilitando sua localização e destruição pelo sistema imunológico, antes que ele fique doente novamente. A proteína se liga no linfócito T auxiliar dormente e o acorda. Quando este começa a produzir os vírus, a mesma proteína marca a célula que está produzindo o vírus e dá um sinal para outras células de defesa. Estas localizam e matam a célula infectada antes que os vírus comecem a sair dela e infectar outros linfócitos.

Os primeiros testes em macacos infectados com HIV mostraram que a proteína é segura para a saúde, resta agora mais tempo para saber se esses macacos vão ficar completamente curados da doença.

Despertando para a morte

Essa proteína chamada VRC07-aCD3 foi construída de forma que cada uma de suas duas extremidades tenham funções distintas. Uma ativa o linfócito T ligando-se a um alvo na superfície da célula chamado receptor CD3, e a outra ponta é na verdade um anticorpo que pode reconhecer cerca de 90% dos tipos de HIV existentes. Essa proteína facilita a destruição das células dormentes infectadas por HIV em três etapas.

Primeiro, o lado que se liga ao receptor CD3, se liga a um linfócito T auxiliar dormente, acordando a célula de forma que ela começa a produzir o vírus e exibir pedaços desse vírus em sua superfície. Depois, o lado da proteína que reconhece o vírus, se liga nesses pedaços do vírus, enquanto o lado que se liga ao receptor CD3, atrai agora linfócitos T killer ativando-os também e trazendo-os para perto da célula que acabou de acordar e está produzindo os vírus.

Finalmente, a célula T killer faz o que mais gosta, que é matar a célula infectada com o HIV. Essa pesquisa foi publicada em Nature Communications DOI: 10.1038/ncomms9447 (2015)



NIAID/Divulgação

A ilustração mostra como a proteína construída facilita a destruição das células dormentes infectadas com HIV.

1) Da esquerda para a direita: proteína construída com o lado de ligação ao receptor CD3 em amarelo e preto, e o lado de ligação ao HIV em preto; linfócito T auxiliar dormente infectado com HIV (azul); Linfócito T Killer inativo (rosa).

2) A proteína se liga ao receptor CD3 no linfócito ativando-o, assim a célula começa a produzir HIV e mostrar na sua superfície pedaços do vírus (vermelho).

3) A proteína agora se liga aos fragmentos de HIV e, ao mesmo tempo, se liga em receptores CD3 de linfócitos T killer, ativando as células T killer e atraindo-as para junto do linfócito infectado.

4) O linfócito T Killer, destrói o linfócito T auxiliar infectado antes que ele comece a liberar os vírus na circulação.

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